Usamos cookies para anúncios e para melhorar sua experiência. Ao continuar no site você concorda com a Política de Privacidade.

Análise: Chay marca três vezes, mas não faz milagre; atuação do Botafogo é frustrante em empate com Cruzeiro

15 comentários

Blog da Redação

Blog da Redação

Compartilhe

Análise Botafogo x Cruzeiro

Na volta ao Nilton Santos, o Botafogo empatou em 3 a 3 com o Cruzeiro. Depois de um primeiro tempo truncado e de poucas chances em que o Alvinegro saiu na frente, a segunda etapa foi alucinante e teve cinco gols. Chay foi o destaque do jogo com três gols marcados, mas nem o desempenho do atacante foi suficiente para diminuir a frustração com a atuação do time.

O jogo contra o frágil time cruzeirense representou um dia D para a sequência do trabalho de Marcelo Chamusca no Glorioso. Com uma vitória nos últimos seis jogos, um resultado positivo era imperativo para não perder o contato com os primeiros lugares na tabela. Um duro golpe nas pretensões alvinegras foi a ausência de Luís Oyama devido a um desconforto muscular. O volante é o jogador de meio-campo com a maior média de passes certos por jogo (38.3) e o que mais acerta lançamentos (6.3). Desde a entrada de Barreto no time titular, Oyama passou a jogar mais adiantado e teve uma participação menor na construção do jogo. Pedro Castro foi o escolhido para cumprir a função de ajudar na saída e buscar aproximação no ataque.

A grande novidade na escalação foi a entrada de Diego Loureiro na meta. Douglas Borges assumiu a posição no segundo jogo da temporada e ganhou a confiança do treinador e da torcida, mas uma sequência de erros técnicos espalmando bolas para o meio da área e inseguranças na hora de sair do gol minou o crédito do goleiro. Novamente lesionado, Ronald deu lugar a Felipe Ferreira, que tem feito boas exibições vindo do banco. As laterais, a maior fragilidade da equipe

Análise Botafogo x Cruzeiro

Nas últimas quatro partidas, somente contra o CRB o Botafogo teve menos posse de bola. Contra o Cruzeiro, o começo do jogo seguiu essa lógica. Os adversários conhecem a dificuldade de articulação e criatividade no setor de meio-campo alvinegro e optam por ceder a bola para explorar contra-ataques. O time mineiro, no entanto, tem a pior defesa do campeonato, em números e desempenho, desorganizada e com sérios problemas de posicionamento.

Rafael Navarro soube aproveitar bem os espaços oferecidos pelo adversário e saiu bastante da área para fazer pivô e abrir espaço para que os companheiros atacassem a última linha da defesa. Assim, surgiu o primeiro gol, logo aos oito minutos. Em jogada de lateral pelo lado direito da defesa, Felipe Ferreira girou bem em cima da marcação e Navarro disputou a bola com o adversário. Diego Gonçalves ficou com ela e teve liberdade para conduzir em direção ao gol contra uma defesa completamente desmontada. O atacante errou na escolha da melhor jogada, mas sofreu o pênalti na entrada de carrinho do defensor. Chay bateu, deslocou o goleiro e colocou o Glorioso em vantagem.

Análise Botafogo x Cruzeiro

O Botafogo vinha iniciando bem os jogos, sem conseguir sair na frente para controlar o placar. Agora, na frente do marcador, o time teve menos posse de bola e procurou sair em transição. A falta de critério, organização e coletividade prejudicou o ataque alvinegro. A todo momento, Chay se deslocou procurando espaços vazios e servindo como a referência que todos buscavam para conectar as jogadas ofensivas. Tudo passou pelos pés do camisa 14.

Mas alguns fatores travaram o ataque. Novamente, os laterais do Botafogo foram peças nulas no jogo. Daniel Borges segue inexplicável na direita. Pouco apoia e quando o faz não é uma opção confiável. Guilherme Santos teve outra atuação lamentável. Erros de passe simples e perdas irresponsáveis de posse de bola no campo defensivo e uma total ineficácia no ataque. Sem apoio nas laterais, Felipe Ferreira não consegue jogar em transição e Diego Gonçalves busca a diagonal para o centro deixando um deserto na esquerda. Dessa forma, dificilmente o Glorioso teve jogadores em posições de superioridade sobre a defesa adversária.

A defesa aos poucos foi sucumbindo à tentativa de pressão do Cruzeiro e oferecendo as situações de chutes de longa distância e escanteios que os mineiros tanto queriam. Descompactado, o Botafogo cedeu espaços dentro da própria intermediária. A ausência de Oyama, além de tirar a criatividade e limitar a capacidade de passe do time, interfere muito na capacidade de pressão da linha de meio-campo que o volante controla tão bem. Primeiro volante de características defensivas, Barreto tende a recuar e proteger a entrada da área próximo aos zagueiros. Pedro Castro não consegue entregar a intensidade defensiva necessária para coordenar a pressão.

Análise Botafogo x Cruzeiro

O segundo tempo apresentou um jogo diferente, mais movimentado e que evidenciou a desorganização das duas equipes, sobretudo a do Botafogo. Chamusca não promoveu qualquer substituição ou alteração tática para controlar mais o jogo e segurar ou ampliar o resultado. O time continuou desconectado e carente de coletividade, dependente apenas de individualismos e do voluntarismo de Chay. Logo aos nove minutos, jogada pelo lado esquerdo da defesa e erro técnico de Gilvan que, sozinho, colocou a bola nas próprias redes.

Não demorou e Chay voltou a ser decisivo. Na melhor aparição de Daniel no ataque, o lateral jogou a bola para dentro da área e no perde-ganha, Chay mostrou oportunismo para fazer o segundo gol. Mas a vantagem não durou muito tempo. O Botafogo subiu a marcação sem pressionar e Guilherme furou o corte em um lançamento. Na sequência do lance, cruzamento na área e Kanu abaixou a cabeça e permitiu que a bola batesse em seu braço em uma posição que o árbitro considerou como pênalti. Moreno bateu, Diego Loureiro pegou, mas no rebote o próprio atacante completou para o gol.

E não parou por aí. Sem qualquer alternativa ofensiva treinada para chegar ao gol, o Botafogo se desmanchou em campo. Kanu tentou lançamento para o ataque e a bola rapidamente voltou para o campo alvinegro em um ataque perigoso do Cruzeiro. Completamente desorganizada, pega em contra-ataque, a defesa alvinegra viu Marcelo Moreno acertar um belo chute e virar o jogo.

O Cruzeiro tentou, então, segurar o resultado contra um Botafogo nervoso e desconcentrado. O time mineiro esteve mais perto de chegar ao quarto gol nos minutos finais. Mas já nos acréscimos do juiz, uma bola levantada na área sobrou para Marco Antônio, que sofreu um pênalti. Chay, sempre ele, bateu e fez o sexto gol que o coloca como vice-artilheiro da Série B.

Análise Botafogo x Cruzeiro

O empate conquistado na bacia das almas não pode esconder o desempenho assustador do Alvinegro no segundo tempo. O time desmontou, não apresentou qualquer padrão coletivo e não fosse o brilhantismo do inspirado Chay teria conhecido mais uma derrota. Com uma semana cheia para treinar, o questionamento sobre o futuro de Chamusca deve ser a pauta. Ainda vale acreditar que o treinador é capaz de reorganizar e tirar mais desse elenco ou esse é o momento ideal para trocar o comando.

Com 13 pontos e na 10ª colocação, o Botafogo vai até Santa Catarina enfrentar o Brusque no próximo sábado (17), às 19h.

Números do jogo:

Posse de bola – BOT 52% x 48% CRU
Passes certos – BOT 297 (77%) x 272 (78%) CRU
Cruzamentos – BOT 6/20 (30%) x 6/24 (25%) CRU
Bolas longas – BOT 22/59 (37%) X 26/52 (50%) CRU
Dribles – BOT 16/28 (57%) x 8/13 (62%) CRU
Finalizações – BOT 14 (5 no gol) x 14 (5) CRU
Finalizações dentro da área – BOT 8 X 6 CRU
Chances claras – BOT 2 x 2 CRU
Desarmes – BOT 12 X 22 CRU
Disputas aéreas vencidas – BOT 21 x 31 CRU
Faltas – BOT 16 x 12 CRU

Fonte: Redação FogãoNET

Notícias relacionadas
Comentários