Análise: contra o Confiança, Botafogo não sofre gols depois de cinco jogos e volta a vencer na Série B

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Blog da Redação

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Gol de Romildo em Confiança x Botafogo | Série B do Campeonato Brasileiro 2021
Reprodução/SporTV

Na estreia de Enderson Moreira no comando, o Botafogo enfrentou o lanterna Confiança e voltou a vencer depois de cinco jogos sem vitória. O único gol da partida foi marcado por Romildo, no final do primeiro tempo. O resultado aliviou a pressão sobre o time que via a zona de rebaixamento se aproximar perigosamente. Com 16 pontos, na 11ª colocação, o Glorioso volta a sonhar com a possibilidade de chegar perto do G4.

Enderson assume o Botafogo com a tarefa de tornar o time competitivo na Série B. A essa altura, ninguém espera um futebol envolvente e encantador, mas uma equipe combativa que seja capaz de disputar as partidas sem sucumbir nos planos táticos, físicos e psicológicos. E o desafio é grande. O time chegou ao final do primeiro terço da competição ocupando o último lugar nas estatísticas de desarmes (11.8) e cortes (13.3) por jogo, não sofreu gols em apenas três jogos e tem a quinta pior defesa, com 18 gols sofridos. No ataque, os números surpreendem. O Glorioso é o time que mais criou chances claras de gol (26), e também o que mais desperdiçou (18). Tem o quinto melhor ataque, com 16 gols marcados, e a terceira maior média de finalizações (11.4) por jogo. Mas quando juntamos os números com a análise das atuações, o que se vê é um time dependente de individualidades, pouco coordenado e sem soluções coletivas para abrir as defesas adversárias.

O objetivo do treinador em sua escalação depois de poucos dias de treinamento foi claro: reforçar a proteção no setor defensivo. Na série sem vitórias nos últimos cinco jogos, o Alvinegro sofreu dez gols. A solução encontrada foi a entrada de Romildo para formar uma dupla de volantes com Barreto. Na frente, Warley voltou ao time titular para atuar na ponta direita e tentar explorar a velocidade em contra-ataques. Com a lesão de Chay, a principal referência técnica do elenco, Marco Antônio voltou a atuar centralizado na criação de jogadas.

Análise Confiança x Botafogo

Com a bola rolando, a ideia de ter dois volantes para preencher o espaço na entrada da área e deixar a última linha da defesa menos exposta não mostrou resultado. O Confiança conseguiu trocar passes e encontrar ultrapassagens que envolveram o sistema defensivo alvinegro. Além da fragilidade defensiva, com a bola nos pés a dupla contribuiu pouco para a construção de jogadas. Organizado para fazer a saída de bola com três jogadores, coube a Barreto e Romildo fazerem a ligação entre defesa e ataque. A capacidade limitada de passe dos dois somada ao entendimento coletivo ruim de toda a equipe quanto ao posicionamento fez do Botafogo um time de dois blocos sem conexão, três atrás e cinco na frente.

Entre os dois blocos, havia espaço para os volantes jogarem. As duas primeiras finalizações saíram de chutes de fora da área da dupla. Mesmo pouco acionado, o ataque empurrou a defesa contra a própria área e deu condições para o jogo acontecer na intermediária. Sem movimentação, troca de passes rápidos ou um jogador com capacidade para acertar passes longos, o time sofreu para criar. Na direita, Warley mostrou as características que fazem dele um jogador útil para a equipe. Apesar das limitações técnicas e de escolhas pouco inteligentes que toma durante o jogo, o jogador procurou o jogo a todo momento e foi a melhor alternativa de ataque durante o primeiro tempo. A partir de um ótimo cruzamento do ponta, Diego Gonçalves teve boa chance de abrir o placar, mas cabeceou para fora.

Análise Confiança x Botafogo

No lado oposto, Guilherme mais uma vez deixou a desejar e não conseguiu dar sequência às jogadas. Marco Antônio e Diego Gonçalves também tiveram dificuldades para executar suas funções em campo. Conforme o time percebeu o bom momento de Warley, passou a apostar nas jogadas pela direita. E depois de uma série de descidas do ponta direita no final da primeira etapa, saiu dali a jogada do primeiro gol alvinegro. Cruzamento que a defesa do time sergipano cortou mal e deu nova chance para Romildo finalizar de fora da área. O jovem acertou um forte chute cruzado e abriu o placar. Depois de sofrer com algumas jogadas perigosas do ataque adversário, o escape pelo lado direito fez o Glorioso crescer no jogo. O time teve mais posse de bola no primeiro tempo (54%), mas finalizou menos que o Confiança, apenas sete vezes, sendo quatro de fora da área.

O segundo tempo começou com outro cenário. Com a vantagem, o Botafogo apostou no jogo reativo baseado em contra-ataques. Diferentemente das tentativas de jogo reativo que o time procurou nos últimos meses, a equipe conseguiu levar perigo e criar boas chances para ampliar a vantagem com Marco Antônio e Warley nos primeiros dez minutos. A partir dos 15 minutos, o adversário começou a pressionar e ameaçar o gol de Diego Loureiro, que apareceu sempre de forma segura.

Análise Confiança x Botafogo

A resposta alvinegra para retomar as rédeas do jogo foi a entrada de Kayque e Matheus Frizzo para renovar o fôlego no setor de meio-campo. Kayque é o único jogador do elenco a cumprir a importante função de um meia que marca com intensidade e chega ao ataque para finalizar. Recuperado de lesão, precisa de mais espaço para auxiliar na transformação desse time, por muitas vezes estático, para desempenhar um jogo mais fluido e dinâmico. Adiantado, Frizzo entrou bem e procurou jogar nos espaços vazios que a desorganizada defesa sergipana ofereceu.

Aos 33, Warley deu o melhor exemplo de suas decisões confusas que prejudicam seu futebol e poderia ter prejudicado a equipe. Sozinho, prendeu demais a bola e foi desarmado. Para matar o contra-ataque, teve que fazer a falta e levou o segundo cartão amarelo. Deixou o campo com 50 participações com a bola, dois passes decisivos, três cruzamentos certos em cinco tentativas, além de ter levado a melhor em sete dos dez duelos em que esteve envolvido. Quando acionado em projeção com o objetivo claro de alcançar a linha de fundo e cruzar, é um jogador útil. Quando precisa parar e pensar para tomar a melhor decisão, erra sistematicamente. Ainda assim, na ausência de Ronald, é a melhor opção de velocidade para abrir o jogo e dar profundidade na direita.

Análise Confiança x Botafogo

Mesmo com um jogador a menos, o time evitou uma pressão mais contundente do adversário e conseguiu segurar a vitória e dar fim à sequência indigesta de cinco jogos sem vencer. As limitações do adversário tiveram papel importante na falta de oportunidades claras de gol criadas contra a defesa alvinegra, mas foi possível observar um nível mais alto de concentração e posicionamento da última linha de defesa. Consequentemente, o time voltou a vencer a disputa por desarmes e cortes. Diego Loureiro também teve excelente atuação para impedir qualquer chance de empate. Na próxima terça-feira (27), o Botafogo vai receber o CSA no Nilton Santos, às 21h30.

Números do jogo:

Posse de bola – BOT 44% x 56% CON
Passes certos – BOT 274 (75%) x 375 (83%) CON
Cruzamentos – BOT 4/14 (29%) x 7/39 (18%) CON
Bolas longas – BOT 34/69 (49%) X 40/66 (61%) CON
Dribles – BOT 2/4 (50%) x 7/15 (47%) CON
Finalizações – BOT 11 (2 no gol) x 22 (9) CON
Finalizações dentro da área – BOT 5 X 12 CON
Chances claras – BOT 0 x 1 CON
Desarmes – BOT 17 X 11 CON
Cortes – BOT 26 x 11 CON
Faltas – BOT 17 x 14 CON

Fonte: Redação FogãoNET

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