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Análise: incapaz de segurar resultados, Botafogo sofre nova virada e vê título escapando pelas mãos

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Blog da Redação

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Análise: incapaz de segurar resultados, Botafogo sofre nova virada e vê título escapando pelas mãos
Vitor Silva/Botafogo

O que explica a incapacidade recente do Botafogo em disputar um jogo inteiro mantendo os níveis de concentração que o Brasileirão exige? Em oito dias, duas derrotas de virada por 4 a 3 dilaceraram a vantagem na liderança e a confiança do grupo para lutar pelo título que não vem há 28 anos. Depois dos resultados favoráveis da rodada, a torcida reacendeu a esperança na conquista, mas a oscilação de desempenho do time tratou de jogar gasolina na chama acesa da crise. Sequência de cinco jogos sem vencer passa pela insegurança do setor defensivo que sofreu 11 gols nesses confrontos.

Depois das fortes críticas ao time pelo desempenho no segundo tempo contra o Palmeiras e pela atuação apática contra o Vasco, Lucio Flavio promoveu mudanças entre os titulares para enfrentar o Grêmio. Marçal perdeu a vaga para Hugo na lateral esquerda. Irregular na defesa e sem a mesma contribuição na construção ofensiva, a torcida já cobrava a substituição do lateral há algumas semanas. Eduardo, em nítida crise física e técnica, também foi para o banco. No lugar do meia, Danilo Barbosa continuou na equipe, formando um trio no meio-campo com Tchê Tchê e Marlon Freitas. No ataque, Diego Costa substituiu o suspenso Tiquinho Soares.

Análise Botafogo x Grêmio

Os três volantes de origem deixaram o time com mais jogadores para trabalhar na base das jogadas na fase de construção. Com Danilo mais preso como um pivô na circulação da bola, Marlon e Tchê Tchê tiveram liberdade para ora baixar para ajudar na troca de passes curtos, ora subir para somar no ataque. Os laterais jogaram bem adiantados, responsáveis pela amplitude ofensiva, enquanto os pontas afunilaram para jogar próximo de Diego Costa, formando, por vezes, uma linha de cinco para pressionar a defesa gaúcha.

Primeiro tempo

Essa estrutura mais forte no meio-campo fez o Botafogo dominar a posse de bola. Nos primeiros cinco minutos, o alvinegro teve 85% da posse e finalizou duas vezes com Diego Costa. Na primeira, o centroavante cabeceou por cima da meta; na segunda chance, aos cinco, aproveitou o erro de Reinaldo em cruzamento de Hugo, dominou dentro da área e finalizou com frieza na saída de Gabriel Grando. O gol nos minutos iniciais parecia o cenário perfeito para aliviar a pressão sobre os alvinegros.

Só parecia, porque o Grêmio empatou o jogo logo na sequência. Aos oito minutos, o uruguaio Carballo teve muito espaço no meio-campo e conseguiu acionar Everton Galdino em profundidade. O ponta canhoto saiu do lado direito do ataque e aproveitou a desordem na defesa, que teve Adryelson saltando a linha para colar em Luis Suárez e Cuesta desatento na cobertura. Galdino finalizou cruzado e bateu Lucas Perri.

Apesar da distração no lance do empate, o Glorioso apresentou uma postura completamente diferente da última segunda-feira. O time competiu o jogo, brigou em cada disputa de bola e não se abateu com o gol. O Grêmio também entrou no jogo, passou a ter mais a posse, mas finalizou pouco. O Botafogo retomou um estilo mais direto e vertical, buscando Diego na referência e Júnior Santos na profundidade.

O segundo gol alvinegro relembrou a melhor fase do Botafogo no campeonato. Pressão alta no campo do adversário, retomada de Adryelson, passe rápido de Marlon Freitas para colocar Diego Costa em condições de finalização. O centroavante bateu de primeira, Grando defendeu e no rebote Júnior Santos completou para o gol vazio. Tudo isso em apenas quatro toques na bola, todos de primeira. Ótima visão de jogo de Marlon e excelentes movimentações de Júnior e Diego atacando a área. Detalhes vitais de um time ligado no jogo.

Segundo tempo

Depois de um bom desempenho no primeiro tempo, o Botafogo precisava manter a pegada para seguir competitivo no jogo e evitar os desequilíbrios recentes. Lucio Flavio voltou com Carlos Alberto no lugar de Victor Sá, que teve atuação apagada. E o Glorioso teve o melhor início possível. Intenso, ligado e jogando um futebol coletivo, a equipe voltou em cima Tricolor Gaúcho e precisou de apenas um minuto para ampliar a vantagem. Mais uma vez: retomada de posse no campo de ataque, troca de passes rápida e cruzamento certeiro de Di Placido para Marlon Freitas marcar o seu primeiro gol no Brasileirão.

Novamente, o Botafogo marcou cedo e teve uma vantagem de 3 a 1 no placar para administrar. Tudo parecia favorável, mas o enredo da primeira etapa voltou a se repetir. Em apenas três minutos, com gols aos quatro e aos sete minutos, Luis Suárez empatou o jogo. O sistema defensivo alvinegro ficou exposto e não acertou a marcação em cima de Ferreira, que entrou no segundo tempo e criou os dois gols dos visitantes partindo da esquerda para a faixa central.

Dessa vez, o Glorioso sentiu os gols e o Grêmio passou a controlar o jogo. A virada dramática do Palmeiras voltou à memória de todos no campo e na arquibancada. Tudo o que foi dito até aqui sobre intensidade, foco e jogo coletivo ruiu em um piscar de olhos e o Botafogo voltou a ser o time desconectado, relapso, que força jogadas individuais a todo momento.

Mas o pior ainda estava por vir. Aos 22, com a mesma facilidade que Endrick teve para desfilar pelo sistema defensivo alvinegro há uma semana, Suárez tabelou com Villasanti na entrada da área como se não houvesse marcação. Mais uma vez, cara a cara com Perri o centroavante uruguaio marcou seu terceiro gol no jogo e consolidou nova virada inacreditável.

Como nos jogos recentes, as mexidas de Lucio Flavio tiveram pouco ou nenhum impacto no jogo. Minutos antes da virada, Eduardo entrou no lugar de Danilo, mas não conseguiu entrar no ritmo do jogo e muito menos organizar os ataques alvinegros. Depois, o treinador refez as mudanças que formam o time em um ineficaz 4-2-4. Saíram Tchê Tchê e Júnior Santos para as entradas de Janderson e Luis Henrique. Em um time desorganizado e individualista, Luis recordou seus piores momentos na temporada. Janderson pouco tocou na bola.

O Glorioso finalizou apenas três vezes depois de tomar o gol derradeiro. O último chute da equipe aconteceu aos 34 minutos do segundo tempo, uma finalização fraca de Luis Henrique nas mão do goleiro. Com dois centroavantes na área, não conseguiu criar uma situação sequer de cruzamento na área. Retrato de um time desorganizado e mentalmente incapaz de buscar uma pressão para empatar o jogo.

Análise Botafogo x Grêmio

O Botafogo enfrenta outro adversário direto pelo título brasileiro no próximo domingo (12). Em Bragança Paulista, o Glorioso pega o Red Bull Bragantino, dono da segunda melhor campanha do returno. Apesar do bom momento no campeonato, o Braga vem de derrota para o São Paulo por 1 a 0 e não terá Helinho, um dos destaques da equipe, suspenso.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 52% x 48% GRE
Passes certos – BOT 304 (77%) x 276 (73%) GRE
Finalizações – BOT 12 (5 no gol) x 13 (6) GRE
Gols esperados (xG) – BOT 1.45 x 2.23 GRE
Finalizações dentro da área – BOT 8 x 11 GRE
Grandes chances de gol – BOT 2 x 5 GRE
Grandes chances perdidas – BOT 0 x 1 GRE
Defesas do goleiro – BOT 3 x 8 GRE
Cruzamentos – BOT 5/16 (31%) x 2/11 (18%) GRE
Bolas longas – BOT 16/49 (33%) x 15/60 (25%) GRE
Desarmes – BOT 11 x 17 GRE
Interceptações – BOT 11 x 11 GRE
Cortes – BOT 11 x 13 GRE
Disputas de bola vencidas – BOT 45 x 49 GRE
Disputas aéreas vencidas – BOT 13 x 14 GRE
Dribles – BOT 4/11 (36%) x 10/14 (71%) GRE
Faltas – BOT 8 x 17 GRE
Cartões amarelos – BOT 1 x 1 GRE

Fonte: Redação FogãoNET

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