Análise: o Bota vai subir (e o Vasco não) porque tem maturidade, inteligência e mais futebol

13 comentários

Blog da Redação

Blog da Redação

Compartilhe

Análise Vasco x Botafogo

4 a 0, fora o baile. O Botafogo mandou no jogo em São Januário e acabou com qualquer chance do Vasco subir para a primeira divisão. Marco Antônio marcou duas vezes, Diego Gonçalves e Rafael Navarro também marcaram na goleada. Time voltou a mostrar maturidade e foi perfeito na execução da estratégia traçada. A vitória levou o Glorioso ao topo da tabela pela primeira vez, a quatro rodadas do fim da Série B.

O cenário esperado para o jogo era conhecido bem antes da bola rolar. Desesperado pela vitória, o Vasco teria a posse de bola e tentaria construir a partir de passes curtos, aproximações e movimentações rápidas, estilo conhecido do treinador Fernando Diniz. O Botafogo se preparou para enfrentar essa situação com a entrada de Luís Oyama no lugar do suspenso Barreto. Coube a Oyama dar velocidade ao passe na transição ofensiva alvinegra com lançamentos conectando os pontas, explorando uma das principais fragilidades da defesa vascaína. Nas pontas, inclusive, também houve alterações, com Warley e Diego Gonçalves retornando ao time titular. Marco Antônio atuou centralizado na função de Chay, apoiando ainda o jogo pelas beiradas e chegando na frente para fazer companhia a Navarro. Outra mudança foi a entrada de Carlinhos na lateral-esquerda na vaga de Hugo.

Análise Vasco x Botafogo

Logo nos primeiros minutos, a força do contra-ataque alvinegro apareceu em campo. O Botafogo executou uma marcação em bloco médio, permitindo a troca de passes entre os zagueiros vascaínos e aumentando a pressão a partir da intermediária ofensiva. A proposta foi de bloquear as linhas de passe do adversário sem oferecer campo, congestionando o setor da bola para dificultar a troca de passes. Diego Gonçalves e Navarro tiveram chances no ataque a partir de retomadas de bola. Na terceira saída em contra-ataque, aos 11 minutos, Oyama arrancou, esperou o deslocamento do marcador e esticou para Warley no espaço vazio. O ponta foi esperto e de primeira encontrou Marco Antônio dentro da área para abrir o placar. Em cinco toques na bola e cerca de 11 segundos, o Botafogo saiu de uma cobrança de escanteio do adversário, cruzou o campo e fez o gol.

O time se colocou na melhor situação dentro de campo e aproveitou o desequilíbrio emocional do adversário para se impor. Aos 19, com tranquilidade o Glorioso trocou passes saindo da direita para a esquerda. Carlinhos deu ótimo passe para Diego Gonçalves nas costas do lateral-direito. Também de primeira, Diego cruzou para Navarro, livre na pequena área, empurrar para o fundo das redes. Era o jogo de um time maduro, coeso, consciente de cada função em campo contra um adversário que se esfacelava ao passar de cada minuto. Aos 25 minutos, Léo Matos foi expulso e o Vasco ficou com um jogador a menos.

O Botafogo não mudou a postura, continuou dando liberdade para o Vasco trocar passes inefetivos na defesa enquanto permanecia perfeitamente postado no próprio campo. O time da casa teve 72% da posse de bola no primeiro tempo e finalizou seis vezes. Precisou de 47 passes certos para cada finalização. O Glorioso, com 28% da posse, finalizou oito vezes. Foram cerca de 12 passes certos para cada finalização. Inteligente e mortal no contra-ataque. O terceiro gol, aos 35 minutos, foi uma prova disso. No meio-campo, o zagueiro do Vasco se enrolou, recebeu a pressão e perdeu a bola. Esperto e ciente do posicionamento da equipe, Oyama lançou de primeira sem nem precisar olhar onde estava Marco Antônio. O atacante saiu cara a cara com o goleiro, driblou e ampliou a vantagem para 3 a 0.

Análise Vasco x Botafogo

Com o jogo definido no intervalo e o adversário mentalmente destruído, o segundo tempo era meramente protocolar. Ou a chance de aplicar uma goleada histórica em um rival. O Vasco fez substituições buscando reforçar a defesa, absolutamente exposta mesmo antes da expulsão. A estratégia alvinegra, então, mudou. O Botafogo voltou para o segundo tempo valorizando a posse de bola. Trocou passes curtos e avançou com a bola no pé, aproveitando a vantagem numérica para envolver a marcação adversária. Essa mudança de postura fez o aproveitamento de passes aumentar drasticamente. Se no primeiro tempo, sempre vertical, ficou em 78%, na etapa final oscilou acima da casa dos 90%.

Aos oito minutos, o Botafogo chegou ao quarto gol, que só foi confirmado depois de cinco minutos de análise do VAR. O time se valeu de outra grande fragilidade da defesa vascaína, as bolas cruzadas na área. Escanteio cobrado na área, Pedro Castro escorou para o meio da área e Diego Gonçalves completou para o gol vazio. Os cruzamentos não foram um foco do ataque direto do time no começo do jogo, mas foram uma arma da equipe quando o Vasco recuou e fechou a defesa.

Teve pouco futebol no segundo tempo em São Januário, sobretudo depois do quarto gol. Desanimado e totalmente dominado em campo, o Vasco não conseguiu ameaçar a defesa alvinegra. Feliz da vida com a vitória, o desempenho e a liderança, o Botafogo jogou no campo de ataque, conseguiu finalizações, mas diminuiu o ritmo e a intensidade. O jogo resolvido também foi uma boa oportunidade para a entrada de Rafael no seu processo de readaptação ao futebol brasileiro.

Análise Vasco x Botafogo

Agora líder da Série B, o atropelo sobre o rival foi a grande exibição do Glorioso no ano. Depois da temporada difícil, com muita instabilidade, o campeonato vai chegando ao final com time e torcida em lua de mel. A equipe agora vai para as quatro rodadas finais em busca do título, que certamente, não entrará para as grandes conquistas da história, mas será importante para a reabilitação do time no cenário do futebol brasileiro.

Na próxima quinta-feira (11), às 19h, o Botafogo viaja até Campinas para enfrentar a Ponte Preta no Moisés Lucarelli. Embora lute contra o rebaixamento, a Ponte tem a oitava melhor campanha como mandante na Série B.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 44% x 56% VAS
Passes certos – BOT 364 (89%) x 456 (89%) VAS
Cruzamentos – BOT 3/17 (18%) x 4/18 (22%) VAS
Bolas longas – BOT 25/45 (56%) X 16/33 (48%) VAS
Dribles – BOT 2/3 (67%) x 8/8 (100%) VAS
Finalizações – BOT 15 (8 no gol) x 8 (3) VAS
Finalizações dentro da área – BOT 6 X 5 VAS
Chances claras – BOT 4 x 0 VAS
Disputas de bola vencidas – BOT 37 x 33 VAS
Disputas aéreas vencidas – BOT 11 x 7 VAS
Desarmes – BOT 15 X 9 VAS
Cortes – BOT 18 x 13 VAS
Interceptações – BOT 11 x 3 VAS
Faltas – BOT 11 x 9 VAS

Fonte: Redação FogãoNET

Notícias relacionadas