Análise | Virada sobre o Operário mostra a principal força do Botafogo: a competitividade

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Análise | Virada sobre o Operário mostra a principal força do Botafogo: a competitividade

O Botafogo estará na Série A em 2022. O time confirmou o acesso ao vencer de virada o Operário por 2 a 1 no Nilton Santos. O jogo teve momentos de tensão no segundo tempo, mas Pedro Castro e Rafael Navarro marcaram para garantir a vitória e o acesso à primeira divisão. Líder, com 66 pontos, dois a mais que o Coritiba, o Glorioso agora vai lutar pelo título da competição nas duas rodadas finais.

Para garantir o acesso, o Botafogo contou com o retorno de Chay, depois de três jogos fora por lesão. Referência técnica da equipe, o camisa 14 não faz um segundo turno de campeonato tão inspirado quanto o primeiro e amarga um jejum de 13 jogos sem balançar as redes. Na primeira metade da Série B, marcou sete gols e distribuiu duas assistências. Na metade final, passou de artilheiro a garçom, registrando, até o momento, um único gol e seis assistências.

Após estourar como grande destaque do time, o meia passou a receber mais atenção da marcação dos adversários, a fim de limitar a capacidade criativa do Alvinegro. Mesmo sem uma mudança significativa de posicionamento, quando Enderson Moreira assumiu o time na 14ª rodada, Chay passou a exercer papel fundamental no jogo apoiado que potencializa o futebol dos jogadores das beiradas de campo e faz o jogo fluir pelas laterais. O jogador lidera as estatísticas da equipe em grandes chances criadas (9), passes decisivos (2,1 por jogo) e dribles bem sucedidos (1,8).

Voltaram também ao time o capitão Joel Carli, depois de cumprir suspensão, e o lateral-esquerdo Hugo. As boas exibições do volante Luís Oyama lhe garantiram uma vaga de titular pelo terceiro jogo consecutivo. Depois do bom papel cumprido por Barreto para equilibrar o sistema defensivo e estancar a sangria do excesso de gols sofridos no começo da Série B, Oyama surge novamente como excelente opção para oferecer novas alternativas de jogo ao time, capaz de controlar melhor o meio-campo e acionar o ataque em profundidade.

O jogo começou em clima de festa, Nilton Santos cheio com a arquibancada pulsante empurrando o time para frente. O cenário do jogo já era previsto antes mesmo da bola rolar. Sem maiores pretensões no campeonato, o Operário chegou para a partida sem a pressão por resultados e assumiu uma postura reativa nos minutos iniciais, oferecendo a bola para o Botafogo. Contudo, logo o time paranaense passou a tirar a velocidade do jogo, construindo a partir da defesa, saindo com a bola no pé e encarando a pressão do ataque alvinegro. O Glorioso teve dificuldade para furar a marcação baixa do adversário, tendo sucesso apenas quando conseguiu acelerar o jogo pelo lado esquerdo.

A vocação desse grupo alvinegro é jogar em velocidade, buscando as laterais do campo em poucos passes para alcançar a linha de fundo. Quando enfrenta um adversário de defesa frágil e exposta, como no clássico contra o Vasco, o jogo encaixa perfeitamente porque encontra muito espaço em campo. Contra uma defesa mais protegida, os espaços ficam mais raros, os jogadores mais criativos participam menos e o time passa a depender de acertos técnicos de outras peças para o ataque fluir, como os lançamentos diretos da dupla de zaga.

Contra um adversário recuado e que pressiona pouco a saída de bola, a saída de três com Daniel Borges, Carli e Kanu se torna pouco efetiva. O objetivo desse tipo de saída é causar superioridade numérica para o time sair jogando a partir da defesa. Em muitos momentos do primeiro tempo, o Operário deixou apenas Paulo Sérgio pressionando a saída de bola alvinegra, o que tornou desnecessária a presença de um terceiro jogador. Por isso, uma presença mais efetiva do lateral Daniel Borges no campo de ataque poderia ajudar a equipe a ter mais peças ofensivas para abrir o campo e furar o bloqueio. Marco Antônio até conseguiu algumas boas jogadas na ponta direita, mas todas baseadas na sua individualidade. Em uma das poucas subidas ao ataque, aos 24 minutos, Daniel apareceu como elemento surpresa por dentro, arrancou e sofreu falta perigosa na entrada da área.

O Botafogo terminou a primeira etapa com 52% da posse de bola e seis finalizações, uma única na direção do gol. Oyama teve a melhor chance de abrir o placar depois de uma pressão pós-perda da posse e um erro da defesa paranaense. O volante saiu cara a cara com o goleiro, mas bateu por cima do gol. Pedro Castro e Chay foram os jogadores mais apagados dos 45 minutos iniciais. Dos cinco duelos em que esteve envolvido, o volante só ganhou um. Chay sofreu bastante com a forte marcação e, possivelmente, alguma falta de ritmo depois de três semanas sem jogar.

A volta do intervalo trouxe um Operário diferente. Rodrigo Pimpão entrou e o time passou a ter um foco bem claro nos contra-ataques pelas laterais do campo. Nos primeiros seis minutos do segundo tempo, foram quatro chegadas perigosas. Outra mudança foi a pressão sobre o portador da bola, que provocou erros na saída de bola alvinegra. A torcida sentiu o momento ruim do time em campo e subiu o som para incentivar. Em 15 minutos, o Operário finalizou quatro vezes, enquanto o Botafogo não conseguia conectar uma jogada de ataque. Na quinta finalização, depois de cobrança de escanteio, o que parecia mera questão de tempo aconteceu e Fabiano abriu o placar para os visitantes.

O Botafogo viu o aproveitamento nos passes cair de 81% no primeiro tempo para 75% no momento em que sofreu o gol. O gol e a atuação ruim na segunda etapa forçaram Enderson a mexer no time. Carlinhos e Warley entraram nos lugares de Hugo e Marco Antônio, substituições que não mexeram na estrutura da equipe. O jogo voltou, então, para um cenário semelhante ao da primeira etapa, com o Operário recuado oferecendo a bola ao Glorioso e tirando a velocidade da partida, quando o contra-ataque não estava desenhado.

A solução para o abafa alvinegro em busca do empate foram os cruzamentos. Aos 23, depois de cruzamento de Oyama, Diego Gonçalves teve grande chance de marcar, mas parou no goleiro. Cinco minutos depois, Chay escapou da zona de pressão e procurou a lateral do campo. Recebeu, levantou a cabeça e encontrou Pedro Castro, chegando na área como pouco fez durante o primeiro tempo. 1 a 1, festa no Nilton Santos e combustível para buscar a virada.

E ela veio aos 36 minutos. E novamente a partir de um cruzamento. Dessa vez, pelo lado direito, Matheus Frizzo, que entrou no lugar de Chay, atacou o espaço nas costas da última linha da defesa e cruzou rasteiro para Rafael Navarro marcar seu 14º gol no campeonato. Simbólico que o gol do acesso tenha saído dos pés do jogador que representa a luta e a entrega do Botafogo nesta Série B.

O acesso do clube tem alguns outros nomes, além de Navarro. O nome de Enderson Moreira, no maior trabalho de sua carreira, que transformou um time apático e pouco combativo em uma equipe extremamente competitiva. O de Joel Carli, que voltou ao clube depois de muito tempo de inatividade e ganhou dentro de campo seu lugar no time, fundamental para fortalecer a defesa. O nome de Chay, que aos 30 anos teve sua primeira chance em um grande clube do futebol brasileiro e virou ídolo da torcida alvinegra.

O Botafogo volta a campo no próximo domingo (21), às 19h, contra o Brasil de Pelotas, no Estádio Bento Freitas. Já rebaixado para a Série C, o time gaúcho segura a lanterna do campeonato, com apenas 23 pontos, e perdeu seus últimos quatro jogos.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 50% x 50% OPE
Passes certos – BOT 298 (82%) x 310 (81%) OPE
Cruzamentos – BOT 7/26 (27%) x 2/16 (13%) OPE
Bolas longas – BOT 28/50 (56%) X 38/61 (62%) OPE
Dribles – BOT 6/12 (50%) x 1/11 (9%) OPE
Finalizações – BOT 14 (5 no gol) x 10 (6) OPE
Finalizações dentro da área – BOT 11 X 4 OPE
Chances claras – BOT 3 x 0 OPE
Disputas de bola vencidas – BOT 51 x 31 OPE
Disputas aéreas vencidas – BOT 10 x 12 OPE
Desarmes – BOT 17 X 12 OPE
Cortes – BOT 9 x 17 OPE
Interceptações – BOT 20 x 17 OPE
Faltas – BOT 7 x 18 OPE

Fonte: Redação FogãoNET

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