No futebol, a corneta é liberada. Afinal, somos milhões de treinadores no Brasil, não é mesmo? Mas as críticas à forma de jogar do Botafogo de Eduardo Barroca no empate com o Cruzeiro no Mineirão, nesse momento, parecem injustas.

Barroca não tem em mãos um vasto material humano. Não tem atletas que desequilibrem jogos, grandes criadores de jogadas. Então, adotou um esquema que diminui o sofrimento do Botafogo nas partidas, fez uma escolha que se adéqua à realidade.

Está nítido que o Botafogo tem criado pouco – tanto que tem o terceiro pior ataque do Brasileirão, com apenas oito gols em dez jogos, “ganhando” apenas dos lanternas CSA e Avaí. Mas também sofre poucos gols: iguais oito, sendo uma das cinco melhores defesas da competição.

Em vez de sair atacando e tendo problemas para recompor o sistema defensivo – já que possui volantes lentos -, Barroca opta por preservar a posse de bola, desgastando o adversário, evitando o sofrimento e procurando sair apenas na boa e encaixar uma jogada em velocidade.

Diante do Cruzeiro, o Botafogo teve essas boas estocadas, mas acabou pecando nas finalizações, com Alex Santana (que se destaca pelos chutes de fora da área, mas não estava com a mira calibrada) e Rodrigo Pimpão, que teve a melhor chance do jogo.

Mais importante do que isso tudo, Barroca tem conseguido – com o suporte do gerente Anderson Barros – manter os jogadores focados e imbuídos, em meio aos dois meses de salários atrasados. A campanha do Botafogo, sexto colocado, é positiva se levarmos em conta o investimento dos demais clubes.

Nos jogos em casa, Barroca não deve mudar o estilo de jogo, como já observado nas partidas contra Bahia e Fortaleza, por exemplo, mas vai ter como colocar velocidade no segundo tempo, apostando em Lucas Campos, Biro Biro e até mesmo Leo Valencia, que pelo que consta tem treinado bem.

Guardemos as cornetas por enquanto e vamos dar moral para o nosso Gordiola de Del Castilho. Estamos contigo, Barroca!

Saudações alvinegras!