Pitacos: declarações recentes mostram que Luís Castro entendeu Botafogo atual; só que pode fazer mais; como em 2020, faltam pontas

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Blog da Redação

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Luís Castro e Patrick de Paula em Cuiabá x Botafogo | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/Premiere

* Criticado recentemente por declarações mais fortes em entrevistas, Luís Castro adotou o tom correto após a derrota do Botafogo por 2 a 0 para o Cuiabá. Não culpou ninguém, mas foi preciso ao falar que o time está “sobrevivendo’ ao campeonato. De fato, a quantidade de desfalques e de problemas é absurda. Logo, faltam opções.

* Outra boa fala do treinador foi para a ESPN na última semana: “Vai ser muito reconfortante para mim no futuro, quando largar o futebol, olhar o Botafogo em nível alto, pensar “estive ali, estive presente naquela reviravolta do Botafogo”. Ou seja, o técnico entendeu onde está, que a cobrança existe e que o projeto é de longo prazo. Parou com declarações que podem ser mal-interpretadas como indicativos de possível saída ou de críticas ao seu elenco. Cabe a ele superar as dificuldades e ir fortalecendo a equipe aos poucos.

* O azar tem sido recorrente no Botafogo na temporada. Desde o início do ano, o clube perde jogadores por lesão de forma consecutiva. A situação não se estabiliza, a cada rodada é um novo problema. Começou com Rafael no primeiro jogo de 2022, seguiu até Kayque (cirurgia no joelho) e Victor Cuesta (fratura em ossos da face). Tem Victor Sá, Gustavo Sauer e Diego Gonçalves fora de combate, sem contar Erison ainda sem ritmo.

* Em que pesem tantas lesões, fora as suspensões, dá para Luís Castro fazer mais no Botafogo. O problema está em encontrar soluções ofensivas, cabe ao treinador esta missão. O time não agride, não ataca o rival, não leva perigo. Depende de se defender relativamente bem e tentar encontrar um gol casual.

* E aqui não estamos falando em escalar uma equipe mega-ofensiva ou deixar de privilegiar a defesa. O caminho realmente passa por ter segurança e consistência, se fortalecer defensivamente. Mas é preciso ter formas de “causar danos” ao rival, seja com velocidade, jogada trabalhadas, jogadas ensaiadas ou jogo aéreo. Não dá é para passar diversas partidas sem incomodar o goleiro adversário.

* Qual a principal falha de Luís Castro? Não se adaptar aos adversários. Não se sabe se por desconhecimento do futebol brasileiro ou por trabalhar apenas focando em sua equipe, o treinador parece não se importar tanto com o rival do outro lado. O que já foi visto em várias vezes desde que chegou. E se repetiu contra o Cuiabá.

* Era claro para todo mundo que os três zagueiros do Botafogo não tinham função contra apenas Rodriguinho atuando de falso 9. O treinador demorou demais a reagir ao cenário do jogo, deixou o Cuiabá dominar o meio, ter chances e não ser ameaçado. Quando mudou no intervalo, não tirou um zagueiro e ainda enfraqueceu mais o setor de meio-campo, tirando Del Piage para entrada de Chay.

* Em 2020, o Botafogo teve uma série de problemas dentro e fora de campo. Mas, nas quatro linhas, talvez o principal era a ausência de pontas, sobretudo após as negociações de Luis Henrique e Luiz Fernando. O time passou a improvisar jogadores pelo lado (meias como Bruno Nazário e até centroavantes) ou usou alguns de qualidade bem duvidosa. Agora, o problema se repete. Contra o Cuiabá, o único extremo disponível era Jeffinho, ainda garoto, pouco experimentado. Ainda bem que, ao que parece, o problema vai ser resolvido com contratações na janela de transferências.

* São os pontas no futebol brasileiro que fazem as transições ofensivas, que impedem os avanços dos laterais adversários, que criam jogadas, sofrem faltas, tentam dribles e chegam para fazer gols. Sem esse tipo de jogador, o Botafogo sofre muito para produzir ofensivamente.

* Como acreditar em uma virada sobre o América-MG? Simplesmente por ser o Botafogo, especialista em desafiar o destino e conseguir vitória memoráveis. Difícil é, mas é preciso crer. Assim como será necessário Luís Castro soltar o time, fazê-lo atacar mais e ter as soluções ofensivas que não vêm tendo.

Fonte: Redação FogãoNET

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