‘Sócio’ de John Textor, carta branca e restrição total: Luís Castro vive ‘caos perfeito’ no Botafogo 

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Luís Castro no treino do Botafogo no Espaço Lonier em setembro de 2022
Vítor Silva/Botafogo

A chegada de John Textor, dono de 90% da SAF Botafogo, ao futebol brasileiro foi recheada de expectativas. O empresário norte-americano sabe bem o que quer e não demorou a escolher quem seria seu sócio no projeto. Luís Castro, também desejado pelo Corinthians, foi logo contatado e a parceria teve início antes mesmo do negócio ser fechado.

Textor estava feliz e confiante com a chegada do técnico português que tem no currículo uma reformulação bem sucedida nas categorias de base do Porto, um dos clubes que melhor revela atletas no mundo. É bem claro que o projeto da dupla no Botafogo passa exatamente por esse mesmo viés.

Após se liberar do Al-Duhail, do Catar, o treinador chegou gigante ao Botafogo. Prova disso é que há internamente quem diga que Textor deu carta branca para que ele tocasse o futebol. “Ele tem a chave do clube nas mãos”, disse um funcionário do Alvinegro. Isso tudo foi comprovado na prática. Logo de cara, ele dispensou toda a comissão técnica permanente e montou a sua própria, com amigos que o acompanham a longa data.

Lucio Flavio, por exemplo, aceitou ser realocado no projeto do sub-23, mas nem todos tiveram o mesmo destino. O poder dado a Luís Castro rendeu, por exemplo, a saída do competente e querido preparador de goleiro Flavio Tenius. Não foi um problema naquele momento.

É que a torcida estava extremamente empolgada com a contratação do português e ficou ainda mais mexida após as primeiras entrevistas. Inteligente, ele soube se comunicar com os botafoguenses. Conhecia bem a história do clube, o momento em que o Alvinegro passa historicamente.

A ‘carta branca’ dada por Textor se estendia também à montagem do elenco. Participou direta e ativamente da primeira janela de contratações com indicações e vetos. Neste primeiro momento o departamento de futebol, inclusive, se sentia abaixo do técnico, sem tanto poder de decisão, o que mudou para o último período de reforços.

O poder é tanto que ele escolhe quem poderá ou não acompanhar as atividades diariamente. Os treinos são fechados e tem uma janela por alguns minutos em um dia da semana – normalmente às sextas-feiras. Não se trata de uma medida para vetar somente a presença da imprensa. Há um clima de desconfiança desde a chegada da nova comissão e muitos profissionais do clube também são impedidos.

Outra mudança também proposta por Castro foi as atualizações de informações do departamento médico. Jogadores entram e saem do DM sem ter qualquer justificativa. Mais recentemente, ao menos, o clube diz em que estágio cada atleta se encontra: em tratamento, em transição ou liberado.

O treinador, portanto, tem muita moral desde seu início de trajetória no Botafogo. Inicialmente, até os torcedores corroboravam com cada atitude. No entanto, alguns problemas sempre estiveram presentes. Um exemplo disso é a qualidade dos centros de treinamento. Castro não estava totalmente inteirado sobre as reais condições do Nilton Santos e até Lonier. Esperava que as coisas fossem resolvidas mais rapidamente, mas a prática mostrou o contrário.

Rolou a bola e tudo mudou

Por mais que essas insatisfações estivessem presentes, eram bem digeridas pelo português. O problema mesmo foi quando a bola começou a rolar. Após alguns bons resultados, o Botafogo passou a patinar e a apresentar um desempenho bem questionável. Castro justificava a falta de evolução com o excesso de lesões. A insatisfação aumentava a cada resultado negativo.

Os primeiros xingamentos ocorreram em derrota para o Avaí, no Nilton Santos, em junho. Nesse momento, uma chave virou em Luís Castro, que se sentiu muito ofendido com as palavras escolhidas, um choque de cultura. A relação, até então maravilhosa, sofreu um belo arranhão e nunca mais foi a mesma.

Hoje, Castro é eleito por parte da torcida como o principal culpado pelo momento do time. Sua demissão é cobrada por muitos torcedores. John Textor, no entanto, garante que isso jamais passou por sua cabeça. Mais que isso. Entende que o trabalho do português é bom pelo momento que o Botafogo atravessa – transformação em SAF. O dono do clube quer a manutenção e deseja vida longa ao sócio.

O treinador é o principal culpado ou tem apenas sua parcela? A forma como foi contratado, com carta branca e muitos poderes, foi a ideal? O português está feliz no projeto mesmo diante de tudo o que foi exposto? Muitas perguntas sem respostas. O fato é que Luís Castro vive o caos ‘perfeito’ no Botafogo.

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