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A imprensa paulista tenta atacar cachorro vacinado

Leonardo Andrade

Por: Leonardo Andrade

- Atualizado em

A imprensa paulista tenta atacar cachorro vacinado
Vitor Silva/Botafogo
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Nesta semana, algumas manchetes vindas do outro lado da ponte aérea chamaram atenção. “Botafogo deve dinheiro a Vitinho e o jogador quer sair”. “Danilo já é do Palmeiras“. Parecia mais uma competição de caça-cliques do que jornalismo. O curioso nem é a quantidade de informação torta, mas a aparente convicção de que a torcida do Botafogo cairia nesse tipo de narrativa. Meus amigos, nós somos cachorros vacinados. Depois de anos sobrevivendo à Flapress, isso aí não passa de aquecimento.

A novela do Danilo no Palmeiras é antiga. Ela reaparece de tempos em tempos, sempre com a mesma certeza de quem esquece um detalhe importante: existe um contrato. É evidente que o jogador gostaria de sair. Também é evidente que seu empresário trabalha para que isso aconteça. Mas há uma terceira parte nessa história que alguns insistem em ignorar: o Botafogo.

O ex-goleiro Velloso, hoje comentarista, afirmou nesta semana que “o Palmeiras quer o Danilo, o Danilo quer o Palmeiras, não tem outro caminho”. Confesso que dei boas risadas no sofá enquanto acompanhava a Copa. Para existir negócio, falta justamente a parte mais importante: o clube dono dos direitos econômicos aceitar a proposta. Sem acordo, não existe transferência. Sem milho, não tem pipoca.

A impressão é que parte da imprensa paulista tenta preparar o terreno para que, caso a contratação não aconteça, a torcida possa ouvir o clássico “pelo menos tentamos”. Chegaram até a discutir quanto o Botafogo deveria aceitar pelo jogador. É como chamar um eletricista para fazer um orçamento e dizer que o preço dele está errado. Se acha caro, basta não contratar. Tá duro? Dorme!

O Palmeiras acredita que Danilo vale 20 milhões de euros? Tem todo o direito de pensar assim. E pode pagar esse valor. Basta ligar o DeLorean de “De Volta para o Futuro”, buscar Marty McFly e desembarcar em julho de 2025, quando o Botafogo investiu justamente esse valor no atleta. Na época, enquanto o Botafogo apostava no potencial do jogador, o Palmeiras preferiu seguir outro caminho por receio do histórico de lesões e contratou Andreas Pereira.

Agora que o jogador se valorizou, virou protagonista e despertou interesse, descobriram que ele ficou caro. O mercado costuma funcionar exatamente assim. E, se empresário e atleta fazem tanta questão de uma mudança imediata, existe uma proposta da Rússia esperando. Dizem que o inverno por lá é excelente.

Outra pérola da semana veio no programa Fala a Fonte. O jornalista Bruno Andrade, que já acertou boas informações envolvendo o Botafogo no passado, afirmou que Vitinho estava louco para deixar o clube e ainda teria valores a receber. O problema é que o próprio jogador desmentiu. O empresário desmentiu. Na prática, todo mundo desmentiu.

Mesmo assim, a história continuou. Foi quase uma aposta contra a realidade. Faltou apenas surgir a manchete: “Vitinho nega, mas seu olhar revela que quer sair”. Ou então uma consulta ao horóscopo: “Mercúrio em retrocesso indica desejo de transferência”. Quando a informação perde espaço para a convicção, o jornalismo começa a flertar perigosamente com a ficção.

A verdade é simples. O Botafogo e sua torcida já desenvolveram anticorpos suficientes para esse tipo de roteiro. Depois de tantos anos convivendo com narrativas fabricadas, vazamentos estratégicos e manchetes interessadas, já temos PhD em separar informação de torcida organizada disfarçada de notícia. Se a intenção era criar pressão, acelerar negociações ou gerar desgaste, o efeito foi justamente o contrário. No fim das contas, sobrou apenas entretenimento involuntário.

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