“Gostaria de compartilhar um sonho que eu tenho como torcedor. Eu quero ver o Botafogo no topo da América e do mundo. Eu quero ver o Botafogo campeão da Libertadores e campeão mundial. Claro que o Botafogo é conhecido mundialmente, foi base da Seleção Brasileira. O Botafogo é conhecido no mundo todo. Mas sei que a torcida cobra isso e eu queria muito ver o Botafogo campeão da Libertadores e do Mundial. A torcida precisa cobrar isso, logicamente que com responsabilidade. Aliás, precisa cobrar e se cobrar. Pois o Botafogo merece isso. Em 89 todos se uniram e temos que nos unir sempre pelo clube.”

A frase acima eu ouvi da boca de Valdir Espinosa em junho do ano passado, quando por mais de uma hora ficamos conversando sobre o título de 1989. Na época ele nem sonhava em voltar ao clube em um cargo de gestão, o que se concretizou em dezembro. Mas mostra que devemos enxergar o Botafogo com o mesmo olhar que ele enxergava. O olhar de um clube vencedor e que deve ser guiado por grandes objetivos.

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Valdir Espinosa teve papel fundamental em 1989

Espinosa era o estilo boa praça. Adorava conversar sobre futebol, principalmente quando o Botafogo era um dos temas. Não se cansava de recordar as dificuldades iniciais no clube que chegou no começo de 1989 com a missão de acabar com 21 anos de jejum.

– Cheguei em um momento complicado, pois a cada ano a torcida ficava mais exigente e frustrada com o aumento do jejum. O torcedor desconfiava de tudo. Conhecia alguns jogadores, como o Josimar, o Mauro Galvão e o Paulinho Criciúma. Mas precisava conhecer o grupo todo. A primeira coisa que fiz foi pedir para o Emil Pinheiro parar de contratar. Assim analisei o grupo. Depois fizemos algumas contratações pontuais, como o Marquinhos, lateral-esquerdo, o Vitor e o Milton Cruz por exemplo – recordou ele.

Espinosa nos deixou na última quinta-feira. De maneira precoce. Precoce porque ainda tinha muito a oferecer ao Botafogo. Porém, ele vai com a certeza de que será sempre lembrado como um homem que fez de tudo para que o Botafogo estivesse sempre no topo.