Encontros entre botafoguenses em uma pizzaria e a amizade com o ex-presidente Carlos Eduardo Pereira foram determinantes para a expulsão da vice-presidente social Cristiane Machado do Mais Botafogo, grupo político que elegeu Nelson Mufarrej em General Severiano. Vale lembrar que CEP já tinha deixado o movimento em março deste ano após divergências.

Em entrevista ao repórter Luan Faro, da Super Rádio Brasil, nesta quarta-feira, Cristiane Machado, que segue na diretoria alvinegra até segunda ordem, deu sua versão do caso, lembrou sua lealdade ao grupo, mas também fez duríssimas críticas ao Mais Botafogo. Segundo a advogada, há muita preocupação com “picuinha” e “politicagem barata” em vez de patrocínios serem fechados para o clube, por exemplo.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Encontros na pizzaria e amizade com CEP

– Há alguns meses foi criado o Movimento Repensar Botafogo (MRB), um movimento apolítico que fazia encontros com várias pessoas de correntes políticas, inclusive do próprio Mais Botafogo, para debater o Botafogo. O Mais Botafogo parece que ficou incomodado. O meu pai (Walmer Machado) faz parte desse movimento e me convidava para ir com ele. Sou filha, fazia companhia, às vezes tinha amigos meus, por que não ir? Era em uma pizzaria, não tem nada melhor que falar de Botafogo com vários botafoguenses. O Mais Botafogo ficou sabendo e disseram que esse grupo era político e de oposição, o que nunca foi, e que era incompatível as pessoas frequentarem as reuniões. Há cerca de um mês eu fui e meu pai disse “o Carlos Eduardo está aqui com a Rose (esposa)”. Saí do escritório e fui lá. Só que tiraram uma foto e essa foto propagou pelo MB e disseram que essa situação era insustentável, que eu não poderia estar lá porque o CEP estava lá. Ainda disseram que eu faria parte do comitê executivo desse movimento. Uma falácia!

“Passei a incomodar porque comecei a bater forte”

– Foi uma grande injustiça, eu fui muito leal ao grupo, eu acabei tendo umas inimizades por conta das minhas defesas ao grupo. Quanto movimento político Mais Botafogo, eu sempre fui muito leal aos ideais, defendendo a diretoria e os posicionamentos, inclusive fazia parte do comitê executivo do Mais Botafogo. Foram quatro anos e meio de convivência que eles parecem que não conhecem, sabendo da maneira que eu sou. Na verdade, eu acho que passei a incomodar porque comecei a não concordar com algumas coisas do grupo e bater forte e as pessoas normalmente gostam de aplausos. Me expulsaram do grupo por supostamente fazer parte de outro grupo político, o que é uma mentira, uma grande inverdade, e por ter relação de amizade com o Carlos Eduardo, que também se decidiu se juntar a essa reunião. O que é uma pena, porque as pessoas estão mais preocupadas com a politicagem barata do que com o próprio Botafogo. E ao em vez de correrem atrás de buscar patrocínio, elas estão preocupadas em fazer picuinha.

“Minha expulsão do grupo é um desespero total”

– O Mais Botafogo tinha que estar mais preocupado em gerir o clube e ajudar a diretoria e não fazer picuinha política. Eu não tinha grupo político, já era do Conselho Deliberativo lá atras, e o grupo sempre foi mal-visto. Mas por eu ter proximidade com pessoas, embora todo mundo odiasse, eu pensei: “Por que não tentar?”. E eu entrei porque ia fazer parte da chapa do Carlos Eduardo na época e achei razoável me filiar. Eu sempre gostei do ideal e acho que o grupo se perdeu. A partir do momento que passam a sair um monte de pessoas, minha expulsão do grupo é um desespero total porque eles não podem ser contrariados e as pessoas não podem pensar diferente. Eu sou uma pessoa que sempre tive muita opinião e você ser sincero incomoda, né? Então acho que foram uma das razões: falar a verdade, bater muito dentro do grupo e não ficar aplaudindo qualquer decisão.