Carlos Eduardo Sangenetto
10/11/2017
Rio de Janeiro (RJ)

Manhã de quinta-feira, vem áudio no WhatsApp. É a mãe de Luiz Filipe avisando ao pai Bruno que o filhote tem uma festa no colégio no dia seguinte. A festinha de sexta é temática, a professora pediu que os alunos fossem com a camisa do time de futebol do coração.

A mãe tricolor, que não vive mais com o pai, encontrou logo uma solução – mulheres são práticas no exercício da maternidade, não seria diferente desta vez. Faltando menos de 24h para celebração na escola, havia apenas a camisa do Fluminense disponível para o moleque em casa. Foi aí que ela esbarrou na surpreendente resistência do menino. Filipe bateu o pé e encheu a boca:

– É pra ir com a camisa do time do coração. Quero a camisa do Botafogo!

(ouça abaixo o relato)

Leia novamente esta frase, vai, faz um bem danado. Estava ali mais um escolhido com o peito cheio de ar e orgulho. A sentença, a primeira afirmação, a certeza tomou conta do pequeno novo alvinegro.

– Mas só tem camisa do Fluminense aqui, filho…
– Na casa do pai Bruno tem!

E o pai? O pai, mesmo distante, escutava o relato da mãe e se emocionava a cada palavra. Quase teve um troço, diriam os mais antigos. Ainda sem saber o que fazer, querendo se teletransportar, compartilhava ao vivo a alegria com os amigos botafoguenses, que animados, estavam quase alugando um helicóptero para o cara.

A correria começou, o relógio e os compromissos do dia não eram amigos para sair da Freguesia para Barra da Tijuca. O dia virou noite e, após alguns pedaços de pizza, aconteceu o tão esperado encontro. Não foi a calabresa, nem a banana. Não era salgado, nem doce. O sabor de Bruno na noite passada não tem paladar que identifique.

Esse aqui abaixo é Luiz Filipe, de quatro aninhos, com a camisa do Botafogo, indo, hoje pela manhã, mostrar sorridente para todos seus coleguinhas o que todos sentimos aqui. Saudações alvinegras!

Luiz Filipe, no dia em que bateu o pé que é torcedor do Botafogo (Fotos: Arquivo pessoal/FOGÃONET)