Carlos Eduardo Sangenetto
23/11/2017
Rio de Janeiro (RJ)

De um lado, o Mais Botafogo, do outro, o Futuro Alvinegro. A chapa de situação, liderada por Nelson Mufarrej e Carlos Eduardo Pereira, enfrenta a oposição, também chamada de “alternativa”, encabeçada por Marcelo Guimarães e Mauro Sodré, no próximo sábado, nas urnas eletrônicas em General Severiano. O vencedor da eleição comandará o clube no próximo triênio (2018-2019-2020).

Na corrida eleitoral, as duas campanhas não se cruzaram. Sócios e torcedores precisaram acompanhar as entrevistas distribuídas em diversos veículos de imprensa nos últimos dois meses para ficar por dentro das propostas. Pensando neste distanciamento, o Boletim do C.E, para deixar os leitores do FOGÃONET em condição para escolher a melhor opção para o Botafogo, promoveu um “encontro virtual” entre os presidenciáveis.

Mufarrej e Guimarães responderam as mesmas perguntas nesta simulação de debate de ideias. Reforços para o futebol, planos para o Nilton Santos e o novo centro de treinamento, ambição por títulos… Adiantamos: é uma leitura demorada, reserve um tempo para ler com calma. Afinal, é o futuro do clube que está em jogo.

Escolha seu candidato preferido e aponte o nome nos comentários.

Saudações alvinegras!

Nelson Mufarrej e Marcelo Guimarães, candidatos à presidência do Botafogo
Mufarrej e Guimarães disputam a presidência do Botafogo no próximo sábado (Fotos: Divulgação)

– Como vocês vão fazer para atrair e manter sócios-torcedores fora do Rio de Janeiro? Há alguma proposta para botafoguenses se associarem e adquirirem benefícios? Muitos alvinegros se dizem esquecidos em outros estados…

MUFARREJ: Nosso programa de sócio-torcedor contempla uma série de vantagens, o que atrai tanto os que residem no Rio quanto os torcedores de outros estados. Temos trabalhado para ampliar os benefícios e tornar ainda mais atrativo. Além disso, nosso marketing tem apoiado iniciativas para sócios-torcedores em várias regiões pelo Brasil. O sócio-torcedor pode também indicar empresas e serviços para que o clube faça convênios e ofereça descontos em suas cidades.

GUIMARÃES: Sem dúvida. Ao tempo que exerci a diretoria de marketing, instituímos projetos de relacionamento com a nossa enorme torcida nacional. Essa foi e será uma permanente preocupação nossa. O Feijão no Fogão, evento relacionado à nossa história e tradições circulou por: João Pessoa, Salvador, Macapá, Belém, Brasília, Vitória, Juiz de Fora, Corumbá, Curitiba, um verdadeiro tour de amor e respeito a nossa torcida. A grande novidade do nosso sócio-torcedor, que pegamos com 1.500 adimplentes e, quando saímos do clube, deixamos com 15.000 sócios, multiplicando por 10, será o voto por meio de uma plataforma digital pela internet. Aqueles que aderirem a modalidade que dá direito a voto, poderão votar de qualquer lugar do Brasil e do mundo. E mais: descontos progressivos por fidelização, descontos para se hospedar no Hostel Nilton Santos e área exclusiva nas redes sociais, com games, sorteios e conteúdos únicos.

– A torcida quer jogadores decisivos. O craque do time vai vestir a camisa 7 ou a camisa 10 em 2018? Esforços serão feitos para contratação de um atleta de destaque? Isso é possível?

MUFARREJ: O anseio da torcida é o nosso desejo também. O Botafogo ainda está com sua situação financeira muito fragilizada e estamos buscando alternativas para superar as dificuldades para fazermos as contratações pontuais necessárias, pode ser um camisa 7 ou um camisa 10. Ou os dois. O importante é que o Botafogo não pode abrir mão da responsabilidade orçamentária. Este é um pilar do projeto de reestruturação do Clube.

GUIMARÃES: Claro que é possível, mas me permita fazer uma reflexão mais ampla sobre problema do nosso futebol, que começa com nossa atual incapacidade de gerar receita em escala. Hoje temos quase que exclusivamente o patrocínio da Caixa, que nada mais é do que um programa oficial de apoio aos clubes, sem nenhuma conexão com nossa capacidade de atrair investimento por via do mercado. A austeridade orçamentária que essa diretoria impõe ao clube, se origina dessa incapacidade. Não sou leviano de afirmar que o desafio é simples, mas posso afirmar que com o modelo atual é impossível. Ou alguém acha correto que as área comercial, o marketing e a gestão do nosso estádio por exemplo sejam gerenciadas por voluntários, sem metas, sem experiência e sem dedicação exclusiva. Os desacertos na gestão do futebol começam pelas trapalhadas relacionadas aos meninos que chegam da base, vide o que fizeram com o Luis Henrique, seleção sub-15 e 17, destroçado após anteciparem seu processo de amadurecimento. E o Emerson, que saiu no primeiro semestre a preço de banana. Depois contratam 7 estrangeiros para vingar 2. Canales R$ 250 mil por mês, Montillo, ótimo caráter, mas que não jogava em bom nível desde o Cruzeiro R$ 560 mil. E vários outros sem a menor condição de vestir a camisa do Botafogo. O elenco foi se desfazendo e acabamos com cobertor curto. Temos um time que jogou em bom nível por um bom período, mas começou oscilar, muito em função de peças de reposição. Vamos terminar a temporada sem um meia de criação e um 9 que faça gol. Um time precisa de referências, jogador com histórico de conquistas importante, esses jogadores cumprem um papel importante no momento decisivo. O Bruno Silva, que pisou na bola recentemente, mas terá sido uma dos três melhores jogadores da temporada, tem dois campeonatos catarinenses e uma copa interior de São Paulo… A gestão dos contratos tem que ser exercida por um jurídico mais atuante, pois acho que ninguém aguenta mais ver o Botafogo servir como uma espécie de clube para esquentar jogador. Domingo temos que vencer o Palmeiras para seguir na briga pela pré-Libertadores, até porque com os 40 milhões antecipados do contrato da TV pela atual diretoria, o panorama não é nada bom.

Camisa 7 do Botafogo é Rodrigo Pimpão Torcida do Botafogo quer um jogador que seja referência para 2018 (Foto: Vitor Silva/SSPress/BFR)

– Incomoda ver o ídolo Jefferson tanto tempo no banco de reservas? Como trabalhar esta situação da melhor forma sendo presidente do clube? Gatito e Jefferson são negociáveis ou a ideia é continuar com os dois goleiros no elenco na próxima temporada?

MUFARREJ: O Botafogo tem o privilégio de ter dois grandes goleiros no seu elenco. Apenas um será escalado e essa decisão é do técnico. Diretoria não escala time. Como os dois atletas são muito profissionais e de alto gabarito, sabem lidar bem com a situação, aceitando a escalação daquele que o técnico considera em melhores condições.

GUIMARÃES: Claro que incomoda, e muito. O atual grupo político que está no poder, pegou o Jefferson na Seleção Brasileira, colocaram a permanência dele como um ponto focal da gestão deles e estão devolvendo nosso ídolo no banco de reservas. Nesse meio tempo, uma série de trapalhadas em escala. Primeiro fizeram uma promoção inacreditável, que o final de quatro meses rendeu o suficiente para pagar oito dias do salário do craque. Depois ele se enroscou em um departamento médico que parecia muito inoperante, e, coincidentemente, tirou o craque dos campos por mais de um ano. Em relação aos jogadores, temos que esperar assumir para conhecer a verdadeira situação dos contratos e do orçamento, pois ao que tudo indica, teremos um 2018 terrível. Imagina só, se continuar com esse atual grupo político, que já demonstrou sua incapacidade de gerar receita. Acho o Jefferson o melhor goleiro de nossa história e com ritmo de jogo é o melhor do Brasil.

Jefferson no treino do Botafogo
Ídolo, Jefferson não teve muitas oportunidades como titular do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SSPress/BFR)

– Em alguns jogos da Libertadores-2017, o Estádio Nilton Santos não lotou, atraindo públicos de aproximadamente 30 mil espectadores. Por que isso aconteceu? Como melhorar este número na casa do Fogão em jogos importantes?

MUFARREJ: Aumentamos consideravelmente a média de público neste ano de 2017. Estamos trabalhando algumas possibilidades para criar mais atrações para motivar o torcedor, mas a maior motivação nós sabemos que são os bons resultados em campo. O calendário, os horários dos jogos e a violência na cidade também são fatores preponderantes, o que muitas vezes acaba afastando o público.

GUIMARÃES: Primeiro precisa aumentar o número de jogos. O atual grupo político, por inexperiência, despreparado e gosto pelas ações midiáticas, afastou todos os pretendentes a jogar no nosso estádio. Jogando para a torcida, gastaram energia, trocando farpas públicas com outros dirigentes, comportamento inadequado e arriscado para um influenciador que representa um clube da nossa dimensão. Trocou dinheiro por bravatas, disse que esse ou aquele time não jogaria no estádio por razões de moral, honra… Tudo para chegar constrangido, em um programa recente de um canal fechado de esporte, dizendo que esse time poderia jogar sim e que tudo era uma questão financeira. Quanto a jogos cheios, precisamos ingressos mais baratos, espetáculos de qualidade, segurança no entorno, melhoria no nosso calendário, além de estrelas e um título relevante.

– A discussão dos naming rights é antiga no Botafogo. Há algum projeto ou busca de acordos para este objetivo ser alcançado com o Estádio Nilton Santos? Quais?

MUFARREJ: Estamos com varias frentes em andamento. Mas é bom registrar que trata-se de uma negociação complexa e de pouca cultura no Brasil, alem do que o momento econômico do país é difícil. Aliás, é bom que diga que o estádio Nilton Santos só esteve disponível para o Botafogo em sua plenitude este ano – 2017 e que a crise econômica se instalou realmente a partir de 2015, já no primeiro ano de nossa gestão. É essencial que a mídia mude sua postura e passe a chamar os equipamentos pelo nome de seus patrocinadores. Isto é fundamental para viabilizar novos negócios.

GUIMARÃES: Curiosamente, no apagar das luzes desse mandato, tem aparecido uma série de comissões de dirigentes, para negociar com deputados, negociar naming rigths com bancos públicos, grandes empresas… Tudo que não fizeram durante o mandato se acumula ás vésperas da eleição. Teremos projeto para naming rights, mas teremos muito mais. Em relação ao nosso estádio propomos: realização de auditoria nos atuais serviços e contratos da arena. Tornar a arena vetor de geração de receitas fora do dia de jogos, além de desfrute para os sócios-proprietários, sócios-torcedores, torcida em geral e de relação com o populoso entorno. Criar produtos bem constituídos, derivados da integração dos ativos da arena, tais como: circuitos publicitários, experiências únicas, lounges corporativos, Match Day etc. Criar a Mostra Nilton Santos (primeiros passos para a criação de um museu), uma mostra permanente sobre o grande craque alvinegro que será montada em área de grande circulação e visibilidade. Criar a Mostra Olímpica Brasileira, uma atração permanente e de alto valor turístico, que reunirá, como em um museu digital e analógico, legados da Rio-2016 e de toda a história olímpica nacional. Criar mostras temporárias e/ou permanentes relativas aos nossos ídolos. Criar a Sede Recreativa Nilton Santos (espaço de lazer para o sócio-proprietário). Criar o Hostel Nilton Santos – construir em parceria com a iniciativa privada, de um Hostel de Experiências no Nilton Santos, destinado a receber botafoguenses de todo o Brasil e do mundo.

Chuva no Nilton Santos, estádio do BotafogoEstádio Nilton Santos é dos principais assuntos da eleição no Botafogo (Foto: Vitor Silva/SSPress/BFR)

– Quais são planos de vocês para o novo CT do Botafogo até o fim do próximo mandato? Quais são seus nomes preferidos para batizar o espaço?

MUFARREJ: O CT é um legado importantíssimo para o Botafogo. Será um enorme salto de qualidade do trabalho da base que já vem sendo conduzido de forma fantástica pelo Manoel Renha. A integração da base com o profissional trará enormes benefícios para o Botafogo, não só para a composição do elenco, mas também como forma de receita. Depois que for assinado o instrumento definitivo poderemos iniciar as obras para a adaptação dos campos de futebol e aí sim fazer a transferência da base e do profissional. Na minha opinião, o melhor nome para o CT é Carlito Rocha, por ter sido um presidente único, responsável pela figura de nosso mascote, o Biriba. No entanto, nada impede que os campos do CT e também os prédios da infraestrutura recebam nomes individualizados, homenageando nossos ídolos do passado, como Garrincha e Heleno de Freitas.

GUIMARÃES: Vamos aderir com entusiasmo ao novo CT. Aproveitamos para agradecer a Família Moreira Sales pelo grande negócio que proporcionou para o nosso clube. Precisamos reorganizar a nossa base, e estabelecer um cronograma de ativação do equipamento. Temos hoje a nossa categoria de base espalhada por vários espaços. Caio Martins, Vargem da Moças, uma pequena utilização do campo anexo do Niltão e o CT João Saldanha. Precisamos ordenar esse processo. O Espaço Lonier, onde será construído o novo CT, possui 200.000m² de área total, vários espaços para eventos, auditórios, quadras, piscinas, 40 suítes e alojamentos, um campo oficial de grama natural, quatro campos society de grama natural e várias outras benfeitorias, mais ainda assim precisa de reformas importantes. E vamos assumir todas as responsabilidades afeitas ao processo, com profissionais capazes de constituir um espaço de primeira linha, com todas as condições contratuais cumpridas e tendo com referência, o que há de melhor e estiver ao nosso alcance. Quanto ao nome não sei. O que não nos falta são nomes.

– O contrato com a Caixa Econômica Federal, patrocinadora master do Botafogo, está encerrando e o clube precisa de recursos. Há no horizonte alguma proposta de renovação com a estatal ou outra empresa no radar para patrocinar a equipe ainda no primeiro semestre de 2018?

MUFARREJ: Estamos confiantes na renovação com a Caixa, porque o retorno que o Botafogo proporcionou foi muito grande. Claro que estamos buscando outras parcerias. Com certeza o meeting de negócios que realizamos há 30 dias atrás vai abrir outras possibilidades.

GUIMARÃES: Temos boas relações com o mercado. O presidente da Herbalife por exemplo foi ao lançamento oficial da nossa chapa. Mais precisamos entender as dinâmicas atuais em andamento, o status das negociações e iniciar uma nova era na geração de receita em nosso clube. Profissionais serão contratados para as áreas executivas, com metas, remuneração condicionada, produtos bem constituídos, para aumentar muito nossa capacidade de gerar receita em escala. Não posso acreditar, que ainda exista alguém capaz de concordar que o modelo de voluntários sem dedicação exclusiva, seja mais eficiente para ocupar esses setores executivos do clube. Nós vamos contratar profissionais seniores, com network, qualificação e desempenho comprovado.

– O Botafogo não é só futebol. O remo é um dos esportes que conquistou bons resultados recentemente, mas há outras modalidades que merecem olhares especiais do futuro presidente. Quais são os principais planos à vista para manter a fibra noutros esportes?

MUFARREJ: Com a obtenção das CND’s (certidão negativa de débitos), que o Botafogo não tinha desde 1993, conseguimos apresentar projetos incentivados e obter recursos. Pretendemos dar continuidade nesta bem sucedida iniciativa. Não só o remo teve bons resultados como também o basquete, o voleibol, a natação e polo aquático. O ano de 2017 foi muito bom para essas modalidades esportivas.

GUIMARÃES: A estrutura do remo vem sendo montada fazem uns nove anos. A dupla responsável por essa verdadeira revolução foram o Alexandre Xoxo, ex-timoneiro do clube na década de 80 e atual técnico, e o Marcelo Murad, o gestor desse processo, ambos oriundos da gestão passada. Somos pentacampeões do esporte, mas não vejo um pleno aproveitamento desse enorme sucesso, dessas honrarias que já fazem parte da nossa história, a não ser para o candidato da situação, que está sempre nas fotos com a camisa do seu partido, o Mais Botafogo. Iremos realizar transmissão das finais via streaming, parcerias com patrocinadores e a TV para realização de grandes desafios. Precisamos valorizar nosso atletas e rentabilizar também a modalidade. Em relação aos esportes gerais, investir em nossa vocação de formação de crianças e jovens e destinar apoio possível e necessário para os times que estão disputando competições de alto nível.

Remo do BotafogoRemo encheu o torcedor botafoguense de orgulho em 2017 (Foto: Vitor Silva/SSPress/BFR)

– Quais são seus pontos fracos e pontos fortes como presidente do Botafogo?

MUFARREJ: Como ainda não fui eleito não tenho esta avaliação. Eu e Carlos Eduardo estamos trabalhando forte desde quando assumimos no final de 2014 e queremos dar continuidade com o mesmo empenho e dedicação.

GUIMARÃES: Nunca fui presidente, seria uma pretensão definir pontos fortes e uma adivinhação prever os pontos fracos. Sendo certo que minha formação e atividade profissional, planejamento e marketing, além de minha passagem como executivo do clube, sem falsa modéstia, bem avaliada, me enchem de disposição e confiança para enfrentar o desafio.

– O torcedor do Botafogo está sedento por títulos, mas fazer promessas é sempre complicado. O que dizer para os alvinegros que esperam ambição de um presidente no próximo mandato?

MUFARREJ: A ambição não pode ser sinônimo de irresponsabilidade. Não cabe mais isso no futebol. Estamos trabalhando por um Botafogo forte e perene. Os títulos virão como fruto de um trabalho sério e honesto. Estes são os valores que vão permitir a vinda de recursos, a contratação de jogadores e a conquista de títulos. No final de 2014 iniciamos um Projeto de Reconstrução do Botafogo que envolve muitas ações de médio e longo prazo. Essa é a nossa ambição.

GUIMARÃES: Parece um mantra, mas é uma questão central do nosso programa. Profissionalizar as áreas afeitas a geração de receitas e contratar um gestor com histórico campeão e perfil de liderança. O Jair é um grande treinador e respeito o time competitivo que ele montou. Ocorre que ele teve seu trabalho prejudicado pelos desacertos da gestão do futebol. Traremos um 10 e um 9 de ótimo nível e vamos montar um time para ser campeão, sem abrir mão do que é obrigação, atuar com absoluta responsabilidade fiscal e financeira. Por mais que eu compreenda, me entristece ver nosso Botafogo ter como seu grande objetivo, chegar em quarto lugar no Brasileiro. E mesmo nesses dois últimos anos, se tivéssemos errado menos, poderíamos ter montado um time capaz de brigar pelo título.

Escudos do Botafogo na bancada do Conselho DeliberativoPróximo presidente comandará Botafogo até o fim de 2020 (Foto: Vitor Silva/SSPress/BFR)