O Botafogo quer contratar por empréstimo o lateral esquerdo Marquinhos Pedroso, que defende o Figueirense. Aos 22 anos, ele foi um dos destaques da equipe catarinense no último ano. Feliz com o interesse, o jovem garante que não tem nada acertado com o time do Rio de Janeiro.

“Eu estou focado em levar o time para a final e lutar pelo tricampeonato estadual. Quem cuida disso são os meus representantes, mas só irei sair se for bom para mim e para o clube. Ano passado também tive uma proposta por empréstimo do Rijeka, da Croácia, mas decidimos permanecer. Sou muito feliz aqui”, garantiu o jogador, em entrevista ao ESPN.com.br.

Uma de suas características, o chute ao gol, foi aprimorado e incentivado por um especialista na posição: o ex-lateral Branco, que venceu a Copa do Mundo pelo Brasil em 1994. O jovem foi treinado pelo tetracampeão no Guarani, em 2013.

“Era bom demais vê-lo batendo na bola. Mesmo depois de encerrar a carreira, ele chutava de forma impressionante, soltava a bomba. Ela ia certo no gol”, contou o lateral.

“Sempre conversava muito e me mandava chutar sempre ao gol. Eu chegava na ponta da área e algumas vezes soltava o pé, mesmo que a bola não entrasse, alguma coisa boa acontecia. Pude aprender bastante coisas com ele”, prosseguiu.

Se depender da “mística” da camisa 6 no Orlando Scarpelli, Marquinhos terá um belo futuro pela frente, já que vários ex-laterais do clube se destacaram no futebol.

“Muitos caras chegaram até a seleção ou fizeram sucesso como Filipe Luís, Michel Bastos, André Santos e Guilherme Siqueira. É curiosos e fico feliz. Sonho um dia alcançar o sucesso deles e isso e me dá esperanças. Vou continuar trabalhando para isso”, afirmou.

TRANCOU DIREITO PELO FUTEBOL

Natural da cidade de Tubarão, em Santa Catarina, o lateral começou no futsal e foi para os campos no núcleo do Figueirense. Aos 12 anos, se mudou para Florianópolis e morou no alojamento da base alvinegra, onde jogou com Roberto Firmino, hoje no Liverpool.

Junto com as categoria de base, ele começou a cursar direito em uma universidade local, em 2012. “Fiz um semestre, mas tive que trancar no meio do ano, logo que subi aos profissionais. Pretendo retomar um dia, mas agora é complicado. A gente sabe que a carreira é curta e não poderei ficar parado. Quis fazer esse curso porque me ajudaria como jogador, já que mexemos muito com contratos e saber leis trabalhistas é importante. Isso ajudaria em qualquer função”, analisou.

Mesmo assim, não teve tempo de atuar nos campeonatos universitários. “O pessoal da minha sala sabia que estava na base do Figueirense. Logo que subi já fui jogando e tive que sair, não teve nem como curtir o momento de fama (risos)”, brincou o jogador.

Logo nos primeiros meses como profissional, Marquinhos conseguiu oportunidades no time titular. Mas depois acabou emprestado para ganhar experiência em clubes como Guarani, Novo Hamburgo e Grêmio. No time de Porto Alegre foi comandado por Luis Felipe Scolari.

“Foi uma experiência única, um campeão do mundo e reconhecido. Ainda mais pelos jogadores que estavam lá. Convivi com o Zé Roberto, que via na televisão desde garoto. Ele era um exemplo para gente, trabalhava mais do que todos, até do que os mais novos”, relembrou.

“O pessoal mais jovem tinha admiração por ele, conversávamos. O Zé falava muito sobre a importância da alimentação correta, tanto é que ele joga até hoje, observava o dia a dia dele para manter a forma. São coisas que levávamos para a vida. Ele também nos ensinou exercícios que faziam na Europa para prevenir lesão”, ponderou.

Marquinhos voltou com mais bagagem e hoje soma 94 partidas pela equipe e quatro gols em toda carreira. Ainda conseguiu no ano passado se firmar entre os titulares do técnico Argel. “É um cara fantástico a quem eu devo muito, juntamente com o Fernando Gil que me treinou desde a base até mesmo no profissional”, agradeceu.

Fonte: ESPN.com.br