Em 2012, o Botafogo surpreendeu ao promover uma leva de promessas das categorias de base com sucesso. O maior exemplo é Dória, que se tornou titular aos 17 anos e hoje pertence ao Olympique de Marselha, emprestado ao São Paulo. Mas o zagueiro não era o grande nome da geração 94 alvinegra. E também não eram outros jogadores nascidos no mesmo ano que agora já são bem conhecidos da torcida, como Sassá, Gegê e Sidney. O destaque entre eles se chamava Dedé.

Volante moderno, bom na distribuição de jogo e de muita técnica, Dedé chegou ao clube aos dez anos de idade, em 2004. Aos poucos foi ganhando fama na base, principalmente após o título do Campeonato Carioca Sub-15 de 2009. Com o sucesso crescendo, chegou aos juniores em 2012 bastante badalado, e já era puxado para treinar com os profissionais por Oswaldo de Oliveira em seu primeiro ano de categoria. Acabou pouco aproveitado por conta da força do elenco do Glorioso na época, com Gabriel, Seedorf, Fellype Gabriel, Lodeiro e outros no meio de campo. Em 2013, jogou duas vezes no Brasileirão entrando no segundo tempo, inclusive na vitória sobre o Flamengo que marcou o fim do jejum alvinegro de 13 anos contra o rival na competição – antes havia sido emprestado ao Bangu no começo da temporada, mas também pouco jogou.

Agora, porém, Dedé se vê treinando separado do elenco principal, sem sequer ter recebido a oportunidade de ser observado por René Simões na pré-temporada em janeiro. Seu contrato chega ao fim em julho, e ele não foi procurado pela diretoria para renovar. “O professor Oswaldo gostava de mim e não queria que eu descesse (para o sub-20). O que me prejudicou foi que joguei pouco com ele, o time era muito bom. Meu azar foi que ele saiu em dezembro. Quando chegou o Mancini dei mais azar, tive a pubalgia e preferi tratar logo. Só me recuperei no fim do Brasileiro. Em dezembro tivemos a reunião, falaram que iam renovar meu contrato, mas com a chegada do Antônio Lopes não teve mais posição do clube. A gente tá lá afastado e não tem contato com ninguém, nunca falei com ele ou com o René”, lamentou o jovem de 21 anos ao FutNet.

A última vez em que Dedé atuou pelo Bota foi no Carioca de 2014, no dia 22 de março, contra o Nova Iguaçu. O meio-campista acabou marcado também pela péssima campanha na ocasião, a pior da história do clube no estadual, usando reservas na maior parte dos jogos por conta da disputa da Copa Libertadores. Agora, sem perspectiva de renovar, o volante analisa propostas para o futuro. “Entendo perfeitamente a situação financeira que o Botafogo está passando. Mas eu esperava realmente renovar por seis meses ou um ano, que eu fosse emprestado, e aí realmente, se não for aproveitado nos outros lugares, ao menos ver que o clube tentou”, lamentou.

Dedé está encerrando sua passagem com a camisa da Estrela Solitária com títulos na base, como o Carioca Sub-15 de 2009 e a Spax Cup Sub-20 de 2012, e apenas quatro aparições em campo como profissional, além de algumas lesões que atrapalharam a carreira. Pesa o fato de ser um dos jogadores dos quais o clube não tem nenhuma porcentagem – 100% pertencem a terceiros – dos direitos econômicos, legado da gestão anterior. Apesar de não ser visto mais como a grande promessa que já foi no clube, ele não perde a esperança. “Vida que segue. Já estou até mais conformado. Deus sabe de todas as coisas”, concluiu.

Fonte: Futnet