O clássico entre Flamengo e Botafogo, às 16h, começou já na última quinta. Em mais um capítulo da crescente rivalidade entre ambos, a questão dos ingressos e a ocupação do Maracanã parou na Justiça: o Botafogo teve seu pedido de igualdade na utilização do estádio rejeitado pelo presidente do Tribunal de Justiça Desportiva-RJ, Marcelo Jucá.

Foi dado prazo de três dias para a Federação de Futebol (Ferj) enviar informações para análise, e o processo correrá na Justiça após o jogo. O Botafogo pediu para que 50% da bilheteria, no valor do aluguel do estádio, sejam retidos. Sinal de que o apito final de hoje não representará o fim da semifinal no clássico que mais soma episódios de rivalidade extracampo no futebol carioca atualmente.

Seus presidentes não têm diálogo desde a disputa trabalhista pelo meia Willian Arão, decidida em dezembro de 2015. O encontro entre as torcidas foi trágico no último jogo, quando o alvinegro Diego Silva dos Santos foi assassinado por um integrante de torcida organizada rubro-negra com um espeto de churrasco.

Mais recentemente, uma cratera na Arena da Ilha abriu ainda mais a distância entre os clubes, enquanto as redes sociais agitam legiões de seguidores a cada provocação. Flamengo e Botafogo, adversários de hoje, no Maracanã, pela semifinal do Campeonato Carioca, talvez seja o mais acirrado clássico carioca da atualidade. E explica os esforços de ambos para levarem força máxima a campo nesta tarde.

A necessidade de reverter a vantagem do empate, que é do rubro-negro, pode justificar a odisseia alvinegra para pôr os jogadores titulares inteiros a tempo. Mas nem o mais cético torcedor apostaria em algum jogador de General Severiano descartando a partida de hoje, a não ser por veto, como Carli, Bruno Silva e Marcelo, suspensos. Após desembarcar de uma viagem de mais de 10 horas desde o Equador ontem pela manhã, o time treinou na parte da tarde. Na tortuosa viagem pela Libertadores, desde a fase classificatória, o desgaste ficará pelo caminho diante da vontade de vencer o rival. Em 30 dias, foram oito jogos. Se for à final do Carioca, serão mais 11 partidas em 40 dias.

Fechado, o treino escondeu as opções de Jair Ventura. O técnico lida com o dilema de abrir mão de seu estilo de jogo, centrado nos contra-ataques, em troca da iniciativa.

Barreira entre o Botafogo e o seu objetivo, o goleiro Muralha avisava ao Flamengo, já na última sexta-feira, para não usar as viagens do Botafogo como desculpas.

Além do trunfo de poder empatar, o descanso durante a semana virou vantagem física. Nem por isso a comissão técnica deixou de tentar levar a campo o time ideal. Até ontem pela manhã, o argentino Donatti era uma possibilidade, agora, cada vez mais remota. Titular nas últimas partidas, o zagueiro estaria com dores musculares e, sem treinar, poderá abrir espaço para a volta de Rafael Vaz.

Se Zé Ricardo descartou o meia Ederson da relação de jogadores para o clássico. Sem o astro Diego, lesionado, o meia, recentemente liberado pelos médicos rubro-negros, poderia ir para o banco de reservas, mas ficou de fora. O substituto deve ser o volante Rômulo.

FLAMENGO X BOTAFOGO

Flamengo: Muralha, Pará, Rafael Vaz, Réver e Trauco (Renê); Márcio Araújo, Rômulo, Willian Arão, Éverton (Trauco) e Gabriel; Guerrero.

Botafogo: Gatito, Renan, Igor Rabello, Emerson Silva e Victor Luis; Rodrigo Lindoso, Matheus Fernandes, João Paulo e Camilo; Pimpão e Roger (Sassá)

Juiz: Leonardo Garcia Cavaleiro.

Local: Maracanã.

Horário: 16h.

Transmissão: Rede Globo, Rádios Globo/CBN.

Fonte: O Globo Online