Chega ao fim no dia 25 de novembro, data das eleições do Botafogo, o segundo mandato do presidente Maurício Assumpção. Após ser considerado uma renovação entre os dirigentes e ficar bastante prestigiado, o cartola caiu em desgraça no clube de General Severiano. Tanto que ele passou de determinante a figura nula no aspecto político. Tudo o que havia construído ruiu justamente no seu último ano de gestão.

Assumpção sairá do Botafogo em uma semana e já admitiu publicamente que será o principal culpado caso o rebaixamento da equipe seja confirmado no dia 7 de dezembro, última rodada do Campeonato Brasileiro. Entretanto, a queda para a Série B não será o único motivo pelo qual o presidente não deixará saudade em General Severiano. O UOL Esporte listou os principais motivos que fizeram o cartola ser tão contestado pelos botafoguenses.

Crise financeira
A crise financeira é a mais grave já vivida. Com a exclusão do Ato Trabalhista em julho de 2013, o Botafogo passou a ter 100% de sua renda penhoradas, o que criou uma asfixia financeira. Sem receber, o Alvinegro não conseguiu honrar com seus compromissos e irritou seus jogadores, que protestaram durante a Libertadores. Até agora o clube não conseguiu voltar ao Ato e se reequilibrar financeiramente.

A interdição do Engenhão foi decisiva para ampliar a crise financeira do Botafogo. Em 2012, o estádio deu lucro de R$ 9 milhões e o Alvinegro contava com essa verba para manter jogadores de alto nível para as temporadas seguintes, além de pagar o salário dos atletas do atual elenco.

Amigos no poder
Desde que assumiu o Botafogo em 2009, Maurício Assumpção adotou a política de trabalhar com pessoas de sua confiança. O problema é que esses funcionários eram desconhecidos do mercado e a maioria ficou conhecida como ‘turma da praia’. Isso porque o presidente sempre foi apaixonado pelo futebol de praia e muitos de seus membros da diretoria eram companheiros de time, casos de Ayrton Mandarino, Sidnei Loureiro e Nei Souto, por exemplo.

Apesar da desconfiança, o Botafogo fez um bom trabalho nas categorias de base desde então. Liderado por Sidnei Loureiro, que mais tarde não teria o mesmo sucesso nos profissionais, o Alvinegro passou a revelar jogadores, o que não ocorria há anos: Dória, Vitinho e Gabriel foram as principais revelações e geraram bom dinheiro para os cofres de General Severiano.

Passividade no caso Engenhão
Uma das principais da oposição é a postura de Assumpção com relação à interdição do Engenhão. A prefeitura divulgou no dia 26 de março de 2012 que o estádio apresentava problemas em sua cobertura e que ele precisaria ser fechado para passar por reformas. Até hoje o Botafogo não processou a cidade do Rio de Janeiro ou a Odebrecht, empresa responsável pela construção.

O presidente afirma que não é preciso de uma postura espalhafatosa para brigar pelos interesses do Botafogo, o que segundo ele, ocorria internamente. Entretanto, o clube foi muito prejudicado com a interdição e até hoje não foi ressarcido de alguma forma por qualquer uma das partes.

Planejamento Libertadores
Já prevendo a gravidade da crise financeira, o Botafogo definiu que teria que reduzir os gastos com o futebol justamente no ano em que voltou a Libertadores, que não disputava desde 1996. Jogadores importantes como Rafael Marques, Vitinho e Elias foram vendidos, mas a principal perda ocorreu em janeiro, quando Seedorf anunciou sua aposentadoria para virar treinador do Milan.

A saída do holandês por si só já era ruim para o Botafogo, que sofreu ainda mais com a queda de atletas que caíram de produção com a ausência de Seedorf – caso de Lodeiro, por exemplo. Mas a principal questão sobre o planejamento para a Libertadores foi o técnico escolhido: Eduardo Hungro. O treinador dos juniores não era a primeira opção. Paulo Autuori foi tentado, mas já havia acertado com o Atlético-MG. Mesmo com outros nomes na praça, Assumpção escolheu uma solução caseira, que não deu certo.

Mesmo com elenco questionável, o Botafogo teve a chance de se classificar com uma rodada de antecedência. Precisa apenas vencer o Unión Española-CHI, no Maracanã. O Alvinegro acabou derrotado por 1 a 0 e viu a classificação escorrer pelos dedos ao ser goleado pelo San Lorenzo-ARG, em Buenos Aires.

Demissões de medalhões
A última medida adotada por Maurício Assumpção que poucos entenderam foram as demissões de Emerson Sheik, Bolívar, Edílson e Julio Cesar. Os medalhões foram afastados do Botafogo com a justificativa de deficiência técnica, mas internamente o problema era outro. O presidente quis retomar o poder no clube e anunciou o desligamento dos principais líderes do elenco, que organizavam protestos contra os salários atrasados, por exemplo.

O problema é que o time ficou ainda mais fragilizado e deixou os jovens com uma pressão ainda maior para carregar. Sem atletas experientes, o Botafogo mostra muita dificuldade para vencer seus adversários e se complicou ainda mais na luta contra o rebaixamento.

Fonte: UOL