O técnico Paulo Autuori, do Botafogo, criticou a sequência de eventos do futebol carioca. Perguntado na quinta-feira, durante o programa “Debate Final”, do Fox Sports, sobre se há clima para preparar e motivar seu time para a semifinal da Taça Rio contra o Fluminense, domingo, ele foi sincero.

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– Essa pergunta é ótima e respondo rapidamente: não há clima. Não sabíamos onde iríamos jogar, me parece que não terá público, resume o que tem sido o futebol brasileiro. Não falo de pessoas, mas em termos conceituais. Aqui no Brasil quando há discordâncias conceituais viram problemas pessoais. Reflete o catastrófico momento do futebol do Rio de Janeiro, confundindo ações políticas com o desporto. O Botafogo foi punido porque cobraram dez vezes mais do clube e do Fluminense, em relação a Flamengo e Vasco. É retaliação clara, de gente que não tem argumento e se manifesta através da força. As perguntas não foram respondidas, porque não há como responder. A pergunta é o que será dos clubes de menor porte no ano que vem, após o que aconteceu (rescisão do contrato de transmissão da Globo)? O tiro saiu pela culatra, se perderam completamente, o que demonstra o despreparo das pessoas quando são questionadas – criticou Autuori ao Fox Sports.

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O treinador é crítico ferrenho da volta do futebol e de como a questão tem sido coordenada no Rio de Janeiro e no Brasil.

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– Vejo com muita tristeza. Acho que isso transcende ao futebol. O país está com muitas incertezas, há certo desgoverno em relação a decisões importantes em um momento difícil para todo o mundo. Tivemos oportunidade de ver o que acontecia em outros países. O futebol voltou porque a pandemia já estava bem controlada em outros países, com tendência de decréscimo da curva, retornaram os treinos, de menos para mais, com tempo para se preparar, a maioria sem público. Aqui falta liderança ao futebol brasileiro, a decisão ficou a critério de cada federação, ficou sem rumo.

– Infelizmente a nossa realidade foi a pior possível (no Campeonato Carioca da Ferj). Tentaram mostrar que podiam ser exemplo para o Brasil e deram muitos tiros nos pés nos últimos dias. Futebol carioca é retrato do futebol brasileiro, não de agora, já de um tempo – lamentou.

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Campeonato Brasileiro até 2021

Paulo Autuori não concorda com o início do Campeonato Brasileiro já em agosto e o término em fevereiro de 2021, como tem sido noticiado.

Na minha opinião é altamente negativo, vai criar diferenciais competitivos. Há clubes já treinando e jogando, mesmo que com nível bem diferente do futebol brasileiro, enquanto outros nem começaram a treinar. Vai macular a competição de alguma maneira. Falta a capacidade dos clubes debaterem junto com federações e CBF, entendendo que é um ano diferente. Pela situação em relação à pandemia, o mundo parou simultaneamente. É um ano completamente atípico, que vai estar na história. Nada mais sensato que entender que deveria haver tomadas de decisões atípicas, como a permissão para cinco substituições. Aqui no Brasil as coisas não acontecem desta maneira. Na minha opinião, estamos criando problemas já para 2021, em vez de só para 2020. Será que só o futebol vai passar por dificuldades? É ano difícil para qualquer segmento profissional, para pessoas e instituições. Temos que tentar minimizar esse efeito negativo. Deveriam pelo menos preservar 2021. Este ano terá calendário apertado e vai invadir 2021, o que causa problemas comprovados aos jogadores, com a quantidade excessiva de jogos – completou.

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Fonte: Redação FogãoNET e Fox Sports
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