Foram nove dias em que a sala de imprensa Sandro Moreyra, do Estádio Nilton Santos, não recebeu ninguém. A silenciosa greve de entrevistas dos jogadores do Botafogo se encerrou na coletiva de Eduardo Barroca, que não fugiu de nenhum assunto nem fez mistério sobre o time que enfrenta o Cruzeiro, no domingo, às 16h, no Mineirão.

– Não tenho a menor dúvida que vou enfrentar um Cruzeiro muito forte. Temos 29 rodadas pela frente e eu não apostaria que esse time vai ficar nessa posição. Mas temos muita confiança após esse período que tivemos. Foi uma ótima oportunidade para trabalhar e ajustar muita coisa que não foi possível antes. Chegaremos mais fortes para esse novo ciclo (Brasileirão e Copa Sul-Americana) – declarou Barroca.

E mais fortes estão também os jogadores. O treinador contou que o empenho do elenco foi tão grande, que a equipe acumulou mais de 20kg de massa magra, coletivamente.

– É como se nós estivéssemos entrando em campo com uma anilha de força a mais – explicou o treinador, para quem “a bola é um porrete”.

Barroca também fez questão de salientar alguns casos individuais. Muito cobrado pela torcida alvinegra por cair de ritmo na segunda etapa, o volante Alex Santana foi um dos mais dedicados.

– Só o Alex (Santana) ganhou quase 4kg de massa magra. É muita coisa. É um exemplo da dedicação do elenco. Teve também o Alan Santos, que deixou de ir a uma audiência no México mesmo liberado, o Kanu, que é um grande profissional… Estou muito satisfeito com o que os jogadores entregaram.

A preocupação que a insatisfação do elenco com os débitos – são dois meses de salários atrasados e de direitos de imagem – atrapalhasse o período de preparação, ao menos de acordo com o técnico, não se concretizou. Barroca fez questão de destacar que todos os objetivos e metas foram batidos.

– Quando a gente sentou para conversar, os jogadores me passaram a insatisfação deles, me comunicaram a intenção deles de ter uma ação que não afetasse o lado desportivo. Acho que é uma responsabilidade minha cobrar deles para preservar isso estamos fazendo desde o início, que a torcida se identifica. A gente não pode abrir mão de entrega e de fazer aquilo que a torcida quer ver – contou.

O ponto principal que Eduardo Barroca cobrou dos jogadores foi a finalização de jogadas. Com apenas oito gols em nove rodadas, o Botafogo tem o quarto pior ataque do Campeonato Brasileiro.

– Uma das metas era crescer individualmente e coletivamente, em quatro pontos: pressão, compactação, controle e o principal, desenvolvimento no terço final do campo. Enfatizei muito isso. Nós precisávamos melhorar e desenvolver isso melhor.

Fonte: O Globo Online