Ficará a cargo de Paulo Autuori a missão de escolher o nome do profissional que irá exercer a função ocupada por Valdir Espinosa desde dezembro.

A comissão diretiva do futebol alvinegro entendeu que, por já terem atuado na coordenação e no gerenciamento de elencos em outros grandes clubes, Autuori e o auxiliar Renê Weber são os mais indicados para avaliar a necessidade de recomposição.

Dentro do clube, já há quem vislumbre a possibilidade de, num futuro bem próximo, o atual técnico possa vir a assumir a gerência do futebol, como já fizera no Atlético-PR e no Santos, bem recentemente.

Após a saída de Valentim, Carlos Augusto Montenegro redesenhou com Espinosa a estrutura de trabalho pensando na construção de identidade para o futebol do Botafogo.

E o acerto com Autuori trouxe mais confiança no trabalho – principalmente com a afinidade aflorada após a primeira conversa da dupla sobre a importância da valorização dos jogadores da base.

É estranho, mas os dois técnicos mais emblemáticos da história recente do clube (um, campeão que pôs fim no jejum de 21 anos, e o outro campeão do título brasileiro) não haviam estado juntos para falar do clube que marcou suas vidas.

Com a morte de Espinosa, a missão foi entregue a Paulo Autuori.

E ele sabe que a tarefa não é simples.

Não se trata só de escolher os onze jogadores mais bem preparados entre os disponíveis.

É mesmo ter paciência para desenvolve-los tática e mentalmente, criando filosofia que vá além do que é ensaiado nos treinos físicos e táticos.

Algo que ele, por vezes, tem até dificuldade de explicar nas entrevistas de pós-jogo, procurando palavras para não ferir susceptibilidades.

Como no último sábado em que já não se orgulhava com os elogios pelos ótimos primeiros 45 minutos na derrota para o Flamengo.

Ao saber que o português Jorge Jesus o elogiava na sala de entrevistas do lado rubro-negro, o treinador do Botafogo deu a senha para que os torcedores possam entender um pouco da sua missão.

“Futebol não é jogado só com talento e preparo-físico. O cognitivo (raciocínio) tem de ser trabalhado. E isso não acontece da noite para o dia…”

Ou seja: não adianta a torcida creditar as limitações do time a um possível mau preparo físico dos jogadores.

A inteligência tática exige mais do que correria…

Fonte: Blog do Gilmar Ferreira - Extra Online