O meia Luiz Fernando, de 21 anos, nascido em Tocantinópolis-TO, e revelado pelo Atlético-GO, esteve bem perto de vestir a camisa do Flamengo.

Mas em janeiro optou pelo Botafogo, não apenas por este ter sido o primeiro a lhe procurar.

Foi porque, por, raxões óbvias, tinha a certeza de que estaria mais próximo da condição de titular em General Severiano do que na Gávea.

Pois foi dele o gol que pôs o Botafogo na final do Estadual, eliminando o Flamengo da disputa do bicampeonato.

Um feito tão surpreendente quanto animador para um recém-chegado de apenas 21 anos como para um time ainda em formação.

O Botafogo de Alberto Valetim provou que no Brasil time caro não é sinônimo de time bom…

Os alvinegros se organizaram num 4-5-1 esperando um Flamengo mais povoado no meio, como de fato aconteceu.

Carpegiani recuou Éverton para a lateral, plantou Jonas, liberou Arão, abriu Vinicius Jr na direita e Paquetá na esquerda.

Mexidas que acabaram por tirar o mínimo de entrosamento do time, modificaram o cenário e equilibraram o jogo.

O gol do Botafogo, aos 38m do primeiro tempo, saiu em jogada articulada pela lado direito, explorando o esquerdo da defesa do Flamengo.

Éverton e Paquetá não conseguiram impedir o avanço de Marcinho, e o arisco Luiz Fernando, em investida fulminante, se antecipou à marcação de Rodholfo.

O confuso time de Carpegiani teve posse de bola, mas pouco sentido ofensivo.

Esbarrou nas dificuldades já conhecidas no setor de criação e tentou supera-las forçando o jogo com Vinicius Jr, que no segundo tempo voltou ao lado esquerdo.

Sem sucesso, com Diego também pouco inspirado, repetiu a estratégia dos cruzamentos na área (45) buscando Réver, Rodholfo e Henrique Dourado.

Compacto, enervando o adversário com a prática do antijogo em momentos difíceis, o Botafogo segurou o 1 a 0 e conseguiu o que nem sua torcida esperava.

CONSTATAÇÃO

Vejo pouca evolução tática no time do Flamengo, e Carpegiani já parece perdido em suas convicções.

Com o elenco disponível, o time tinha de estar jogando melhor.

E aqui não falo de raça, amor à camisa ou coisas do gênero.

Falo de bola.

A pobreza do futebol apresentado pelos jogadores contra Fluminense, River Plate, Vasco e agora o Botafogo assusta, revolta e desanima.

Bem ao contrário do que se vê no Botafogo.

O aproveitamento de jogadores da base, somado a recém-contratados jovens e medianamente qualificados, deu ao clube um time competitivo.

Alberto Valentim exagera na sofrência à beira do campo, mas parece ter ouvido direitinho os conselho de Cuca, que foi quem o indicou.

Em General Severiano, a dor é o combustível da felicidade: por lá, quanto maior o sofrimento, maior também a chance de ser feliz…

Fonte: Blog do Gilmar Ferreira - Extra Online