São os apelidos que entregam o tamanho simbólico do Olimpia, adversário desta quarta-feira do Botafogo, às 21h45m, pela terceira fase preliminar da Libertadores. “Decano” ou “Rei de Copas”, o time paraguaio chega ao Engenhão como último obstáculo antes da fase de grupos. Para o alvinegro carioca, trata-se de escalar a montanha e vislumbrar no horizonte sua principal competição neste ano, ou cair antes da hora e amargar a interrupção do plano de conquistar a América. Haverá ainda o jogo de volta no dia 22, em Assunção.

Treinado pelo uruguaio Pablo Repetto, vice-campeão da última Libertadores com o surpreendente Independiente del Valle (EQU), o Olimpia não costuma se acomodar na defesa — que, por sinal, é o ponto fraco da equipe neste início de 2017. Há, do meio para frente, uma profusão de nomes habilidosos e com bagagem. O ataque tem Brian Montenegro, centroavante de 23 anos que já atuou no futebol inglês, e Pablo Mouche, argentino ex-Boca Jrs e atualmente emprestado pelo Palmeiras.

Se no Botafogo a dúvida que martela Jair Ventura é como escalar no mesmo time Camilo e Montillo, dois nomes com características de camisa 10 — ambos estão recuperados de lesão e podem ser titulares nesta quarta —, o Olimpia encontrou seu melhor encaixe ao adaptar o meia-atacante Julián Benítez à função de “enganche”, um articulador centralizado. A função cabia antes a William Mendieta, outro jogador ex-Palmeiras, que atuava como cérebro do time paraguaio até uma lesão no joelho, em novembro, forçar um afastamento dos gramados por todo o primeiro semestre.

Benítez, por enquanto, vai suprindo a ausência à sua maneira: na vitória por 3 a 1 sobre o Independiente del Valle, que garantiu o avanço do Olimpia para enfrentar o Botafogo, o meia abriu o placar e deu ótimo passe para Montenegro fazer o segundo. Enquanto Benítez atua mais centralizado, Mouche flutua pelas pontas no esquema de Repetto, que tem uma trinca de volantes com Alexis Fernández, Ortiz e Riveros (ex-Grêmio).

— Benítez é distinto, talvez hoje em dia seja o jogador mais refinado que Repetto tem à disposição. Ele joga para a equipe, busca se posicionar entre as linhas adversárias. É quem dita o ritmo dos ataques e cria as principais situações de gol — analisa o jornalista paraguaio Pedro Lezcano, do diário “Última Hora” — Mouche é o mais incisivo. Se está em um bom dia é quase como um gato que sai à caça e não descansa até cumprir sua missão. Perturba, luta, se irrita e gesticula quando as coisas não saem como espera.

AS FRAQUEZAS DO DECANO

Maior campeão paraguaio (40 títulos) e dono de três títulos da Libertadores (1979, 1990 e 2002), o Olimpia tem suas fraquezas. A classificação contra o Del Valle quase foi comprometida por uma falha grotesca do goleiro Azcona, homem de confiança do técnico Repetto. O veterano Roque Santa Cruz, de 35 anos, ex-Bayern de Munique, precisou sair do banco para colocar o time paraguaio em vantagem por 3 a 1, garantindo a classificação a nove minutos do fim.

Embora goste de atacar quando atua em casa, no Defensores del Chaco, as fragilidades defensivas podem fazer o Olimpia adotar postura mais cautelosa no Rio. Boa notícia para Jair Ventura, que planeja repetir a escalação ofensiva da estreia contra o Colo Colo (CHI), com Pimpão e Roger no ataque servidos por Camilo e Montillo na articulação. O desfalque do Botafogo está na defesa: o goleiro Gatito Fernández sentiu lesão na coxa direita e será substituído pelo reserva Helton Leite.
Montillo domina a bola em treino do Botafogo: argentino volta ao time na Libertadores após problema muscular – Vítor Silva / Divulgação SSPress

— Numa comparação com o Colo Colo, o Olimpia elabora menos as jogadas. Não tem aquele estilo que, por algum momento, botou o Botafogo na roda. Dentro da escola paraguaia, o Olimpia tem um jogo mais objetivo, mais vertical — explica o jornalista britânico Tim Vickery, que vive no Rio e é especialista em futebol sul-americano.

Na falta de um lateral-esquerdo de confiança, Repetto vem improvisando o volante Fernando Giménez na função. Na zaga, o argentino Hugo Pellerano, de 32 anos, veio do Independiente para trazer mais firmeza. Outro nome experiente contratado para o setor foi o brasileiro Edcarlos, de 31 anos, com passagens por São Paulo, Fluminense e Atlético-MG. Este, contudo, ainda não estreou.

A imprensa paraguaia especula que Edcarlos pode se tornar um “paquete”, expressão usada no Paraguai para designar jogadores que chegam e vão embora de um clube sem que deixem saudade ou sequer causem alguma impressão nos torcedores.

— O time carece de um jogador que cumpra bem a função pela esquerda, por isso a defesa não está compacta. A inclusão de Pellerano melhorou um pouco a zaga central, mas ainda falta “azeitar” um pouco essa zona — avalia Lezcano.

Ao jogar no Rio, o Botafogo sabe que precisa fazer um bom placar. Afinal, o Olimpia tem uma torcida capaz de pressionar o adversário com casa cheia e muita cantoria no Defensores de Chaco. Contra o alvinegro carioca, no dia 22, os torcedores paraguaios já preparam um mosaico para recepcionar seus jogadores.

FICHA DO JOGO:

Botafogo: Helton Leite, Jonas, Marcelo, Emerson Silva e Victor Luís; Airton, Bruno Silva, Camilo e Montillo (João Paulo); Rodrigo Pimpão e Roger.

Olimpia: Azcona, Rodi Ferreira, Pellerano, Cañete e Fernando Giménez; Alexis Fernández (Jorge Mendoza), Riveros, Ortiz e Benítez; Mouche e Montenegro.

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Local: Estádio Nilton Santos (Engenhão)

Horário: 21h45m (de Brasília)

Árbitro: Roddy Zambrano (Fifa/Equador)

Fonte: O Globo Online