Tricampeão mundial com a Seleção Brasileira e lateral do grande time do Santos da década de 60, Carlos Alberto Torres entra em uma nova fase da vida. Ele será diretor de futebol do Botafogo. De cara, Torres traz um choque de realidade ao clube que acumula dívidas superiores a R$ 700 milhões. Teto salarial será implantado para não fazer novas loucuras.

“Definitivamente, a ida para a segunda divisão tem que trazer a realidade na parte financeira para o Botafogo. Vou acabar com a prática de não pagar o profissional. Vamos fixar um teto salarial, mas é lógico que o Jefferson ou uma grande oportunidade é uma exceção”, alertou Carlos Alberto Torres, que está buscando ajuda financeira no mercado empresarial.

“Neste momento, estou ajudando a solucionar os problemas financeiros deixados pela antiga diretoria. Estou conseguindo trazer empresários que estão ajudando a pagar dívidas. Tenho sido procurado por muita gente importante no meio empresarial. Todo mundo quer ajudar. A venda de patrocínio e a nova marca de fabricante de uniforme vão dar receitas novas para formar um bom time, já no Carioca. Para a Série B, vamos partir para a formação de um time capaz de fazer subir e ser campeão”, prometeu o tricampeão mundial.

Carlos Alberto Torres também terá uma função fora de campo. Além de buscar soluções ao elenco, o ex-lateral será o responsável pela escolha dos profissionais que irão trabalhar do Infantil ao Profissional. Capita esteve presente na campanha eleitoral do presidente Carlos Eduardo Pereira e revela que o papo antes do pleito pesou na decisão.

“Sou sócio do Botafogo. Aliás, o único clube do qual sou sócio no Rio de Janeiro. Todos os candidatos à presidência vieram me procurar pedindo apoio. Ouvi cada um e o Carlos Eduardo foi o que mais passou sinceridade em ajudar o clube”, admitiu Torres, que está assustado com o que encontrou ao chegar ao clube.

“Foi uma surpresa bastante desagradável o Botafogo chegar onde chegou e da maneira que foi. Uma equipe descaracterizada, não estava à altura do que representa o Botafogo no Brasil e no mundo, que sempre forneceu a base de Seleções Brasileiras campeãs. Neste ano, não se sabe o porquê o presidente montou o time da forma que foi. Para surpresa geral, não foi feito investimento para ter um grande time. Para culminar, a dispensa quando o time precisa de experiência dos quatro melhores jogadores”, criticou o diretor alvinegro.

Em 2012, Seedorf foi apresentado como a grande contratação dos últimos anos do Botafogo. Só que o saldo na conta foi negativo. O custo (algo em torno de R$ 18 milhões por 18 meses de contrato) foi considerado alto para quem assume o clube.

“O Seedorf teria que ter trazido um apoio financeiro de um patrocinador, não com o clube arcando sozinho tudo. Dentro da realidade do Botafogo, isso não caiu bem. Trabalhava com o presidente no Engenhão e tentei empresas para ajudar, mas ficou difícil porque todo mundo sabia que ele sairia. Fica a lição porque aqui no Brasil tem dirigente que acha que sabe o que é marketing no futebol. Se um dia eles saírem daqui e conhecerem EUA e clubes europeus, eles vão entender que não sabem nada”, avaliou Carlos Alberto Torres.

Fonte: Terra