Carlos Eduardo Pereira é o candidato do grupo “Mais Botafogo”. Aos 56 anos, ele já passou pela diretoria do Glorioso como vice-presidente geral (1994 a 1996), vice-presidente administrativo (1993) e diretor de comunicação social. O vice de sua Chapa Ouro é Nelson Mufarrej, que foi presidente do Conselho Fiscal do clube entre 2009 e 2012.

Em entrevista por telefone ao SRZD, Carlos Eduardo Pereira afirmou que a Chapa Ouro tem “experiência e conhecimento” para tirar o Botafogo da atuação atual. O candidato também disse fazer parte do único grupo de oposição a gestão de Maurício Assumpção.

Leia a entrevista na íntegra:

Carlos Eduardo Pereira. Foto: Divulgação

SRZD: Por que o senhor acha que deve ser presidente do Botafogo?

Carlos Eduardo Pereira: Basicamente a origem da nossa candidatura primeiro passa por um desenvolvimento natural da campanha de 2011. Em 2011 nós concorremos também à presidência, indicando uma série de problemas que a gente enxergava no horizonte do clube e problemas que, infelizmente, vieram a se confirmar. E durante esses últimos três anos, o nosso grupo esteve presente no Conselho Deliberativo, acompanhou e conhece profundamente como o clube chegou a essa situação e as alternativas para o clube sair dessas dificuldades. 

Por outro lado, tanto Nelson Mufarrej, que é o candidato a vice-presidente geral, quanto eu temos ligações com o Botafogo. Nossos pais foram dirigentes do clube e temos experiência na gestão. O Nelson já foi presidente do Conselho Fiscal, eu já fui vice-presidente geral, vice-presidente administrativo. Enfim, temos experiência e conhecimento da dinâmica de funcionamento de um clube. Podemos perfeitamente exercer essa função com a qualidade que o Botafogo precisa.

SRZD: Qual a primeira ação que faria ao ser eleito?

Carlos: A primeira ação será visitar o plantel do futebol e a comissão técnica. Primeiro para agradecê-los de todo o empenho que eles têm tido de lutar para livrar o Botafogo da segunda divisão, mesmo sem estar recebendo salários. E também para transmitir a eles o nosso apoio porque nós vencendo as eleições, nós assumiremos e ainda teremos duas partidas no Campeonato Brasileiro (Santos e Atlético-MG). Eu acho que o plantel precisa ter essa tranquilidade de que a nova diretoria está ali para apoiá-los e não para causar nenhum tipo de turbulência.

SRZD: Como resolver o problema das dívidas do Botafogo?

Carlos: Tentando equacioná-las e dando tratamento diferenciado a elas. São três tipos de dívidas. A primeira é a dívida fiscal com a manutenção em dia do pagamento do Refis (Programa de Recuperação Fiscal) e a renegociação do Ato Trabalhista. Hoje o Botafogo até retirou a proposta que tinha feito ao Tribunal do Trabalho e nós até entendemos o por que. Essa diretoria já foi afastada do Ato Trabalhista sob acusação de sonegação, então seria muito pouco provável que os desembargadores concordassem com que o Botafogo voltasse a fazer um Ato Trabalhista. Esse aí é um outro elemento importante e eu acho que passará pela credibilidade da nossa gestão.

Feito isso, nós temos ainda a dívida dos prestadores de serviço, daqueles que emprestaram dinheiro para o clube. Isso nós vamos fazer uma auditoria e avaliar exatamente como estão essas dívidas para tentar fazer um reescalonamento. Todo esse trabalho vai passar por uma gestão centralizada e acompanhada por uma empresa especializada em gestão de crises. Isso para nós é fundamental que não se trate isso de forma amadora e permita um diálogo transparente com os credores. É claro que o Botafogo não quer dar calote em ninguém, não quer simplesmente dizer que não vai pagar, mas também não pode assumir compromissos para fazer pagamentos que estão além da sua capacidade. A partir de 2016 é que o clube começará a ter alguma melhora na entrada das suas receitas, uma vez que a atual gestão comprometeu o grosso das receitas de 2015. Isso é um dos elementos que vamos propor ao Conselho Deliberativo para que dentro de um pacote  de medidas de reformas estatutárias não seja permitido a um presidente comprometer receitas da outra gestão.

SRZD: O Botafogo tem “Regatas” no nome. Qual o plano para o esporte olímpico?

Carlos: Tudo isso passa pela obtenção do CND (Certificação Negativa de Débito). Para você obter o CND, você precisa estar com sua regularidade fiscal e poder partir com isso para fazer a captação de recursos de projetos incentivados. Hoje o clube funciona razoavelmente de uma forma neutra e o que se pretende é agregar valor a partir de projetos incentivados e que viabilizem as atividades aproveitando inclusive o clima olímpico para 2016.

SRZD: E para as sedes sociais, como General Severiano?

Carlos: General Severiano hoje é uma sede muito triste, com o casarão sempre fechado, sempre abandonado. Na parte social, o sócio só tem alternativa do parque aquático e de um restaurante, mais nada. São medidas muito simples para você ajudar o sócio, atender o sócio de forma qualificada, criar atrações, como sala de vídeo, salão de jogos, manicure, sala de ginástica, todos elementos que agregam e permaneçam mais tempo dentro do clube. 

Com relação a sede de General Severiano a nossa ideia é realizar um centro de memória. Não um centro de memória estático, mas um centro de memória também baseado em um projeto de captação de recursos, aproveitando também a condição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e, com isso, você ter uma afluência de turistas e patrocinadores interessados.

Aqui na sede de General Severiano nós também temos o Ginásio Oscar Zelaya que está subutilizado. A nossa ideia é transformá-lo em uma arena aproveitando a sua localização estratégica na Zona Sul do Rio de Janeiro. 

SRZD: Qual será a importância do Engenhão em sua gestão?

Carlos: Completa e total a importância. Nós temos a expectativa de que para o Campeonato Carioca o Engenhão já esteja disponível. A ideia é tratar o Engenhão como estádio do Botafogo e não como ele tem sido tratado até agora como um estádio neutro, com suas cadeiras vermelhas, em que o Botafogo é meio que um gestor envergonhado do estádio. Conosco, o estádio terá as cores do Botafogo. O Botafogo fará valer o seu mando de campo.

SRZD: Como sua gestão trabalhará com o plano de sócio-torcedor?

Carlos: Hoje o Botafogo tem um sócio-torcedor de péssima qualidade. São aproximadamente 11 mil sócios apenas que enfrentam todas as dificuldades possíveis para ter acesso aos planos. Os grandes clubes do Brasil hoje têm mais de 100 mil sócios-torcedores. A ideia é implantar um plano em que você tenha uma contribuição básica e diversas opções de incremento do serviço para que você possa atrair torcedores de todas categorias, além de estimular a presença da torcida em nossos jogos. Poucos elementos são tão perecíveis como um ingresso para uma partida de futebol. O que se pretende é que o Botafogo volte a encher os estádios, faça uma aproximação entre a torcida e o sócio-torcedor, além de alavancar novas receitas que durante 2015 serão essenciais para que o clube possa recomeçar essa caminhada com as suas próprias pernas.

SRZD: Qual será a relação da sua gestão com as torcidas organizadas?

Carlos: Uma relação institucional, no sentido de apoiar a presença das torcidas, em permitir que eles tenham facilidade nos planos de sócio-torcedor. O Botafogo hoje em dia não está podendo abrir mão de nenhuma fonte de receita. Então a nossa ideia é ter uma pessoa encarregada para esse relacionamento com as torcidas organizadas. Mas será muito importante que as torcidas entendam o momento extremamente difícil que o Botafogo passa e que a relação terá que ser vista sobre essa ótica de uma equipe que precisa contar cada centavo que ela poder dispor.

SRZD: Qual será o plano para o futebol profissional e categoria de base?

Carlos: A categoria de base nós vamos perseguir a execução do nosso centro de treinamento integrado. A busca de um terreno onde a gente possa ter entre oito e dez campos de futebol, onde todas as categorias possam treinar no mesmo espaço, pelo menos as principais, como o profissional e o sub-20, e as comissões técnicas possam conviver e trocar informações. Até lá, a gente vai ter que atender de forma emergencial, melhorar as condições do campo auxiliar do Engenhão, melhorar as condições de Caio Martins para que a equipe da base possa jogar, viabilizar a volta do centro de treinamento de General Severiano. Marechal Hermes, infelizmente, foi destruída pelo atual presidente e nós não teremos recursos para recolocá-la em funcionamento.

Para o ano (2015), as três competições que se pretende disputar são o Campeonato Carioca, em que precisamos apagar a péssima atuação de 2014 com a pior campanha da história, teremos o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. Esta tem tudo para ser a nossa prioridade no planejamento do ano.

SRZD: E Jefferson permanece para vocês?

Carlos: Faremos todo o possível para isso. Ele só não permenacerá se não quiser.

SRZD: Como o senhor vê a administração de Maurício Assumpção?

Carlos: Um desastre. Independente do começo de caminho que você tome, é muito importante aonde você está chegando. E ele está entregando o clube em uma condição absolutamente desastrosa, com uma dívida de mais de R$ 700 milhões, uma folha salarial inchada cheia de apadrinhados e amigos dele do futebol de praia, um clube desacreditado que não paga o salário de seus jogadores, um clube expulso do Ato Trabalhista. O final da gestão do Maurício é absolutamente melancólico.

SRZD: Que recado o senhor daria para a torcida alvinegra?

Carlos: O recado é que vejam na Chapa Ouro a única opção de oposição a essa gestão e que a torcida e os sócios do Botafogo façam essa avaliação. Quem quiser continuar nesse caminho, tem lá a Chapa Azul. Quem quiser mudar, quem quiser uma opção séria de transparência, de uma gestão com boa governânica corporativa, com identificação com as cores do Botafogo, com uma busca de novas receitas, com um sócio-torcedor com direito a voto, com uma mudança estatutária, com uma modernização do clube, muito bem, a Chapa Ouro, eu não tenho dúvida, que será a opção. Dia 25 de novembro é uma data muito importante, talvez a data mais importante da história do Botafogo. Esperamos contar com a confiança dos botafoguenses no dia 25.

Fonte: SRZD