As cenas de violência entre torcedores do Vasco e Atlético-PR deveriam ter uma consequência espotiva: a partida deveria ter sido suspensa e ambos os times deveriam ser considerados derrotados. Não é uma opinião, ou uma fantasia. Bastaria que a CBF e o tribunal aplicassem o regulamento geral de competições da própria confederação.

O confronto entre os torcedores levou à hospitalização de três torcedores em estado grave – não correm risco de morrer. Mas o clima de insegurança era latente com poucos agentes privados e um policiamento recém-chegado e improvisado. Em vez de continuar o jogo, o árbitro Ricardo Marques deveria ter suspendido a partida por motivos de segurança, como previsto no artigo 19 do regulamento.

Pois bem, suspensa a partida, aplica-se o artigo 20 que trata dos responsáveis pela paralisação. O clube que der causa à suspensão deve ser declarado perdedor com o placar de 3 a 0 para o rival, independentemente do resultado. O jogo só deve ser completado caso ninguém seja culpado.

Ora, o Atlético-PR é duplamente culpado pela confusão. Primeiro, por regulamento e pelo estatuto do torcedor, é o responsável por providenciar a segurança do jogo. Sem poder usar a polícia militar, colocou um número insuficiente de seguranças privados, como fica claro pelas imagens da confusão. Segundo, sua torcida teve participação ativa na briga. E o time ganhou o jogo e soma três pontos.

Já o Vasco também pode ser responsabilizado por conta do envolvimento de sua torcida no tumulto. Só que o time perdeu a partida no momento, e deve ser rebaixado. Então, não teria pontos a serem tirados.

Essa responsabilização dos clubes e punição pelo regulamento deveriam ser aplicados pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). Mas, como o jogo não parou, o tribunal só poderá estabelecer perda de mando de campo para os times, medida que já se mostrou ineficaz contra violência de torcida.

A CBF tinha a chance, pelo regulamento, de aplicar uma punição esportiva, o que deixaria ameaçada a vaga do Atlético-PR na Libertadores. Afinal, com uma derrota de 3 a 0, o time ficaria em quarto no Brasileiro e dependeria de uma derrota da Ponte Preta na final da Sul-Americana para continuar no torneio sul-americano.

Para isso, bastaria o árbitro da confederação parar o jogo e a entidade aplicar sua regra. Aliás, bastaria a CBF orientar seus juízes a parar e suspender partidas em que houvesse casos graves de violência. Ambos os times perderiam os pontos do jogo se as duas torcidas estivessem envolvidas, ou pelo menos o mandante seria responsabilizado. Mas a entidade nunca fez nada nesse sentido.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL