Vice-presidente na gestão Nelson Mufarrej, Carlos Eduardo Pereira abriu o jogo em entrevista à Rádio Globo, concedeu longa entrevista, avaliou o ano do Botafogo e pediu a compreensão da torcida. O dirigente admitiu que o orçamento do clube para 2019 não é animador e fez um apelo aos torcedores.

Os principais tópicos da entrevista estão abaixo:

– ORÇAMENTO PARA 2019

“É um orçamento que procura seguir o que temos feito. Quando chegamos os orçamentos eram peças sem compromisso com o que era feito. As pessoas assinavam, botavam na gaveta e não acompanhavam. Desde 2015 são feitos com critérios, este mais uma vez está o mais factual possível, dentro da realidade do clube, vamos procurar respeitar. Não são números que impressionam no primeiro momento ou animam, mas são realistas. Vamos precisar trabalhar muito para atingir as metas e objetivos no fim do ano. É fundamental que a torcida nos acompanhe, prestigie o programa de sócio-torcedor, compareça aos jogos e apoie o Botafogo. Não é questão de apoiar a gestão, mas o Botafogo. É fundamental na hora que o clube está com dificuldade, o torcedor chegar junto e mostrar seu amor e comprometimento, independente se está animado ou não com grandes contratações. Tenho certeza que a torcida não faltará a essa luta.

– RECADO

“Agradeço à torcida pela paciência com o esforço que estamos fazendo, peço que tenham olhar, relevem algum eventual erro, mas tenham certeza que tudo estamos fazendo na gestão Nelson Mufarrej é com a maior correção, dedicação e amor, colocando o Botafogo em primeiro lugar.”

– SEMELHANÇAS ENTRE SEU PRIMEIRO ANO E O DE MUFARREJ

“São gestões com muitos pontos em comum, lidaram com dificuldades, anos especialmente difíceis. Cada um a sua maneira conseguiu resultados no campo. Em 2015 subimos para a Série A como campeões, agora em 2018 o Botafogo foi o único carioca campeão e teve boa participação no Brasileiro, em que oscilou um pouco e arrematou bem. Se não tivesse sido tão prejudicado pelas arbitragens, teria terminado melhor. Teve infelicidade de lesão de dois goleiros também.”

– DIFERENÇA ENTRE CEP E MUFARREJ

“Toda mudança é importante. Nós temos estilos diferentes de fazer as coisas e reagir a certos fatos. A vez é dele. Tenho que procurar apoiá-lo, estilo dele deve prevalecer. Em ano difícil, política do clube tem que estar o mais estável possível, não pode ser ponte de problemas e turbulências. Estamos procurando ajustar os pontos, trabalhar as divergências e identidades. Estamos em um caminho bom, sempre pensando no melhor para o Botafogo.”

– GRANDE DEBATE

“O grande debate é uma grande avaliação do que está sendo feito. Precisamos sempre avaliar o nosso trabalho, ouvir torcida, quadro social e estar com canais de diálogos abertos. Estamos vendendo imagem que clube está em dificuldade, mas é a realidade. Assumimos com o Botafogo com R$ 800 milhões em dívida, desde o primeiro momento disse que não tem milagre de uma hora para outra, não vamos sair da Série B e disputar a final do Mundial com Real Madrid, fazer a dívida desaparecer em dois, três anos. Tem que ser trabalhado, a dívida foi contraída em várias gestões, especialmente na que me antecedeu. Às vezes é difícil o torcedor entender, nos cobra um título de peso, estivemos perto em 2017, mas faltou um pouco mais porque nossos recursos são limitados. Essa avaliação constante é feita e vamos procurar não repetir erros cometidos em 2018.”

– REUNIÃO DE ANTECIPAÇÃO DE RECEITAS

“Essa reunião foi uma página negra na história do Botafogo. Não consigo imaginar torcedor entrar na sede do Botafogo com intenção de quebrar e destruir sede histórica, desrespeitando suas maiores tradições e ameaçando pessoas de mais idade. Quase atingiram com uma cadeira o Dr. Jorge Aurélio, presidente do Conselho Deliberativo. Era uma situação difícil, havia pedido de uma necessidade concreta de recursos. Em um momento como esse você é obrigado a ser favorável a algo que o clube depende. Ninguém mais que o presidente estava desconfortável naquele momento.”

– TROCAS DE TREINADOR

“O trabalho começou com Felipe Conceição, foi uma escolha a partir de uma determinada lógica, com a qual acho que foi equivocada. Veio o Alberto Valentim, que foi uma boa aposta e saiu por ofertas. Zé Ricardo bom treinador, Marcos Paquetá veio por pouca disponibilidade de recursos. Não dá para falar que foram erros, mas cobra um preço ter quatro técnicos em um ano. Foi mais uma questão de ter faltado um pouco sorte e não ter trocado tanto. Eu tive sorte, só três treinadores na minha caminhada, dois saíram em funções de terem pedido pelos bons resultados que tiveram. Faltou sorte e o momento financeiro também atrapalhou nesse caso.”

Fonte: Redação FogãoNET e Rádio Globo