A informação divulgada nesta terça-feira pelo blog Panorama Esportivo, no site do GLOBO, de que o Flamengo está interessado no Engenhão, e recebeu a informação de uma possível desistência do Botafogo em manter o estádio, pôs os dois clubes em rota de colisão, o que pode impedir o Flamengo de usar o estádio futuramente.

— Demitirei qualquer pessoa que tenha conversado com o Flamengo. E não permitirei que o Flamengo jogue no Engenhão — afirmou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. Já o do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, diz que não entende “por que isso aconteceria, já que o interesse no Engenhão nunca existiu”. Bandeira reafirmou que o Maracanã é a prioridade.

No entanto, o Panorama Esportivo apurou que um grupo de dirigentes rubro-negros está estudando saídas para o crônico problema de não ter casa, na impossibilidade de uso do Maracanã. Entre as opções, está o Engenhão. Segundo essas fontes, já houve inclusive sondagem do Flamengo, uma vez que o clube de General Severiano fechou um contrato de R$ 5 milhões para usar o estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador até dezembro, em paralelo à abertura do Engenhão pós-Jogos — mais um complicador para as finanças combalidas do alvinegro.

Segundo essas fontes rubro-negras, dirigentes alvinegros manifestaram indícios de que pretendem renegociar o contrato de concessão com a prefeitura. Uma possibilidade seria provar que houve descaracterização do estádio na adaptação dos Jogos. Assim, poderia ter saída legal e sem custos do contrato de concessão.

Procurado pela reportagem, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, negou veementemente tanto informações repassadas ao Flamengo quanto a suposta descaracterização do Engenhão.

O anúncio da devolução do Maracanã ao estado, feito na segunda pela Odebrecht, só aumentou as cogitações do Flamengo sobre o Engenhão.

Nas primeiras linhas do estudo de viabilidade que está sendo feito pelo Flamengo para um futuro uso do Engenhão, o fator econômico é crucial. Apesar de o Maracanã ter 70 mil lugares, cinco mil são destinados às cadeiras cativas. No Engenhão, seriam 45 mil limpos, fora as gratuidades.

No Engenhão, há menos camarotes e custo menor. Além disso, lá é mais fácil isolar os 10% da torcida rival, obrigatório em jogos de grande porte; no Maracanã, sacrificam-se 15 mil lugares atrás de um gol, o que reduz a capacidade para 50 mil, quase a do Engenhão.

— Estudo de viabilidade, qualquer um pode fazer, o que não significa que há negociação — disse Pereira.

Fonte: O Globo Online