O Botafogo convocou o Conselho Deliberativo para na próxima quinta-feira apreciar o orçamento de 2019, na sede de General Severiano. O Conselho Fiscal, entretanto, até agora, não emitiu o parecer, o que deve ser feito até a data da reunião da votação pelo Code. O LANCE! teve acesso ao documento, que aponta uma previsão de superávit de R$ 72.199.773,00. Apesar disto, o Botafogo aponta no relatório que “o ano de 2019 será um ano de muitos desafios, principalmente com as mudanças políticas e econômicas que o Brasil está inserido e o novo modelo de receitas de TV”.

No documento, englobando Companhia Botafogo e Botafogo de Futebol e Regatas, o orçamento de 2019 aponta R$ 251.683.492,00 de receita, sendo R$ 228.697.496,00 oriundo do futebol, do clube o valor de R$ 12.878.008,00, do remo o montante de R$ 2.720.000,00, dos esportes gerais R$ 1.701.440,00 e do Nilton Santos, R$ 5.686.548,00.

De despesas são apontados, no geral, R$ 133.657.087,00, sendo oriundo do futebol R$ 97.146.252,00, do remo R$ 2.723.812,00, do clube em si o valor de R$ 16.148.226,00, dos esportes gerais R$ 7.010.672,00, e do Nilton Santos R$ 10.628.126,00. Antes das deduções (impostos, amortizações e despesas financeiras), o resultado operacional para 2019 esperado é o de R$ 118.026.405,00. Depois das deduções de R$ 45.826.631,00 que se chega ao valor de superávit de R$ 72 milhões.

Na mesma reunião do Conselho Deliberativo do Botafogo, os conselheiros irão fazer a eleição para as vice-presidências comercial e institucional de Ricardo Rotenberg e Paulo Mendes, respectivamente. Também será votado o plano de metas do Botafogo para este 2019 (confira pontos no fim desta reportagem). No edital de convocação da reunião, assinado por Jorge Aurélio Ribeiro Domingues, presidente do Conselho Deliberativo alvinegro, também aparecem como pautas “aprovação ou não das atas das reuniões de 18/9/2018 e 16/10/2018”, além de informes do Conselho Diretor.

Confira abaixo o orçamento na íntegra, detalhado, o qual oLANCE! teve acesso!

FUTEBOL PROFISSIONAL

O futebol profissional do Botafogo tem números significativos no orçamento de 2019. O clube projeta R$ 37,2 milhões com receitas de publicidade e patrocínio, como placas publicitárias. Mais R$ 40 milhões são esperados de receitas com direitos econômicos sendo vendidos. R$ 16 milhões são esperados com patrocínios do uniforme, Ainda em patrocínios, somados direitos de marketing e patrocínios de exclusividade, são esperados R$ 5,5 milhões. De despesas com atletas profissionais no ano o Alvinegro calcula R$ 36 milhões (R$ 3 mi mensal).

Falando no Campeonato Carioca, o Botafogo espera de direitos de transmissão R$ 18,6 milhões de receita (divididos em R$ 9,3 milhões de televisão aberta, R$ 8,8 milhões de PPV e R$ 465 mil em televisão por assinatura). Com bilheterias, o Botafogo espera na disputa do Estadual o valor de R$ 2,2 milhões. Levando em consideração todas as receitas e despesas, o Botafogo orça terminar o Carioca com lucro de R$ 13,1 milhões.

No Campeonato Brasileiro os números orçados são maiores. De direitos de transmissão o Botafogo espera de receita R$ 83,6 milhões (divididos em tv aberta com R$ 61,6 milhões e R$ 21,9 milhões de PPV). R$ 3,7 milhões são esperados em bilheteria. É espero pelo Botafogo terminar o Campeonato Brasileiro com um resultado positivo de R$ 94,1 milhões.

Há apontado como receita com direitos econômicos o valor de R$ 40 milhões. R$ 11,1 milhões são esperados como receita de participação em competições. R$ 5 milhões são esperados de receita de aluguel. Projetando os desempenhos da equipe profissional nas competições ao longo da temporada, o Botafogo acredita que chegará no mínimo no oitavo lugar do Campeonato Brasileiro, além no mínimo das oitavas de final da Copa do Brasil e Conmebol Sul-Americana.

O programa de sócio-torcedor do Botafogo aparece no orçamento do departamento de futebol profissional e é esperado uma receita de R$ 6 milhões para este ano.  R$ 3,6 milhões de despesas foram orçadas para o programa, que tem no planejamento terminar a temporada com um resultado positivo de R$ 2,4 milhões.

O futebol feminino também consta no orçamento do departamento profissional, com uma receita em 2019 prevista em R$ 0. A despesa e o resultado negativo para a modalidade é orçada pelo clube em R$ 1.079.998,00.

FUTEBOL DE BASE

Chegando aos números das categorias de base do Botafogo, o clube espera neste 2019 no “junior” encerrar 2019 com resultado negativo de R$ 361 mil. No “juvenil”, negativo em R$ 139 mil. Já no “infantil”, R$ 98 mil e, no mirim, R$ 56 mil. No futsal de base, R$ 253 mil são esperados de despesa e resultado negativo, enquanto R$ 780 mil de déficit no centro “atletas em formação”.

ESPORTES GERAIS

Na equipe de basquete, o Botafogo projeta de despesa no ano o valor de R$ 2,4 milhões. Na escola de basquete há a projeção de lucro em R$ 9 mil. A “secretaria da escola de esportes complexo” do Botafogo termina o ano no orçamento com déficit de R$ 1 milhão. No futebol society são esperados de receita R$ 70 mil, enquanto de despesa R$ 69 mil, com R$ 1 mil de lucro. A escola de natação tem R$ 640 de resultado positivo, com a hidroginástica em R$ 16 mil de resultado positivo.

Na escola de futsal, o Botafogo acredita que terá R$ 78 mil de receita e R$ 75 mil de despesa, com resultado positivo de R$ 3 mil. A escola de vôlei conta com projeção de receita em R$ 60 mil e R$ 50 mil de despesas, com 2019 acabando no lucro de R$ 10 mil. Já a equipe de vôlei tem uma previsão de receita de R$ 528.240,00, com R$ 528.241,00 de despesa, resultando em um resultado negativo de R$ 1. A escola de povo tem orçado lucro de R$ 12 mil.

REMO

A tradicional equipe de remo do Botafogo tem no orçamento de 2019 a receita de R$ 1,9 milhão, com R$ 2 milhões de despesas, um resultado negativo de pouco mais de R$ 10 mil. Por sua vez, a escola de remo tem a previsão de terminar a temporada com um resultado positivo de R$ 194 mil.

ESTÁDIO, PATRIMÔNIO E ADMINISTRAÇÃO

A vice-presidência de administração de estádios prevê terminar 2019 com um déficit de R$ 1,5 milhão. No total, aparece no consolidado do orçamento do estádio de receita neste ano o valor de R$ 5,6 milhões, com R$ 10,6 milhões de despesa, terminando a temporada com resultado negativo de R$ 5 milhões.

Já na pasta do patrimônio, na categoria administração, são esperados de receitas em 2019 R$ 4 milhões, com R$ 1,3 milhão de despesa, um resultado positivo de R$ 2,7 milhões. Com manutenção e obras, apenas despesas estão orçadas para esta temporada no montante de R$ 1,3 milhão.

Na pasta administrativa, na sede, são orçados de receita o valor de R$ 4,9 milhões, com R$ 3,4 milhões de despesas e um resultado positivo ao fim da temporada de R$ 1,5 milhão. No departamento de compras, apenas despesas em R$ 96 mil. A sede de Jacarepaguá é outro ponto que no orçamento aparecem somente despesas – no montante de R$ 110 mil.

DEPARTAMENTOS SOCIAL, COMUNICAÇÃO SOCIAL E JURÍDICO

Na vice-presidência social, no tópico de gestão de eventos sociais, o Botafogo tem orçado para 2019 apenas despesas – em R$ 112 mil. Já no departamento de comunicação social, assessoria de imprensa, o Alvinegro tem orçado receitas em R$ 319 mil, com R$ 734 mil de despesas, terminando com cerca de R$ 414 mil de resultado negativo na temporada. Por fim, no departamento jurídico, o orçamento apresenta R$ 2,7 milhões de resultado negativo ao longo do ano.

Ainda relacionado ao jurídico, R$ 66 milhões de despesas não operacionais nesta temporada, destas R$ 21 milhões de pagamento de ato trabalhista (que contam com processos os quais o Botafogo foi condenado a pagar até o fim de 2014). R$ 150 mil por mês estão previstos para novos acordos nas áreas cíveis e trabalhistas, sendo metade para cada.

COMERCIAL, MARKETING, FINANCEIRO E CONSELHOS

O departamento de marketing do Botafogo tem no orçamento de 2019 apenas despesas, com um resultado negativo de R$ 1,2 milhão. O departamento comercial já prevê receitas nesta temporada – no montante de R$ 2,6 milhões -, com resultado positivo de R$ 1,9 milhões, já deduzindo as despesas previstas. Já o departamento financeiro conta com déficit de R$ 798 mil, com a controladoria terminando no negativo em R$ 282 mil e a contabilidade também no valor negativo de R$ 660 mil.

Aparece como receita de antecipação do PPV 2020, para o mês de fevereiro deste ano, o valor de R$ 7,5 milhões. Estão apontados também ajuste de R$ 11 milhões referente ao pagamento do adiantamento feito pelo Grupo Globo em 2015, e de R$ 40 milhões a serem descontados em cinco parcelas na ocasião – três de R$ 6 milhões em 2016, 2017 e 2018 e duas parcelas de R$ 11 milhões em 2019 e 2020.

A secretaria do Conselho Deliberativo do Botafogo tem orçado resultado negativo em 2019 de R$ 207 mil, com a presidência com R$ 132 mil de resultado negativo. Em “restos a pagar” há a marcação de R$ 33,6 milhões, para “demonstrar total transparência em relação à situação financeira do clube”.

O PLANO DE METAS

Também passará por deliberação no Conselho Deliberativo do Botafogo na próxima quinta-feira o plano de metas para 2019. O clube espera pontos como:

– Reduzir a dívida do clube (gerar superávit bruto mínimo de R$ 72,3 milhões em 2019 e amortizar em 2019 no mínimo R$ 54 milhões nos parcelamentos, acordos, mútuos);
– Reduzir o custo financeiro da dívida (reduzir em 2019 as despesas financeiras para R$ 19 milhões);
– Reduzir os riscos de bloqueios de receitas (diminuir ao longo de 2019 o impacto de penhoras cíveis e trabalhistas no fluxo de caixa);
– Obter recursos de patrocínio junto a órgãos públicos (manter as Certidões Negativas de Débito neste 2019);
– Reduzir a alta dependência da TV nas receitas do clube;
– Aumentar a satisfação e a confiança da torcida com a equipe de futebol (classificar o clube para a Libertadores em 2020 e estar entre as cinco primeiras posições do ranking nacional da CBF);
– Aproximar mais o clube de seu torcedor (manter o alto nível de engajamento nas redes sociais, crescer em 10% o número de seguidores no Instagram e no canal do Botafogo no Youtube, e em 5% no Facebook e Twitter);
– Implementar até julho um novo Ato Trabalhista, incluindo ações a partir de 2015 com fator gerador de 2014;
– Fomentar a criação de um Ato Cível para a centralização de pagamentos de ações cíveis;
– Priorizar o pagamento de salários, impostos e encargos;
– Desenvolver uma gestão comercial focada para o futebol e operacionalizar o novo CT.

Fonte: Terra