Pela segunda vez, o Botafogo jogará a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Não bastasse a crise técnica, o Glorioso sofreu por conta da falta de dinheiro, e erros cometidos pelo ex-presidente Mauricio Assumpção, que fez com que o ambiente ficasse ainda mais conturbado.

Saiba alguns dos bastidores de um dos piores momentos da história da Estrela Solitária.

SHEIK: IRONIAS E QUESTIONAMENTOS SOBRE A GRANDEZA DO BOTAFOGO

Apesar do empenho dentro de campo e das boas atuações, internamente, o comportamento de Emerson Sheik foi bem longe do que se espera de um bom profissional. A postura do atacante incomodava parte do grupo e integrantes do departamento de futebol. Além de dar alguns “ataques” por conta da falta de estrutura do clube, para muitos, ele passava do ponto nas críticas. Certa vez, Emerson perguntou a um companheiro quantos títulos brasileiros o Botafogo tinha. Ao receber a resposta, ele riu e ironizou, contestando a grandeza do Alvinegro. Assim como outros atletas, ele criticava a falta de estrutura por conta da crise financeira. Mas, o que causava o constrangimento de alguns, era a forma debochada e exagerada dele. Vários atletas mostravam suas insatisfações diariamente, mas o tom de Sheik soava de forma desrespeitosa para alguns funcionários do clube.

O atacante também não escondia de ninguém o descontentamento por estar em General Severiano. Um dia, na frente de outros colegas, em uma das críticas à falta de equipamentos, o atacante fez questão de deixar claro: “Olha onde eu vim parar…”.

VAGNER MANCINI: DISCURSO FURADO  

Apontado por muitos como um dos menos culpados pelo rebaixamento, o técnico Vagner Mancini está longe de ser uma unanimidade no grupo. Suas desculpas após as derrotas não pegavam bem para alguns jogadores. Para muitos, transferia sua culpa. Deixou Jefferson, principal jogador do time, irritado, com críticas feitas no episódio da volta dele da Seleção para o jogo com o Santos, pela Copa do Brasil.

No início, reclamava da condição física do elenco. Com a chegada do preparador físico de confiança Moracy Santana, em coletivas, dizia que o time ganharia corpo com o passar dos jogos, o que não aconteceu. Mas o que incomodou mesmo, foi declarar várias vezes que atuava mais como psicólogo do que treinador. Explica-se: no decorrer da competição, Mancini diminuiu a participação dos psicólogos contratados do clube com os atletas. Antes, os profissionais atuavam livremente com Eduardo Húngaro e Oswaldo de Oliveira.

Após a derrota para o Atlético-PR, nos corredores do Engenhão, alguns jogadores não escondiam a insatisfação com o treinador e diziam-se incrédulos com a permanência do mesmo, diante de tantos resultados negativos.

JEFFERSON: RESPEITO E ADMIRAÇÃO

O goleiro Jefferson é o jogador mais respeitado por todo o departamento de futebol. Reclamava diversas vezes dos salários atrasados, e não escondia a insatisfação nas entrevistas ao falar do ex-presidente. Mas procurava manter o foco, não se misturando e mantendo a postura séria nos treinamentos, com poucas palavras. Ídolo da torcida e capitão do time, sempre foi um dos líderes do grupo, mas de forma tranquila, com a admiração de vários jogadores, aconselhando-os, principalmente os goleiros reservas.

BOLÍVAR: O “VERDADEIRO” CAPITÃO

Mesmo na época de Seedorf, o zagueiro sempre foi tido como o principal líder pelos companheiros. Com discurso forte e apoiado em conquistas importantes no currículo, o General inflamava o grupo com palavras de incentivo antes dos jogos. Era o que mais contestava a diretoria por conta dos salários atrasados, por isso, Mauricio Assumpção tentou afastá-lo no primeiro semestre. Teve que voltar atrás, já que Bolívar tinha todo o grupo do lado dele.

CARLOS ALBERTO: EMPENHO EM VÃO

Carlos Alberto tem fama de polêmico, mas nesta passagem no Botafogo, o meia procurou se dedicar aos treinamentos, apostando no retorno do seu bom futebol.  Mesmo sem condições ideais, pediu pra jogar algumas vezes, como foi contra o Fluminense. Apesar da entrega, a comissão técnica detectou, junto ao departamento médico, o principal problema do jogador: o meia não conseguia ter a recuperação necessária depois do jogos. Seu corpo já não responde com a mesma intensidade, por isso, jogava uma partida e parava por algum tempo.

AÍRTON E JOBSON: OS CORAJOSOS 

Internamente o volante Aírton é bem diferente daquele marcador feroz nos campos que, por diversas vezes, exagera em entradas nos rivais, mas, que em alguns jogos teve o nome gritado pela torcida, devido ao empenho. Ele é bem tímido e procura não se envolver em polêmicas. Falava pouco e mesmo se recuperando de lesão, assim como Jobson, pediu pra atuar na reta final do Brasileiro, com apoio da comissão técnica e do departamento médico, que deram suporte para que pudessem entrar em campo.

ANDRÉ BAHIA: POSTURA EXEMPLAR

O zagueiro foi sondado pelo Fluminense no meio do ano, mas no mesmo período, ganhou a titularidade e quis ficar. Assim como Jefferson, André Bahia evitava fazer brincadeiras e não gostava da postura inadequada de alguns companheiros. Estava quase sempre sério e orientando os mais jovens.

PROFESSOR GABRIEL

Assim como André Bahia, o volante Gabriel procurava encorajar a garotada, ressaltando a oportunidade que eles estavam tendo. Determinado, mesmo com apenas 22 anos, acabou virando espelho e conselheiro dos novatos, descontraindo e os deixando mais tranquilos.

O CHORO DE RODRIGO SOUTO

Após a vitória contra o Corinthians, em Brasília, no returno, Rodrigo Souto chegou no vestiário em prantos. Assim como outros atletas, estava emocionado pela suada vitória por 1 a 0 sobre uma equipe muito superior. A postura do volante comoveu alguns membros da comissão técnica e o jogador passou a ter mais chances entre os titulares. Volante de origem, chegou a atuar alguns jogos improvisado como zagueiro.

GOTTARDO: DISCUSSÕES E DESGASTE

Wilson Gottardo foi chamado no meio da crise para assumir a diretoria de futebol. Aceitou o desafio. Em seus primeiros discursos, convenceu parte do grupo que via nele um profissional com boas intenções. Mas discussões com Edilson e Jefferson, arranharam imagem do dirigente. Alguns jogadores acham que ele poderia ter se posicionado ao lado do grupo em determinados momentos, de forma mais efetiva.

ZEBALLOS: TIMIDEZ E CONSTRANGIMENTO

O paraguaio pouco falava e procurava evitar atritos. Das poucas vezes em que colocou sua opinião para alguns companheiros, mostrou-se chateado com a postura de Emerson Sheik, que sempre gesticulava em campo após um erro dele, ao invés de apoiá-lo. Criticado pela torcida, o atacante foi o artilheiro do Botafogo em 2014.

GAROTADA ASSUSTADA

Os mais jovens não conseguiram dar a resposta necessária dentro de campo. Alguns deles ficavam constrangidos com as reclamações dos mais experientes pela falta de estrutura do clube, e acabavam se distanciando.

Fonte: Blog Sem Firula - Cláudio Portella - Fox Sports