O Botafogo passará por um dos dias mais importantes de sua história. Nesta quinta-feira, o projeto que pode transformar o modelo de gestão do Alvinegro para um clube-empresa será colocado em pauta e posto em votação ao Conselho Deliberativo em General Severiano, sede social do Glorioso.

A Botafogo S/A é um assunto recorrente no dia a dia do Alvinegro desde, pelo menos, o meio do ano. A ideia foi iniciada com Walter e João Moreira Salles, que encomendaram, junto à empresa de auditoria Ersnt & Young, um estudo financeiro do clube, com o objetivo de saber as dívidas e quais seriam os detalhes que os possíveis investidores teriam que arcar caso realmente comprassem a ideia de injetar dinheiro no Alvinegro.

O projeto foi apresentado a um grupo restrito no Botafogo, formado por cardeais de importância, como Nelson Mufarrej, atual presidente, e Carlos Augusto Montenegro, presidente do clube entre 1994 e 1996, entre outros, e aprovado de forma praticamente unânime. O mandatário atual abriu mão de parte do seu “poder” e, tendo noção que o atual modelo de gestão não era benéfico para o clube, permitiu a continuidade do projeto.

Aos poucos, a ideia foi se consolidando. O projeto financeiro foi sendo repassado e a comunicação com possíveis novos investidores foi iniciada, mesmo que ainda de forma leve – já que ainda não havia nenhum tipo de garantia a quem ficasse interessado no Botafogo. Mesmo assim, o projeto estava se moldando e virando, passo a passo, realidade.

O que muda?

Os encontros entre o grupo responsável por cuidar da S/A se tornaram semanais e a ideia de alterar a gestão se tornou um fato. Com a mudança para o clube-empresa, o departamento de futebol do Botafogo será separado do núcleo social – ambos, portanto, serão independentes.

Cláusulas contratuais, dívidas, questões envolvendo o Estádio Nilton Santos, futebol de base e construção do CT serão repassadas ao Botafogo S/A. O primeiro objetivo do clube-empresa será liquidar as dívidas que podem gerar algum tipo de ameaça – dentro ou fora de campo – ao clube em curto prazo. À parte social, sobrará a questão envolvendo os esportes olímpicos e a manutenção da sede de General Severiano.

Em novembro, alguns conselheiros tiveram acesso à parte do estudo financeiro e à apresentação que detalhava trâmites do processo. Agora, será a vez de todos os conselheiros terem acesso aos documentos.

– Já está tudo definido. A apresentação está pronta, vai ser feita a todos os conselheiros, Grandes Beneméritos e Beneméritos, a imprensa vai estar lá e é importante isso. É um passo muito importante. Eu, como presidente do clube, considero importante a liderança que eu tive no sentido de nós fazermos esse projeto de clube-empresa – afirmou Nelson Mufarrej.

Com tudo preparado, os detalhes financeiros e estratégicos de um clube-empresa serão apresentados aos conselheiros, que votarão pela mudança da gestão. Internamente, a tendência é que o clube-empresa seja consolidado e o Botafogo consiga novos ares em 2020.

Mesmo que tudo seja aprovado, o Botafogo não mudará para um clube-empresa de um dia para o outro. O S/A ainda vai depender de um tempo para a entrada de investidores e mudança de registros. Enquanto isto não ocorre, as questões do clube, como contratações, serão resolvidas por um comitê de gestão, formado por Nelson Mufarrej, Carlos Augusto Montenegro, Manoel Renha, Cláudio Good e Ricardo Rotenberg.

Fonte: Terra