Foi recomendado pelo Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios) que o percentual de visitantes em Vasco x Fluminense, sábado, em São Januário, seja de 5%. Mas este segmento da Polícia Militar do Rio de Janeiro admite autorizar os 10% determinados pelo regulamento da Série A do Campeonato Brasileiro em clássicos cariocas que aconteçam no Maracanã ou no Nilton Santos, o popular “Engenhão”.

Isso pode gerar distorções, desequilíbrio técnico, punindo Botafogo e Fluminense, que devem mandar suas partidas contra rivais locais nos dois maiores estádios da cidade. Se o Flamengo levar clássicos para a Ilha do Governador, como pretende fazer já no dia 4 de junho, diante dos botafoguenses, o Gepe adianta que lá também determinará 5% para os visitantes, o que significaria cerca de mil ingressos.

“Há a necessidade de criar uma área de segurança entre as duas torcidas”, argumenta o Major Silvio Luiz, que comanda o grupamento. Na reformulação que fez na cancha da Portuguesa, os flamenguistas criaram um setor isolado para as torcidas de seus adversários, onde cabem aproximadamente o dobro das pessoas que a PM promete ali permitir nesses duelos locais. Mas a PM deve cortar 50%.

Evidentemente essa diferença no percentual de visitantes pode criar desnível tecnico, com uns podendo levar muito mais torcedores para apoiá-los do que outras equipes. Mas poucos parecem se importar. “Minha preocupação é com a segurança da torcida visitante, as questões dos jogos de ida e volta os clubes costumam conversar e resolver”, argumenta o Major.

Em meio a tantas interferências e desequilíbrio, o futebol carioca vai perdendo, pouco a pouco, um de seus maiores patrimônios culturais: as duas torcidas podendo dividir o Maracanã em clássicos. Triste pelas novas gerações, eles nunca saberão o que era aquilo, o que foi a mágica atmosfera do “Maraca” lotado e dois lados duelando no grito pelo time de coração. Coveiros do futebol, malditos sejam.

Fonte: Blog do Mauro Cezar Pereira - ESPN.com.br