Em meio a crise, presidente do Botafogo se inscreve em curso de gestão no futebol

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A situação do Botafogo é complicada. O time alvinegro somou apenas 13 pontos em 14 rodadas e está na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Além disso, tem 100% de receitas bloqueadas e deve pelo menos dois meses de salários aos atletas. Em meio a esse caos, o presidente Maurício Assumpção se inscreveu em um curso de gestão técnica no futebol.

Assumpção é um dos 150 inscritos na terceira turma de gestão técnica no futebol, curso online desenvolvido pela Universidade do Futebol. As atividades tiveram início em agosto deste ano, com duração de quatro meses.

“Estou fazendo o curso pois entendo que o aprendizado contínuo deve fazer parte de toda atividade profissional”, escreveu Assumpção em sua mensagem de autodescrição e boas vindas.

Cirurgião-dentista de formação, Assumpção é pós-graduado em quatro especialidades odontológicas e tem MBA em gestão e marketing esportivo. O presidente está no segundo mandato à frente do Botafogo – a eleição para substitui-lo está marcada para 25 de novembro desde ano.

Os últimos meses da gestão de Assumpção têm sido marcados pela grave crise financeira. Recentemente, após ação do Sindiclubes (Sindicato dos Empregados de Clubes do Rio de Janeiro), o Botafogo conseguiu R$ 2,5 milhões para pagar salários atrasados. Torcedores ilustres da equipe alvinegra aceitaram reunir recursos e custear os valores que seis atletas recebem em carteira.

Os dois aportes ajudarão o Botafogo a sanar contas futuras, mas o clube ainda busca engenharia para bancar os atrasados. O clube deve dois meses de salários e seis de direitos de imagem.

Na última quarta-feira (10), a diretoria esteve reunida com jogadores e comissão técnica antes do início do treino da tarde. O encontro atrasou em cerca de uma hora o início da atividade.

A próxima aposta da diretoria alvinegra é uma reunião marcada para 21 de agosto. Nessa data, o Botafogo tentará voltar ao Ato Trabalhista e se livrar de penhoras de receitas – desde que pelo menos 20% de suas receitas sejam destinadas ao pagamento de débitos dessa seara.

Se tiver sucesso nessa empreitada, o Botafogo voltará a receber receitas como bilheteria, direitos de TV e venda de atletas. A diretoria não coloca isso como solução absoluta para o clube, mas seria um paliativo importante.

Por outro lado, o Botafogo é um dos clubes mais ativos no lobby favorável à lei de responsabilidade fiscal do esporte (LRFE). O mecanismo vai refinanciar dívidas dos clubes brasileiros mediante a algumas contrapartidas, mas ainda não tem data para entrar na pauta do Congresso.

No início de agosto, em entrevista à “ESPN”, Assumpção admitiu que está ansioso para a aprovação da LRFE. Sabatinado pelo canal fechado, ele admitiu que não paga impostos há oito meses. Nos seis anos de gestão do atual presidente, a dívida do Botafogo subiu de R$ 230 milhões para R$ 700 milhões.



Fonte: UOL
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