A família de Jobson acusou a Polícia Militar de agir com excessos no episódio que culminou com a prisão do ex-jogador do Botafogo, na sexta-feira (4), em Conceição do Araguaia, no Pará. O atleta foi detido acusado de dirigir sob efeito de álcool e vai responder processo criminal também por resistência à voz de prisão e desacato.

Segundo Domingas Ananias de Oliveira, tia do atacante, ele foi vítima de truculência policial. “Deram um murro no nariz dele, chamaram de neguinho. Três policiais bateram nele. Apontaram arma para um amigo dele, empurraram o meu pai no chão quando ele tentou defendê-lo. É perseguição”, revolta-se, sobre a prisão, na casa da família.

A cena teria sido gravada por celular por agentes de seguranças envolvidos na ação. Imagens do momento da prisão foram espalhadas em grupos de WhatsApp.

De acordo com a versão de Jobson, a confusão começou quando ele se divertia com dois amigos, a irmã e a namorada, Sandra, num bar à beira do rio Araguaia. Policiais militares que circulavam pelo local abordaram o jogador por causa do som alto que  vinha do carro dele, uma Range Rover.

“Pediram para baixar o som, ele fez. Voltaram a pedir para baixar. Foi quando Jobson disse que iria embora, porque estavam de complô contra ele. Pagou a conta e seguiu de carro até a casa da mãe dele. Quando chegou já tinha dois policiais da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) esperando por ele”, relata Domingas. Ela diz que Jobson negou que os PMs tenham sinalizado para ele parar com o carro: “Em nenhum momento eles viram polícia atrás dele”.

Outro lado

Antônio Miranda, superintendente regional da Polícia Civil regional do Araguaia, nega a versão da tia do jogador. Ao UOL Esporte, conta que a abordagem seguiu os padrões da Polícia Militar. “Não há nenhum indício de que houve um excesso.  É um procedimento que independe de quem seja envolvido, famoso ou anônimo. Como paraense, não gostaríamos de ver um conterrâneo nosso, que poderia ser motivo de orgulho para a população, envolvido em um episódio como esse”, diz.

Miranda aponta que no boletim de ocorrência feito para registrar o incidente os policiais alegam que o jogador não parou o seu automóvel ao ser abordado. Após uma pequena perseguição, ainda segundo os policiais, ele tentou se esconder na casa da família.

Jobson ficou quase 48 horas detido na delegacia local. Só saiu após pagar fiança e agora vai responder o processo em liberdade.  Por causa da ação criminal, o atleta não poderá deixar a cidade sem comunicar a Justiça.

Procurado pelo UOL Esporte, o advogado do jogador no Rio, Alexandre Lopes de Oliveira, afirmou que não está acompanhando o caso. A família de Jobson não soube afirmar o nome do advogado que está defendendo o jogador.

A reportagem também tentou entrar em contato com Jobson. Ao ser questionado, por mensagem de celular, se tomaria alguma medida judicial por causa da truculência policial limitou-se a dizer que “sim”. A tia do jogador afirmou que o vídeo gravado por policiais será encaminhado ao Ministério Público como prova da denúncia de excessos.

Atleta tem histórico de desacato

Afastado do futebol profissional após ser considerado culpado em um caso de doping, Jobson Leandro Pereira de Oliveira já respondia um processo por crime de trânsito, seguido de desacato e resistência. Em agosto de 2013, ele foi detido em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, após se negar a parar seu automóvel durante uma batida policial.

O episódio virou uma ação criminal. Em maio deste ano, a Justiça de São Paulo revogou uma ação de suspensão condicional do processo após Jobson não se apresentar à audiência que  discutiria o benefício. Lopes de Oliveira, que defende o jogador no caso, diz que prepara uma defesa para garantir, em juízo, que a ação seja suspensa.

No caso de doping, Jobson está suspenso do esporte até 2018. O vínculo com o Botafogo, time que defendia quando foi afastado, terminou no mês passado.

Fonte: BOL Notícias