A polêmica envolvendo o tabelamento de preços e a adoção da meia-entrada universal nos jogos do Campeonato Carioca-2015 segue a todo vapor, bem como a tensão nas relações da dupla Fla-Flu e do Consórcio Maracanã com a Ferj. O Estadual pode ficar sem o palco da final da última Copa do Mundo, e Rubro-Negro e Tricolor estudam até a criação de uma liga independente de clubes em meio aos desentendimentos.

Sob o ponto de vista do público, no entanto, a redução do preço mostrou algum sucesso no primeiro dia de competição. Dono de uma média geral de 3.198 torcedores por partida na edição de 2014 do Estadual, o Botafogo teve 4.512 pagantes na vitória sobre o Boavista, em São Januário – uma melhora de 41%. Comparado à estreia no ano passado – empate em 1 a 1 com o Resende em Volta Redonda, com 1.665 pagantes -, o crescimento foi de cerca de 170%.

O público ainda foi pequeno em relação à capacidade de São Januário – cerca de 25 mil lugares -, bem como ao tamanho da torcida do Botafogo. Apesar disso, os jogadores elogiaram o comportamento e agradeceram o apoio dos fãs em uma tarde chuvosa no Rio de Janeiro.

No lado do Flamengo, os números também indicam crescimento. O clube rubro-negro registrou 12.550 pagantes diante do Macaé, em oposição a 8.444 da média de 2014 (diferença de 48%) e 10.552 da estreia do ano passado contra o Audax, no Maracanã (diferença de 19%). Com capacidade para cerca de 15 mil torcedores, o estádio Moacyrzão esteve quase lotado neste sábado para assistir ao empate em 1 a 1.

Segundo o tabelamento estipulado pela Ferj, os ingressos para o jogo do Botafogo em São Januário custaram R$ 15 (arquibancadas) e R$ 25 (cadeiras sociais). Já o empate do Flamengo teve os bilhetes de arquibancada vendidos a R$ 20.

Divergências

O argumento da dupla Fla-Flu contra as medidas tomadas este ano baseia-se nos custos. O Rubro-Negro tem um acordo com o Consórcio Maracanã segundo o qual deve arcar com parte da operação dos seus jogos no estádio, tornando-o, segundo o clube, uma praça inviável financeiramente diante dos preços tabelados e da meia-entrada compulsória.

O Tricolor, por sua vez, joga “de graça” no Maracanã, mas deve pagar as diferenças entre os preços “cheios” dos bilhetes e as meias-entradas compulsórias para torcedores que tenham aderido ao seu programa de sócio-torcedor, o que também lhe causaria prejuízo.

O Consórcio Maracanã também manifestou descontentamento com os barateamentos, e tem na utilização do estádio para shows e outros grandes eventos uma medida alternativa aos jogos do Estadual. A concessionária classificou a competição como “deficitária” em nota oficial divulgada na última semana.

A última tentativa de diálogo a respeito do impasse terminou em mais desentendimento. O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, alegou ter sido xingado pelo mandatário da Ferj, Rubens Lopes, durante reunião do Conselho Arbitral na última sexta-feira. O dirigente garantiu que recorrerá à Justiça Comum.

Fonte: ESPN.com.br