O atacante do Rio Branco (ES) Loco Abreu revelou, em entrevista ao Esporte Espetacular, exibida neste domingo, que esteve próximo de retornar ao Botafogo no final do ano passado. Loco contou que visitou General Severiano, durante as férias no Rio, em dezembro, e recebeu o convite do vice de futebol do clube Gustavo Noronha, um dia depois de acertar com os capixabas. Aos 42 anos e com 28 clubes no currículo, o uruguaio também contou que não pensa em aposentadoria e que vai “vai viver cada dia como se fosse o último”.

– Ele [Noronha] me recebeu na salinha dele e perguntou: “E aí, garoto. Tá pronto pra se apresentar em janeiro e fazer a pré-temporada?” Eu perguntei se estava falando sério, e ele disse que sim. Segundo ele, havia a aprovação de diretoria, presidente e treinador. Imagina como eu fiquei? – disse Abreu

O jogador já havia acertado a disputa do Campeonato Capixaba na véspera, em encontro com o presidente do Rio Branco, Luciano Mendonça, em que assinou o contrato válido até abril.

– Sou um cara que não consegue administrar as emoções. Fiquei triste, e o Gustavo achava que minha cara seria outra. Expliquei que no dia anterior tinha dado minha palavra ao Rio Branco. Poderia chegar para o Luciano e dizer o que tinha acontecido, que mexeu com meu coração. Mas não consigo ser assim. Imagina o sonho e a vontade que tenho de voltar ao Botafogo, mas não tinha como desfazer tudo.

Loco disputou 106 jogos pelo Botafogo entre janeiro de 2010 e julho de 2012. Dono de personalidade marcante, tornou-se rapidamente ídolo da torcida alvinegra, com 64 gols pelo clube. Ele é também o maior artilheiro do estádio Nilton Santos, onde balançou as redes 42 vezes.
Sobre aposentadoria, o uruguaio contou que ainda não faz planos.

– Todo mundo vai morrer, né? Se todo dia eu vou pensar que vou morrer, vou estar triste todos os dias. Então se eu pensar que vou aposentar, vou estar todo dia triste. Então vou curtir cada dia como se fosse o último, e vai chegar um dia que vai ser o último. Aí a cabeça vai estar mais pronta e melhor. Trato de colocar minha cabeça sempre no positivo, positivo, positivo. Lógico que esse momento está pronto para chegar, a gente tem que viver a realidade. Mas eu vou fazendo teste ano a ano. Se eu consigo treinar bem, jogar sem sentir desconforto muscular, continuo sendo participativo, competitivo, eu sempre vou um pouquinho mais. Vai chegar um momento em que não vou conseguir. Vai chegar alguém e falar que estou chegando tarde nas jogadas, não estou enxergando o jogo, não estou entrando no sistema tático. Aí com certeza que vou falar: deu – finalizou.

Fonte: Terra e Esporte Espetacular