O consultor Amir Somoggi vive debruçado sobre os números que envolvem receitas e despesas dos clubes brasileiros. E eles são de assustar. Há torcedores que agem como o parente que se nega a aceitar que seu clube é como uma pessoa da família com uma doença grave. Que tem cura. Contudo, o tratamento é duro e demorado. Não encarar os fatos, e os números, é dar aval aos dirigentes que levam camisas importantes a isso.

Abaixo você confere a planilha de Somoggi com a evolução das dívidas dos clubes entre 2011 a 2014. É possível observar a evolução percentual do período, somente em um ano e nos quatro últimos. “Até 2011 havia uma concentração de grandes dívidas nos já tradicionais, Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense e Atlético Mineiro, mas outros entraram no grupo. Devem tanto que se aproximam dos de cima”, adverte.

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Planilha mostra o endividamento dos principais clubes brasileiros
Planilha mostra o endividamento dos principais clubes brasileiros

A planilha de déficits, abaixo, mostra como cada um fechou o ano e também o acumulado. “Os clubes de fora do eixo RJ-SP, e mesmo eles, aumentaram o endividamento para acompanhar outros, naquela corrida do ouro, todos tentando ser campeões, a qualquer custo. E sempre é bom destacar que nossas competições não são viáveis financeiramente. Tanto que mesmo os campeões estão com rombos financeiros enormes”, ressalta Amir Somoggi.

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Nesta planilha é possível observar os déficits dos clubes de futebol do Brasil
Nesta planilha é possível observar os déficits dos clubes de futebol do Brasil

Ele destaca dois clubes como fora dessa roda viva que os leva para um perigoso caminho. “Os pontos positivos são Flamengo e Atlético Paranaense. O primeiro pela redução da dívida e o segundo porque permanece equilibrado, mesmo com seu endividamento com a arena”, explica. Importante: o Furacão lança em seus balanços o custo do estádio, o que não acontece, por exemplo, com Corintians e Internacional, que também têm “arenas” da Copa 2014.

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O consultor Amir Somoggi
Amir Somoggi: balanços reveladores

Para o especialista, chama a atenção o fato de os dois melhores times do Brasil em 2014 (os mineiros Cruzero e Atlético, respectivamente campeões brasileiro e da Copa do Brasil) fecharem com déficits e aumento de dívidas o ano passado. “Isso mostra claramente que sem regulação os clubes não mudarão seu modelo de gestão. Dos dois gaúchos o em pior situação é o Grêmio. Ambos viram suas dívidas aumentarem e não há viabilidade financeira”.

O Internacional, após semanas buscando, obteve empréstimo bancário de aproximadamente R$ 50 milhões. O intuito é alimentar o fluxo de caixa e quitar dívidas de curto prazo. “Inter, São Paulo e Corinthians têm as maiores folhas salariais do Brasil. Isso obriga, por conta da alavancagem, a buscar empréstimos, que geram despesas financeiras. E no final do ano elas contribuem com os déficits”, explica.

A conclusão é uma só: os clubes têm altos custos e as receitas não acompanham. E um esforço absurdo é feito por alguns. Tudo isso para poder se equiparar aos demais. “E o que digo é que estão todos indo juntos para o buraco”, define Somoggi.

Fonte: Blog do Mauro Cezar Pereira - ESPN.com.br