Marcelo Guimarães é candidato do “Grande Salto”. Ex-diretor de marketing do Botafogo – ele foi demitido em 2012 pelo presidente Maurício Assumpção -, Marcelo terá como vice na Chapa Cinza Edson Santana, que teve passagens pelo Botafogo como vice de futebol nos anos 90.

Em entrevista por email ao SRZD, Marcelo afirmou que o Grande Salto é necessário para o Botafogo. Segundo ele, a sua experiência como diretor de marketing o credencia para alavancar o Glorioso.

Leia a entrevista na íntegra:

Marcelo Guimarães. Foto: Divulgação

SRZD: Por que o senhor acha que deve ser presidente do Botafogo?

Marcelo Guimarães: Sou o único entre os candidatos que teve uma experiência executiva recente no clube, e saberei dar o sentido de urgência que o Botafogo precisa nas questões que são fundamentais nesse momento, além de ter sentido na pele o quanto a política atrapalha o desenvolvimento do nosso clube. Fui durante 3 anos e meio diretor de marketing do Botafogo, tive meu trabalho bem avaliado e trago toda uma proposta de profissionalização, fundamental para superarmos esse momento tão difícil.

SRZD: Qual a primeira ação que faria ao ser eleito?

Marcelo: Na verdade existe em nosso projeto, que pode ser conhecido em vídeo publicado em nosso Canal no Youtube (Grande Salto), relacionamos o que chamamos de “medidas de primeiro dia”. São elas: apresentar nosso projeto executivo, composto de múltiplas oportunidades de investimento e garantias de governança e responsabilidade fiscal para os atuais investidores Alvinegros e para o mercado em geral; pedir audiência com o Governador, o Prefeito e o Ministro da Fazenda para comunicar opção pelas Leis de Refinanciamento e a adoção de medidas de governança, alinhadas com as mais modernas, testadas e eficientes tendências do bom mercado; ajustar os termos do Ato Trabalhista e repactuar as dívidas recentes de custeio e salários; estabelecer um Orçamento participativo já em 2015 para equilibrar as finanças correntes do Clube; assumir imediatamente a gestão executiva do Engenhão, com ênfase nas atividades capazes de gerar renda e melhor atender nossa torcida; reunir o futebol, sem sobressaltos, nem medidas desestabilizadoras ou autocráticas, para redefinir hierarquia e compromissos, de curto, médio e longo prazo.

SRZD: Como resolver o problema das dívidas do clube?

Marcelo: Primeiro precisamos começar a recuperar a credibilidade do Botafogo, tão abalada em 2014. Vivemos uma grave crise de confiança, o que dificulta profundamente nossas ações e providências. No caso das dívidas fiscais, honrar o pactuado através do Refis 2008, e permanecer atento ao andamento do projeto de Lei de Responsabilidade no Esporte, em discussão no Congresso. Na verdade, já nos antecipamos aos outros candidatos e realizamos dois encontros com o Deputado Otávio Leite, relator do projeto e já iniciamos nossas providências. Em relação ao Ato Trabalhista, que não tem força de Lei, negociar com as instâncias responsáveis, com vistas a encontrar as melhores condições para o clube. E encontra-se em andamento uma terceira estratégia com vistas a melhor equacionar as dívidas cíveis. Todo esse trabalho vem sendo desenvolvido pelo nosso Vice-Presidente Jurídico, Dr. Luiz Eduardo Lessa, apoiado por uma Consultoria Financeira. Importante ressaltar, que a peça definitiva do sofisticado quebra-cabeça relacionado ao enfrentamento da dívida, é a recuperação de nossa capacidade de gerar receitas e o Engenhão está no centro desse desafio.

SRZD: O Botafogo tem “Regatas” no nome. Qual o plano para o esporte olímpico?

Marcelo: Precisamos manter nossas tradições relacionadas aos esportes olímpicos, em especial das equipes de base desses esportes. Termos a financiá-los e impulsioná-los, uma consistente estratégia de captação de recursos por via das Leis de Incentivo ao Esporte. Em relação ao remo, coerentes com nossa proposta de respeito aos legados, vemos com simpatia, a manutenção de todos que comandam o esportes no cube, que tem nos enchido de orgulho.

SRZD: E para as sedes sociais, como General Severiano?

Marcelo: Estar presente de maneira moderna e abrangente no mundo virtual tem uma dupla importância. Primeiro para fortalecer a nossa marca, estabelecendo um diálogo permanente com a nossa torcida, nosso Sócios e com nossos seus consumidores em potencial. Sou autor do livro: “Paixão S.A. Como anda o Marketing do Clube do seu Coração?”, além disso, sou professor do MBA, na cadeira de Marketing Avançado, do curso Gestão Esportiva da Trevisan Escola de Negócios. Em 2011 fui indicado pela Pluri Consultoria, como um dos 5 melhores profissionais de marketing de clubes de futebol do Brasil e implementei no Botafogo, toda sua atual plataforma digital, tendo sido o responsável pelo lançamento do Facebook oficial do clube. Esse é um desafio que enfrentarei com bastante segurança.

SRZD: Qual será a importância do Engenhão em sua gestão?

Marcelo: Total e completa. O Engenhão está no centro de nosso projeto de relação com a torcida e nossos Sócios, além de um vetor estratégico de geração de receitas. Finalmente atenderemos a um anseio histórico dos nossos Sócios e de nossa torcida, customizando o estádio com nossos símbolos e cores. Em 2015 essa customização será removível em função das Olimpíadas, que retirará tudo que tiver aplicado no estádio, mas volta com vigor a partir de 2017, quando nosso estádio será revigorado com a enorme visibilidade e prestígio do evento. Daremos também especial vigor e atenção, aos produtos comerciais do estádio (namimg rights e contas de publicidade). Além de abrigar o atual CT dos profissionais, traremos projetos sociais, fazendo com que o estádio cumpra um papel social mais relevante, ampliando nossa relação com o entorno e apoiando o custeio. E mais: Nosso Sócio Proprietário terá direito a frequentar gratuitamente aos jogos com nosso mando e criaremos uma área de preços populares. Depois das olimpíadas, lançaremos a Mostra Nilton Santos e construiremos um clube social na área do estádio que dará mais conforto e alternativa para os torcedores.

SRZD: Como sua gestão trabalhará com o plano de sócio-torcedor?

Marcelo: O Sócio Torcedor é um outro grande desafio que precisa ser enfrentado com mais qualidade e profissionalismo. A frequente mudança de operadores e a baixa qualidade do atendimento é a marca de um programa que, a despeito de algum esforço de estruturação, está longe de prestar um serviço de qualidade. A primeira decisão diz respeito a gestão do programa. Um amplo processo gerencial prevê a auditaria dos atuais contratos do programa de sócio torcedor e o gerenciamento próprio do programa. Uma profunda estruturação funcional, com o fim das filas, demoras e dúvidas e o aperfeiçoamento contínuo das rotinas, com vistas a assegurar a máxima qualidade ao programa.

Além disso, estão previstas a elaboração de pacotes com preços mais atraentes e com descontos progressivos por fidelização.
Será promovida uma sólida estruturação dos pacotes para Torcedores de fora do Rio de Janeiro, com vantagens claras, áreas exclusivas de relacionamento virtual, participação em promoções e campanhas especiais.

SRZD: Qual será a relação da sua gestão com as torcidas organizadas?

Marcelo: As torcidas organizadas são um capítulo à parte. Procedimentos não republicanos e desestruturados, transformam as relações entre os clubes e suas torcidas organizadas em um grande problema. O projeto do Grande Salto prega o intransigente cumprimento da Lei, onde atos de bandidagem e seus autores sejam punidos com o estrito rigor da Lei, mas que sejam preservadas e estimuladas a fazer ainda mais festa, aquelas torcidas que agem na legalidade.

Em relação a esse tema, tão atual e urgente, o Grande Salto prevê: Definir um modelo de relacionamento profissional e um interlocutor por parte de cada torcida; definir rotinas, direitos, deveres e penalidades. Apoiar o Poder Público na identificação e punição dos componentes infratores; reconhecer e apoiar a ASTOB, entidade representativa das torcidas alvinegras; definir um interlocutor profissional do clube qualificado para interagir com as torcidas, a partir de rotinas pré determinadas; transformar o problema em oportunidade tratando as torcidas como parceiras de relacionamento e de negócios; estabelecer uma rotina de desenvolvimento de produtos oficiais licenciados, gôndolas nas lojas e quiosque no estádio em um transparente jogo de ganha ganha.

SRZD: Qual será o plano para o futebol profissional e categoria de base?

Marcelo: Partiremos para a ampliação do conceito de integração de todas as categorias, especificamente em relação a base, propomos: ampliar as parceiras para a fase inicial de formação e tratar como negócio; estabelecer rotinas e metas de triagem; criar um Centro de Triagem para identificar e capacitar atletas para a base; estabelecer programa de metas de qualificação da Base; estabelecer uma Filosofia Única de trabalho, integrando ainda mais a base ao profissional e a todas as categorias iniciais; criar uma Escola Corporativa para formação de profissionais, com ênfase no aproveitamento de ex-atletas; estabelecer uma política de Olheiros Profissionais priorizando a utilização de ex-atletas do clube espalhados pelo Brasil.

Quanto ao futebol profissional, queremos conquistar um ciclo vitorioso, com credibilidade e infraestrutura. Dotar o Botafogo de equipes competitivas que assegurem para o nosso torcedor a certeza que brigaremos pela ponta de todos os campeonatos que disputarmos. Além disso buscaremos ênfase total no futebol com a contratação de gestores profissionais, com histórico vencedor e perfil de liderança, sem experiências ou apostas; implantação de uma filosofia alvinegra de futebol. Firmando as bases de uma Escola Alvinegra de Futebol, do jeito Botafogo de jogar bola; urgente Reestruturação organizacional do departamento com sua imediata estruturação funcional, modernização do fluxo decisório e hierarquia claramente definida; aproveitamento e qualificação das estruturas atuais e depois da Olimpíada, Construção de um CT, integrando definitivamente o futebol, profissional com a Base, prevendo a locação para equipes internacionais e para a realização de clínicas e workshops.

SRZD: E Jefferson continua para vocês?

Marcelo: Considero o Jefferson um dos maiores goleiros da nossa história e o melhor do Brasil atual. Mantê-lo faz parte de um projeto de reestruturação do nosso futebol, começando por fazer um grande Campeonato Carioca em nossa casa. Tenho uma boa relação com ele e estou certo que o que ele busca é o que também queremos, um clube equilibrado, com comando e de volta ao caminho das vitórias.

SRZD: Como o senhor vê a administração de Maurício Assumpção?

Marcelo: Vejo como todo mundo vê, mas tenho minhas convicções firmadas. Temos dois momentos distintos da atual administração. O primeiro mandato, quando o presidente emitiu sinais de compreensão das providencias necessárias e iniciou a profissionalização do Botafogo, e o segundo mandato, quando ele sucumbiu a sua inexperiência e aparelhou o clube. Em aproximadamente um ano ele demitiu toda sua diretoria profissional: Miguel Angelo da Luz dos Esportes Gerais, o Luis Fernando do Administrativo, a mim, do Marketing, o Anderson Barros do Futebol e o Renato Blaute do Financeiro, foram desligados e foram contratados para essas posições estratégicas, os seus amigos da praia e os seus apadrinhados políticos. Deu no que deu.

SRZD: Que recado o senhor daria para a torcida alvinegra?

Marcelo: Um recado de esperança, e, caso sejamos eleito um compromisso com o profissionalismo. Não há mais lugar para entes políticos com meia dedicação tocarem os destinos do nosso clube. Vou juntar o amor que tenho ao clube, minha trajetória pessoal ética e baseada no estrito cumprimento da lei, com meu preparo profissional, testado e aprovado para promover o clube a um novo tempo de seriedade e vitórias.

Fonte: SRZD.com.br