Em longa entrevista ao site Globoesporte.com, o volante Marcelo Mattos revelou surpresa com o pedido da diretoria para rescindir seu contrato, mas afirmou entender a posição dos dirigentes. Com salário bem acima do teto estipulado pela diretoria, o volante deve fazer um acordo para rescindir com o clube até sexta-feira. Confira alguns trechos:

DESFECHO DA NEGOCIAÇÃO

“Entendo que o Botafogo não tem condição de continuar pagando meus vencimentos, mas espero que até sexta-feira isso se resolva, porque preciso continuar meu trabalho. Estou sem receber e as contas continuam chegando, tem meus filhos… Fico triste, chateado, porque, independentemente dos salários atrasados e da questão financeira, eu tinha o objetivo de levar o Botafogo para a Primeira Divisão e faria todo o possível para isso acontecer. E justamente no momento em que tudo caminha bem, com o time líder da Série B, fui pego de surpresa. Mas faz parte.”

SALÁRIO ACIMA DO TETO

“Não tenho culpa por receber esse salário. Fiz meu trabalho no Corinthians, fui jogar na Grécia naturalmente com um valor maior, e o Botafogo foi lá me comprar com a aprovação da diretoria. Então não tenho culpa. Enquanto estive no clube, sempre tentei fazer o melhor. A pressão é grande e passei algumas noites sem dormir pensando se certos jogos dariam certo. Também por conta do salário eu tinha uma responsabilidade a mais, como o Jefferson sempre teve. Aliás, tenho muito carinho por ele. Mesmo agora na Seleção, foi do Jefferson a única mensagem que recebi. Uma mensagem de preocupação, porque ele sabe o que eu fiz de bom para o Botafogo. E pode ter certeza de que vai ser assim onde quer que eu jogue a partir de agora. Se ainda não for, vou fazer do meu próximo clube um clube forte.”

BALANÇO COM A CAMISA ALVINEGRA

“O carinho que tenho pelo Botafogo no dia a dia e como eu trato esse clube. Pelos problemas de lesão que tive, passei a ter uma dívida com o Botafogo, um clube construído por grandes jogadores. Em 2015 eu vi a possibilidade de retribuir o que a instituição fez por mim ajudando a recolocar na Primeira Divisão. Infelizmente isso não vai acontecer. Foram cinco anos de grandes amizades, incluindo jogadores e funcionários. Fica difícil esquecer isso. Por conta das lesões não pude contribuir no momento da queda. Tentei ao máximo evitar, mas não deu. Saio com o dever cumprido, deixando o Botafogo na final do Carioca e líder da Série B. Alguns podem falar mal, mas para mim, o que fica é o que as pessoas lá de dentro viram. O que falam de fora não me incomoda.”

TRATAMENTO DO PRÓPRIO BOLSO

“Fui até São Paulo e entrei na Justiça contra o plano de saúde para conseguir a autorização para fazer uma cirurgia durante a pausa da Copa do Mundo. Queria que a operação não demorasse tanto e, assim, eu pudesse voltar em 20 dias, como previsto. Mas por causa de um problema de cicatrização eu tive que repetir a cirurgia. Médicos e hospital ficaram por minha conta, pois queria voltar rápido.”

SACRIFÍCIO NA RETA FINAL DA SÉRIE A

“Acho que faltavam sete rodadas quando o Vagner Mancini (técnico do Botafogo na época) me ligou dizendo que precisava de mim. No dia seguinte conversamos com os médicos e eles disseram que seria complicado eu voltar, porque eu ainda nem tinha batido na bola e tinham mexido três vezes no meu adutor, mas o treinador disse que precisava de mim em campo. Depois jogamos contra o Atlético-PR (derrota por 2 a 0). Não joguei, mas fui a Volta Redonda, vi como estava o vestiário, o ambiente e sabia que nossa situação era muito difícil, mas disse que tentaria no jogo seguinte. Fui para o clássico contra o Fluminense sem ter batido na bola e arrisquei meu ano de 2015 para jogar aquela partida. São coisas que quase ninguém viu. Acho que até agora somente o Mancini e os médicos sabiam disso. Tentei fazer o melhor pela instituição e sempre mostrei amor ao futebol. Quando fico triste pelo que está acontecendo agora, leio as declarações do Mancini depois daquele jogo contra o Fluminense, quando ele disse que seu tivesse voltado antes, a situação seria diferente. Isso mostra a minha importância.”

Fonte: Globoesporte.com