O Botafogo enfrenta o ABC-RN hoje, às 21h30m, no Estádio Nílton Santos, pressionado para voltar a vencer e em ebulição política. Sobre os jogadores, o peso de não marcar gols nos últimos três jogos e o risco de deixar o G-4 da Série B em caso de tropeço. Entre os dirigentes, o racha criado pela saída do vice-presidente de futebol, Antônio Carlos Mantuano, que teve de ser contido para não brigar durante reunião do conselho diretor ontem, em General Severiano.

A saída de Mantuano acontece após duas semanas de desgaste com o comando alvinegro. Um dos motivos que desagradou ao dirigente foi a criação do cargo de vice-presidente executivo, posto comandado por Luis Fernando Santos. Para ele, Luis Fernando é um novato que “decide o rumo do Botafogo”. Mantuano chegou a partir para cima de Luis Fernando, mas foi contido pelos presentes ao encontro.

— O presidente começou a mudar o que planejou para a sua gestão quando criou o cargo de vice-presidente executivo. Esse Luis Fernando é um “paraquedista”. Hoje, ele manda em tudo. Ele decide para onde vai o dinheiro. Não existe um pingo de transparência nesta diretoria — desabafou Mantuano, que passou mal após a confusão.

A questão da transparência, citada pelo ex-vice de futebol, recai sobre o mistério na apresentação do fluxo de caixa do clube em oito meses de gestão. Em diversas reuniões do conselho gestor, em General Severiano, Mantuano questionou a direção, que não apresentou detalhes sobre o que entra e sai do caixa.

Mas, segundo Mantuano, o fator que definiu sua saída foi a posição do clube de não pagar a sua defesa no julgamento da confusão que envolveu o técnico Argel, do Figueirense, após a partida entre os clubes pela Copa do Brasil. Na semana passada, sem contar com o auxílio do Botafogo, Mantuano foi suspenso por 30 dias após provar que não houve agressão ao treinador.

— O fator principal pela minha saída foi o esquecimento da diretoria em me apoiar no caso da confusão com o Argel. Eles não se manifestaram nem para lançar uma nota oficial no site para questionar a versão que me fez ser suspenso. Quero lembrar que esta administração está aí pois o meu grupo político garantiu sua eleição — retrucou o ex-vice, ao lembrar que sua participação foi fundamental na eleição.

Ao analisar seu período no clube, Mantuano vê um bom trabalho no “currículo”. O ex-dirigente aproveitou para lembrar que a administração de Carlos Eduardo Pereira está trilhando um caminho tão criticado por ela.

— Fiz um bom trabalho, tendo contratado 15 jogadores com um orçamento mais do que limitado. Eu fui vice-presidente geral do Maurício durante sua primeira gestão. Quando vi por qual caminho ele seguia, saí e virei oposição. A história está se repetindo — concluiu Mantuano.

Neste momento, o comando do futebol alvinegro está sem responsável. Em nota, a diretoria promete indicar um substituto em breve. Manuel Renha, diretor geral da base alvinegra, foi convidado, mas rejeitou a pasta. Gustavo Noronha, diretor jurídico do futebol, tem a simpatia de Carlos Eduardo Pereira para assumir o posto.

Fonte: Extra Online