A Polícia Militar do Rio admitiu, ontem, que policiais do Grupamento Especial de Policiamento em Estádio (Gepe) tiveram dificuldade em deixar o batalhão, em Deodoro, para ir ao Engenhão fazer a segurança da partida entre Botafogo e Flamengo, no domingo, quando um torcedor morreu e mais oito ficaram feridos. E esse não foi o único problema.

Levantamento do GLOBO mostra que o clássico foi planejado com o menor efetivo policial por torcedor dos últimos dois anos. Se o esquema tivesse sido seguido à risca, mesmo assim o efetivo seria menos da metade do que foi aplicado durante toda a primeira fase do Carioca de 2015.

No levantamento, foram considerados o local da partida (o estádio do Engenhão, que ficou fechado para o futebol durante todo o ano de 2016), as atas de planejamento de jogos — documento elaborado com a presença dos clubes, PMs e federação de futebol (Ferj), nos dias que antecedem as partidas e são publicados no site da Ferj —, o público estimado para a partida e os policiais previamente deslocados para o jogo, tanto os do Gepe, que escoltam organizadas e atuam dentro do estádio, como o efetivo do batalhão da área, cavalaria e batalhão de choque. Os confrontos analisados são clássicos e jogos entre grandes e pequenos da fase de classificação do Carioca.

Durante as partidas de 2015, o número de policiais por torcedor no estádio variou de um PM para cada 38 até 62 pessoas. No jogo de domingo, o planejamento contava com um policial para cada 137 torcedores, isso se todos os PMs tivessem comparecido.

Em média, o efetivo total das partidas em 2015 foi de 220 policiais por jogo, com uma expectativa de público de pouco mais de 11 mil presentes.

A partida de domingo contaria com 170 policiais do Gepe e 48 homens do lado de fora, 218 no total. No entanto, o clássico foi planejado para cerca de 30 mil pessoas. Na primeira rodada do Carioca, por exemplo, o Botafogo recebeu o Nova Iguaçu, com uma expectativa — um pouco superdimensionada — de 20 mil pessoas. Foram ao jogo 6.689 torcedores, e havia 140 policiais. A média PM/torcedor foi de um para 47. Em 2017, o número de policias nos estádios diminuiu muito. No clássico entre Vasco e Fluminense, também no Engenhão, a média policiais/torcedores foi de 1/113 presentes.

A proporção público/agente do clássico foi menos da metade de um jogo inexpressivo de rivalidade e importância, como Botafogo x Nova Iguaçu . Questionados, Ferj e presidentes de Flamengo e Botafogo disseram não ter desconfiado do número baixo de homens planejado e ter confiança no trabalho da polícia. O Gepe não foi encontrado para comentar o levantamento.

POLÍCIA ADMITE PROBLEMAS

Segundo o borderô publicado no site da Ferj, o Engenhão contava com 65 policiais em todo o estádio. A Assessoria da PM negou, em nota, a informação, dizendo que “o número de policiais relatados na súmula não foi o real, e sim uma informação preliminar, tendo em vista que os apoios não chegaram ao mesmo tempo e sim de forma gradual, devido às dificuldades encontradas nesse remanejamento do efetivo”.

Ainda na nota, a PM confirmou que o policiamento estava prejudicado quando a briga aconteceu: “por uma questão estratégica, não divulgamos o número do efetivo empregado. No entanto, não há como negar que houve um prejuízo no planejamento por conta do protesto dos familiares. Uma fração do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE) teve dificuldade para sair do quartel, sendo necessário o remanejamento de policiais de outras Unidades para cobrirem o jogo”.

Fonte: O Globo Online