O Botafogo completa nesta segunda-feira o sexto dia sem treinador de futebol — Jair Ventura é o interino — e a contagem que pode ser encerrada caso Ricardo Gomes aceite proposta do clube. O técnico vai se reunir com o presidente do alvinegro, Carlos Eduardo Pereira para concluir a negociação. Se for contratado, ele deverá obedecer instruções não seguidas por René Simões e determinantes para sua demissão.

— O René levou a fama por lançar o Luís Henrique (de 17 anos), mas foi um grande acidente. Se o Bill não pedisse para sair, ele não teria feito isso — avaliou Carlos Eduardo, que rejeita que o orientação seja uma interferência na escalação. — Se vai escalar ou não, é com ele, mas tem que observar os atletas da base.

Carlos Eduardo cobrava que os jovens estivessem, ao menos, com mais frequência nas viagens com a delegação. O objetivo seria dar experiência. Três dias antes da demissão de René, o presidente e o gerente de futebol, Antônio Lopes, se reuniram com o então técnico e voltaram ao tema. Contra o Figueirense, no entanto, pouco mudou. O dirigente se queixa que as conversas não tinham influência na prática.

— Jamais imaginei que fosse mais uma vez entrar por um ouvido e sair por outro. Você tem uma conversa, a pessoa concorda com seus pontos, você acredita que aquilo vai ser implementado, mas não acontece — lamentou o presidente.

Nos últimos dois jogos de René (Bragantino e Figueirense), apenas três dos 14 jogadores que entraram em campo vieram da base. No sábado, na vitória sobre o Náutico, foram sete de quatorze, 50% do total.

— O Fluminense é um bom exemplo. Eles lançam os garotos e estão fazendo ótimos negócios, com bons resultados — disse o dirigente. — O horizonte do treinador é de quatro, cinco jogos, é o seu emprego. A diretoria tem que pensar no clube.

Fonte: O Globo Online