A perda da vaga na Libertadores ainda repercute no Botafogo. Desligado das funções de vice-presidente de futebol e também do remo, Antônio Carlos Azeredo afirmou em entrevista à Rádio Globo que a não-renovação dos contratos de Luis Ricardo, Dudu Cearense e Gilson, prometidas ainda com o Brasileirão em andamento, abalou o psicológico do elenco e foi um dos motivos para a queda de rendimento do time na reta final da temporada.

Segundo Cacá, a decisão de renovar o contrato dos três jogadores havia sido tomada após uma reunião conjunta que contou com a participação do técnico Jair Ventura, ainda no decorrer do Brasileiro. A renovação de Luis Ricardo, um dos líderes do elenco, por sinal, havia sido anunciada com foto com o próprio Cacá ainda no mês de agosto, mas depois ela acabou suspensa.

Cacá Azeredo anunciou a renovação de Luis Ricardo em agosto, mas ela não foi oficializada

– Eu falei numa reunião que esses problemas com as renovações iriam tirar a gente da Libertadores. Cheguei a essa conclusão porque em todas as atividades o emocional é muito importante. Tínhamos um grupo fechadíssimo, nossa trajetória na Libertadores foi acima do nosso limite. Quando esse problema aconteceu, o vestiário não ficou legal. Você escuta aquele papo de que “isso não se faz”, que é “molecagem”, que “prometeram e não cumpriram”… Isso pesou muito no final. Ninguém boicotou nada, ninguém fez corpo mole, mas o que está na cabeça do cara não é mais 100% o jogo, o campo, ele está pensando em outras coisas. E isso influencia – disse Cacá à Rádio Globo, mostrando uma mágoa com o presidente Carlos Eduardo Pereira:

– Tive alguns problemas com o presidente. Ele bateu algumas vezes de frente com resoluções que eu tinha tomado. O que se deu foi a renovação dos contratos desses jogadores. Estou aparecendo em todos os jornais, sites, renovando contrato do Luis Ricardo junto com a agente dele. Foi uma resolução que tivemos conjunta, uma reunião em que estávamos com Lopes e Jair, ele pediu que tivessem os contratos renovados, foi tudo aprovado, e depois o presidente resolveu não assinar, nem do Luis Ricardo, nem do Dudu, nem do Gilson. O do Emerson (Silva), esse eu nem cheguei a conversar com ele. Esse foi o estopim. Fiquei numa situação muito ruim. Quando você dá sua palavra, ela tem que ser honrada. Foi tudo aprovado, o presidente aprovou, tinha dado a palavra aos três que iriam renovar, e depois fiquei numa situação ruim. Depois que você perde um pouco do respeito dos jogadores, tem que parar. Os jogadores sempre me respeitaram muito, mas depois que você dá sua palavra e o presidente muda o que você disse, achei que não teria condições de ficar. Agora eu vi que eles vão assinar a renovação, e estou achando ótimo. Não fiquei confortável com essa situação e achei que era a hora de parar.

Resposta do presidente

Após a longa entrevista de Cacá Azeredo, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, entrou em contato com a Rádio Globo para rebater as declarações do agora ex-vice-presidente de futebol. Segundo ele, Cacá acabou tomando decisões por conta própria, passando por cima de resoluções da diretoria.

– Esse tipo de debate não ajuda o Botafogo em absolutamente nada. Os fatos que ocorreram ao longo do ano foram avaliados por todos nós, na gestão sob a forma de colegiado, em que as decisões eram passadas ao vice de futebol para ele executá-las junto ao elenco. Infelizmente, a partir de um determinado momento, o vice de futebol deixou de ser o representante da diretoria junto aos jogadores para ser o representante dos jogadores junto à diretoria. E com isso inverteu uma séria de determinações. A principal delas foi essa iniciativa de renovar contratos. Não era a nossa intenção mexer nesse ponto. O Luis Ricardo ele tinha a orientação de renovar por um ano, ele renovou por dois, fez toda aquela apresentação sem autorização da diretoria. A partir dali pedimos que os processos fossem interrompidos já imaginando os problemas que poderiam decorrer disso.

O presidente alvinegro também descartou que o problema com as renovações tenha influenciado na queda de rendimento do Botafogo na reta final do Brasileiro, culminando com a perda da vaga na Libertadores de 2018:

– Infelizmente, ele fez uma avaliação bastante equivocada de que a renovação de dois ou três altetas possa ter prejudicado o grupo de alguma forma. O grupo estava com tudo em dia, encargos trabalhistas em dia, recebendo tudo que o clube poderia oferecer de melhor a eles. Não houve evidências de que um caso isolado tenha causado tamanho impacto a ponto do elenco se desconcentrar. Foi uma somatório de fatores, principalmente o ritmo muito intenso a que um elenco pequeno foi submetido, além da perda de diversos jogadores por fatores alheios ao próprio Botafogo. Acho que ele (Cacá) foi muito infeliz se colocando como uma pessoa que fez tudo correto e que o restante da diretoria é que tinha errado.

Fonte: Redação FogãoNET e Rádio Globo