Frio, chuva e até ameaça de bafômetro: nada deteve a empolgação da torcida do Botafogo em Montevidéu. A capital uruguaia testemunhou uma invasão de camisas, faixas e bandeiras em preto e branco nesta quinta-feira. Cerca de 1.500 torcedores do Botafogo tomaram um setor inteiro da arquibancada do estádio Parque Central e fizeram muito barulho — mais até que os torcedores da casa — na vitória do time carioca sobre o Nacional-URU por 1 a 0.

Quem fez a viagem até o Uruguai conta que “perrengue” mesmo não foi a distância percorrida, e sim encarar o clima gélido na capital uruguaia. O torcedor Pedro Sá, de 23 anos, diz que a sensação térmica chegou a 4ºC na desprotegida arquibancada do Parque Central. Para se abrigar da chuva, os torcedores se concentraram no corredor interno do estádio até minutos antes da bola rolar. Depois, no entanto, o calor da torcida espantou o frio de Montevidéu.

— Já fui em jogos no Rio com menos botafoguenses do que tinha ontem (quinta-feira) no Uruguai — afirma Pedro. — O clima lá dentro estava fora de série. No início a galera ficou meio escondida por conta da chuva, mas quando entramos ninguém segurava. Quem veio até aqui é o torcedor que canta o jogo inteiro. Em alguns momentos era nítido que estávamos fazendo barulho suficiente para que os jogadores nos ouvissem lá do meio-de-campo.

A experiência foi inesquecível tanto para quem já havia ido a outros jogos fora de casa nesta Libertadores, como Pedro, quanto para quem viajou pela primeira vez para torcer na América do Sul. Era o caso de Marcelo Tavela de 34 anos, que chegou a Montevidéu na terça-feira e diz ter visto camisas do Botafogo não só no estádio, mas por toda a cidade. Apesar de terem reservado uma arquibancada com 4 mil lugares para a torcida visitante, os uruguaios parecem ter sido pegos de surpresa pelo número de torcedores alvinegros.

— A parte do estádio em que ficamos não tinha bar. Como chegou muita gente, improvisaram uma venda de hambúrguer e de cerveja sem álcool. Também colocaram banheiros químicos, porque não tinha banheiro naquela área — narra Marcelo. — Com a chuva e o estádio pequeno, o pessoal brincou que parecia até o Caio Martins. Mas foi tudo tranquilo.

Marcelo e Pedro dizem que os botafoguenses foram recebidos sem animosidade em Montevidéu. Com ambiente de paz, até mesmo as medidas de segurança tiveram certo relaxamento. No Uruguai, quem vai ao estádio não pode consumir álcool durante ou antes das partidas. Torcedores do Fluminense chegaram a ser barrados no teste do bafômetro no jogo contra o Liverpool, pela Sul-Americana. Os alvinegros não tiveram que passar por isso.

— O ônibus da torcida iria até o Estádio Centenário, e lá haveria uma revista minuciosa, até com bafômetro. Mas com aquele tempo os policiais até desistiram — afirma Pedro, satisfeito com a experiência na Montevidéu alvinegra. — Existe jogo normal e existe jogo fora de casa na Libertadores. Foi algo fora de série. Até faz sentido esse número tão grande de torcedores. Desde que estou vivo o Botafogo não chegava nas oitavas.

Fonte: O Globo Online