Vinícius Assumpção é candidato do “Movimento Carlito Rocha”. Atual secretário de desenvolvimento econômico solidário da Prefeitura do Rio, ele se candidata pela Chapa Alvinegra. O seu vice será Luiz Claúdio Fetterman Guimarães, o Ique, diretor do polo aquático do clube.

Em entrevista por telefone ao SRZD, Vinícius afirmou que o programa de sócio torcedor será “mola mestre” da gestão. Segundo ele, o programa tem que ser visto de forma democrática e financeira.

Leia a entrevista na íntegra:

Vinícius Assumpção. Foto: Divulgação

SRZD: Por que o senhor acha que deve ser presidente do Botafogo?

Vinícius Assumpção: Eu decidi ser candidato a presidente por ver o Botafogo a cada ano perder o seu valor. Nos últimos 40 anos, o Botafogo foi se tornando cada vez menor, sem uma sequência de importantes conquistas. Com isso, o Botafogo deixou de aumentar o seu maior patrimônio que é a sua torcida. Aí é uma bola de neve. Com isso aumentou a sua dívida financeira porque a arrecadação diminiu, e com isso diminui sua capacidade de investimento e a capacidade de andar sozinho. Esse cenário que me levou a ser candidato a presidente do Botafogo. Eu sou da arquibancada e não aguento mais ver o Botafogo indo para o caminho da morte. O Botafogo está acabando.

Então o que a gente vem apresentando é um novo modelo, um novo modelo de gestão. O Botafogo hoje tem quatro candidaturas e cada uma apresenta um modelo de Botafogo e de gestão. Nós queremos mudar. A Chapa Alvinegra é a única que apresenta uma mudança radical no modelo de gestão. Nós vamos contratar uma empresa (Alvarez & Marsal), uma das melhores do mercado de recuperação financeira. Ela vai entrar dentro do Botafogo e tratar a dívida do Botafogo da forma que ela deve ser tratada: de forma profissional. Profissionalizar a gestão através de uma reforma estatutária, ampliar a democracia do clube através do voto do sócio-torcedor. Hoje vamos ter uma eleição onde vão votar no máximo 1.100 sócios, 1.200. E desses 1.200 sócios, 560 já estão nas chapas. Quer dizer, é muita pouca gente para definir o futuro do Botafogo. Por isso que eu digo que eu sou candidato. Eu quero mudar esse modelo, mudar essa forma do Botafogo ser gerido, inverter a lógica e mudar a mentalidade. É por isso que eu resolvi ser candidato.

SRZD: Qual a primeira ação que faria ao ser eleito?

Vinícius: A primeira ação é mexer com o grande entrave que está hoje no caminho do clube que é a questão da situação financeira. Entender que nós precisamos apresentar um plano de recuperação financeira e o caminho que o Botafogo deve seguir. Essa seria a minha primeira atitude como presidente.

SRZD: Como resolver o problema das dívidas do Botafogo?

Vinícius: Nós vamos contratar a Alvarez & Marsal. Ganhando a eleição, eles vão entrar no dia seguinte no clube. Nós vamos fazer todo um planejamento de execução e eles vão apontar o caminho. Dentro desse acordo, nós vamos ter os melhores profissionais do mercado em cada área. Para você saber quem é essa empresa, ela cuidou da recuperação financeira da “Casa e Vídeo” e hoje cuida da recuperação financeira da empresa do Eike Batista. Ela vai entrar e apontar o caminho. Vai dizer para a gente: “Esse aqui é o caminho. Aqui o Botafogo consegue profissionalmente se reerguer financeiramente. Para isso, você terá que fazer essas ações”. Esse contrato é uma parceria. Nós vamos trabalhar com meta. Não tem isso de ganhar milhões e não resolver o problema do Botafogo. Ela vai ganhar conforme a produção dela em apresentar resultados positivos na recuperação do Botafogo.

SRZD: O Botafogo tem “Regatas” no nome. Qual o plano para o esporte olímpico?

Vinícius: O meu vice-presidente geral é um campeão no esporte olímpico. Ele está como diretor do pólo aquático há mais de doze anos. Ele é um cara tão vitorioso, que ele teve oposição de algumas gestões e mesmo assim ninguém tirou ele porque ele elevou o patamar do pólo aquático. Nós queremos usar a experiência dele no esporte olímpico para trazer para dentro do Botafogo. O primeiro passo é toda a arrecadação dentro do esporte olímpico das escolinhas, por exemplo, ser mantida dentro do esporte olímpico. Por que isso? Porque a arrecadação não é grande coisa e não resolve o problema do futebol. Hoje o clube mete a mão naquilo tudo, joga para dentro de uma caixa única e não resolve nada. E aquilo é importante para o esporte olímpico. Então a gente já começa tendo uma arrecadação própria. Então cada esporte vai buscar melhorar suas escolinhas etc porque vai atrair uma fonte de receita para o próprio esporte.

Nós vamos apresentar também um nome que seja a figura do diretor executivo. Ele também vai trabalhar nessa questão da meta, de buscar patrocínio para o esporte olímpico. O diretor executivo que vai gerir, ter um olhar em cima de todos os esportes do Botafogo. Por mais que o futebol seja o carro chefe, nós temos que fortalecer os outros esportes. Hoje o Botafogo tem o remo, que voltou a ganhar títulos, mas por um trabalho isolado de abnegados. Não tem uma política geral do clube para o esporte olímpico e é isso que nós queremos fazer. Fortalecer o esporte olímpico nas bases para que a gente futuramente tenha times para disputar títulos e revelando também para que tenhamos campeões olímpicos vestindo a camisa do Botafogo.

SRZD: E para as sedes sociais, como General Severiano?

Vinícius: O Botafogo talvez seja o clube que tem o maior patrimônio entre os clubes do Rio de Janeiro. Nós temos hoje sete sedes. A General Severiano é a que mais preocupa. Temos um número de associados muito pequeno, em torno de 1.200 sócios-proprietários pagantes, a frequência é muito baixa e a despesa da sede é em torno de R$ 450 mil, enquanto a arrecadação do sócio-proprietário R$ 150 mil. Nós já temos aí um défict financeiro em torno de R$ 300 mil mensais, dá R$ 3,6 milhões por ano somente com a manutenção da sede social de General Severiano. Você tem que atrair mais sócios. A lógica nossa é de atrair a mulher porque a mulher traz a família. Por isso temos que ter uma academia, fazer eventos para a juventude, ter um salão de beleza, um salão de jogos, churrasqueiras. Temos que buscar soluções para que o clube seja mais atrativo. Temos que tentar ampliar a parte social. Por exemplo, o campo de General Severiano que está sendo transformado em grama sintética, nós vamos usar isso como fonte de receita. Vamos alugar, mas futuramente queremos pensar em um projeto sustentável e ampliar ali para a utilização dos sócios.

Temos que construir o CT do time profissional que será lá em Vargem Grande e o CT de Marechal Hermes. Na hora que tivermos os CTs, o futebol pode sair como completo dali (General Severiano) e ali se transformar em um clube 100% social. Atraindo mais sócios vamos aumentar a arrecadação do complexo para que ele possa se manter. Nossa ideia inclusive é criar esse centro de custo por sede.

SRZD:  Qual será a importância do Engenhão em sua gestão?

Vinícius: Fundamental. O Engenhão é o resurgimento do Botafogo a caminho do topo do futebol brasileiro. Chegou a hora de a gente transformar o Engenhão na verdadeira casa alviengra. Nós temos que criar uma identidade que tenha relação com o clube, uma identidade visual. Hoje você chega no Engenhão e ele não parece do Botafogo. Você tem que fazer isso para atrair a torcida, para eles se sentirem em casa. A principal dificuldade do Engenhão é a de acesso e já estamos conversando com interlocutores. Queremos criar grupos de trabalho onde estará o poder público, a SuperVia, Metrô, Norte Shopping, Nova América e Fetranspor. Por que isso? Precisamos ali discutir com a
SuperVia horário, trem direto para o Engenhão, de onde sai e onde para. Fazer uma aliança com os shoppings, com bolsões de estacionamento e transporte dali para o estádio. E buscar com a Fetranspor, em dias de jogos, ônibus direto para o Engenhão saindo de toda a cidade. Você cria facilidades.

Também queremos remodelar as entradas do Engenhão e melhorar o acesso. A torcida entra muito em cima da hora e precisamos nos preparar para isso, aumentando o número de roletas, novos portões, nova setorização do estádio. Nós vamos ter um setor popular no Engenhão para que a torcida possa assistir os jogos com ingressos mais baratos. Além disso, já estamos conversando com algumas empresas interessadas em dar nome ao estádio, o que é uma fonte de receita. Também tem outras ações, como criar um restaurante panorâmico, como muitos estádios já tem. O estádio vira um evento de família. Vamos pensar um Engenhão de uma forma que o botafoguense se sinta realmente em casa.

SRZD: Como sua gestão trabalhará com o plano de sócio-torcedor?

Vinícius: Essa é a minha grande mola mestre. A Chapa Alvinegra ela entende o sócio-torcedor com duas visões: a democrática e a financeira. Primeiro, nós precisamos criar um modelo de sócio-torcedor que atenda as necessidades da torcida. Segundo, um sócio-torcedor que amplie a democracia. O Botafogo hoje é um clube restrito, pequeno de sócios, onde uma meia dúzia se acha dona do clube. O futuro presidente do Botafogo pode ganhar uma eleição com 500 votos. Essa decisão mexe com a paixão de milhões de alvinegros espalhados pelo Brasil. Então nós queremos melhorar isso. Vamos dar ao sócio-torcedor direito a voto. E como será isso? Após dois anos de adimplência, ele passa a ter direito a voto. Ele não passa a ter direito a ser votado e nem de frequentar a sede, mas de escolher o futuro presidente do Botafogo, da paixão dele. Depois de três anos de adimplência, ele passa a ter a opção de ter um desconto para comprar o título de sócio-proprietário. Nós vamos criar uma categoria de sócios-proprietário-torcedor, onde o sócio-proprietário vai ter direito a ir ao estádio. Hoje você paga duas vezes.

O Botafogo não é um clube só social, ele é um clube de futebol e regatas. É tudo envolvido, uma coisa está ligada na outra. Nós queremos interligar esses interesses e poder ver em uma futura eleição no Botafogo um universo maior, tendo um processo mais democrático. O Internacional, o Cruzeiro e outros grandes clubes do Brasil já caminharam para isso. O Inter tem 110 mil sócios-torcedores e o Grêmio 85 mil. A arrecadação do Internacional é de R$ 4,2 milhões só de sócio-torcedor. O do Cruzeiro R$ 5 milhões, já que tem um ticket médio maior. E a do Botafogo? R$ 300 mil/mês. Como que eu vou concorrer com um clube que arrecada R$ 5 milhões/mês e eu R$ 300 mil/mês. E isso eu estou falando da questão financeira. Para manter a fidelidade do torcedor, nós precisamos ter uma política de relacionamento, atendimento VIP, setores esclusivos dentro do estádio, promoções, direito a assistir os treinos, viajar com o time, ao final de um ano ele ganhar um brinde. Ele precisa se sentir participante do processo e é isso que estamos dizendo para o torcedor. Nós queremos abrir o clube. Somos a única candidatura que realmente está falando de abertura democrática do clube. Nós chegamos a registrar em cartório o nosso compromisso. Nenhuma outra candidatura fez isso. Falar é muito fácil, tem que fazer compromisso público. Esse é o nosso pilar. Olhar o sócio-torcedor como uma questão democrática e financeira.

SRZD: Qual será a relação da sua gestão com as torcidas organizadas?

Vinícius: Vou conversar com todas e já conversei com todas elas. Eu disse para elas que a gente tem que discutir que elas carregam o nome do Botafogo Brasil a fora. Não vamos admitir bandidos, eu não converso com bandido. Eu converso com aquele verdadeiro torcedor apaixonado. Eu quero formatar um plano que crie uma fórmula para que as torcidas organizadas possam ser independentes do clube no futuro. O Botafogo hoje tem que valorizar suas torcidas, mas ter um diálogo fraterno com elas. Não pode ficar com relação de dependência. Não quero ter aquela relação de que falou mal de mim não tem ingresso, eu quero que eles sejam independentes. É esse o projeto que eu quero discutir com eles para que no futuro eles sejam independentes e não precisem do clube para nada. Podemos inclusive discutir uma modalidade de sócio-torcedor exclusivo para as organizadas. O que eu posso sintetizar é que terá o diálogo com todos os setores.

SRZD: Qual será o plano para o futebol profissional e categoria de base?

Vinícius: Nós vamos ter o ano de 2015 um ano muito difícil na história do Botafogo. Mas eu acredito que a dificuldade do ano que vem é diferente desse ano no futebol. No ano que vem, vamos estar apontando um caminho e essse ano não tem caminho, não tem perspectiva. A primeira coisa é apontar para a torcida que vamos ter um time aguerrido, uma gestão profissional e vamos buscar manter alguns jogadores desse elenco, como o Jefferson. Nós vamos ficar com os garotos que já estão no profissional que são oriundos da base e vamos trazer jogadores que tenham comprometimento profissional. Nós não estamos pedindo amor, não precisa beijar o escudo do Botafogo, o que estamos pedindo é vontade dentro de campo, perseguir as vitórias a cada jogo. Estamos chamando isso de mudança de mentalidade. Se aquele jogador que fica na sombra, que corre só em uma faixa de campo, ele não interessa a gente. Nesse início de ano vamos contratar um elenco mais enxuto, mas um elenco competitivo e que a gente consiga pagar. Não tem contratação que a gente não consiga pagar. O Botafogo vai dar condições de trabalho aos profissionais que estão dentro do elenco, com todos os setores do clube funcionando para que a gente possa propiciar um bom trabalho. Já no ano de 2015, nós queremos iniciar o CT de Vargem Grande. Acredito que o Botafogo vá recuperar a Certidão Negativa de Débito e nós já estamos buscando empresas que tenham interesse em projeto incentivados para construir um CT de primeiro mundo no terreno que foi cedido pela Prefeitura. Então no futebol profissional é isso. Mudança de mentalidade, manter um jogador símbolo no processo de ressurgimento do clube, dar condições, salário em dia e construir o CT. Por isso precisamos contratar uma empresa que apresente um caminho para a squestão financeira. Não basta dizer que vou manter o salário em dia, eu preciso apresentar soluções.

No futebol de base, a primeira coisa vai ser discurtir com todas as forças políticas do clube a criação de um fundo para construir o CT da categoria de base. Eu sei que tem grandes botafoguenses querendo ajudar nessa questão, mas para isso, para demonstrar transparência, ética, nós vamos achar um nome de consenso em todo o clube e que ele não seja parte da diretoria. Ele vai ser de fora e vai ser o coordenador do fundo que vai servir apenas para construir o CT da divisão de base. Muita gente tem medo de colocar o dinheiro e o dinheiro ir para outros objetivos. O fundo vai ser a parte do clube, mas vai ser acompanhado pela direção. Eu não abro mão disso, mas vai ser coordenado por uma pessoa de fora. Em Marechal Hermes precisamos criar de novo a base do Botafogo. Precisamos ter um trabalho integral com os futuros atletas. O primeiro passo é criar a escola Estrela Solidária, com o lema “mais do treinar, educar”. O que estamos propondo? Eles têm que entender a importância de jogar no Botafogo. Eles ficando o dia todo com a gente, eles vão valorizar a história do clube. Dentro desse processo pedagógico, nós vamos transmitir valores extra-campos. Nós vamos estar construindo cidadãos, um indivíduo com moral, ética, coletividade. Essa formação até melhora a atuação dentro de campo. Com isso, começamos a olhar a base como viabilidade econômica.

Eu vou citar um exemplo bem claro de como as coisas estão erradas dentro do Botafogo. O Dória é peneira do Botafogo. Ele passou por todas as divisões e na hora de vender o Dória, ele foi vendido por R$ 30 milhões. Se esse dinheiro é todo do Botafogo, a gente tinha pago o Refis, desbloqueado as contas, pago parte das dívidas, mas não foi isso. O Dória foi vendido e o Botafogo não recebe nada. O que está previsto para o Botafogo receber já está comprometido. Então precisamos mudar essa lógica e essa lógica inclusive para sentar junto com os investidores e apontar para eles outro caminho, que eles podem ajudar sem o clube perder esse patrimõnio. Hoje, o Botafogo não tem quase nenhum jogador na base com direito a passe. Estamos perdendo patrimônio.

Outra coisa que ninguém está falando é que vamos criar um modelo de jogo inerente a todas as categorias baseados nesses valores transmitidos. A divisão de base tem que jogar de todas as maneiras, mas muito parecido com o time profissional para evitar esse buraco. Precisamos evitar que o jogador que chegue ao profissional demore a engatar. O Daniel era um espetáculo na base, só engatou agora e se machucou. O Vitinho também e demorou quase um ano para engatar, mas foi logo vendido. Tem que criar uma forma de jogar para quando o jogador subir não sentir tanta dificuldade. Pretendemos manter boa parte da equipe dabase que tem feito um bom trabalho, mas, para isso, vamos implantar esse novo modelo de trabalho. E vamos voltar com as escolinhas em bairros, municípios. Muito mais do que formar um jogador, essas escolinhas divulgam a marca do Botafogo. Fazem crianças virarem botafoguenses porque estão jogando ali com a camisa do Botafogo.

SRZD: Então o Jefferson permanece para vocês?

Vinícius: Nós vamos apresentar um projeto para o Jefferson. Nós fomos a primeira candidatura a procurar o Jefferson. Conversamos através de um representante da nossa chapa com um representante dele. Nós demonstramos a intenção de apresentar um projeto onde o Jefferson vai ser o símbolo desse processo de renascimento do Botafogo. Ídolo não se vende.

 

SRZD: Como o senhor vê a administração de Maurício Assumpção?

Vinícius: Primeiro, o meu sobrenome é Assumpção, mas não tenho nada com o Maurício. Inclusive, o conheci há seis anos atrás e o meu grupo político foi o único que não participou da primeira gestão dele. Eu acho que a gestão dele fez um grande mal ao Botafogo. Ele errou no planejamento, colocou em risco a sobrevivência do Botafogo quando ele tomou decisões equivocadas. E por que ele e outros presidentes tomaram decisões equivocadas? Porque o modelo está errado. Esse modelo de gestão, qualquer um dos quatro candidatos mantê-lo, vai fracassar. Por isso que eu digo que nós somos a única mudança verdadeira. Nós queremos mudar o modelo de gestão, nós queremos profissionalizar o clube, reforçar a democracia, nós queremos deixá-lo mais aberto. Eu culpo a ele pelos erros estratégicos, que pode humilhar a torcida do Botafogo com o rebaixamento, torcida que vem sendo humilhada a cada ano. O modelo está errado, não é só o presidente. O presidente errou na estratégia, mas o modelo centralizador que cada presidente que assume quer dirigir o clube com sua corrente política. O presidente tem que ir mais além, tem que ter a humildade de reconhecer que essa tarefa não é de um homem só. Por isso que eu digo que vou juntar todas as forças políticas e nós todos juntos vamos gerir o Botafogo.

SRZD: Que recado o senhor daria para a torcida alvinegra?

Vinícius: Eu tenho 52 anos, sou um dos conselheiros mais jovens do clube, fui da comissão de volta a General Severiano, sempre fui um cara de arquibancada, fiz parte de torcida, viajei todo o Brasil atrás do Botafogo, fui ver meu time campeão só com 27 anos e nunca desisti, nunca vou desistir. A torcida pode ter certeza que vai ter um presidente 25 horas por dia dentro do clube. O dia vai ter que ser maior. Eu vou respirar Botafogo 25 horas por dia. Eu não vou ser presidente para ser mais um. Eu quero ser presidente para colocar o Botafogo nos trilhos, para fazer uma reforma adminsitrativa que mude o modelo de gestão. E eu que venho de arquibancada não posso admitir não ser campeão pelo Botafogo. E mais do que isso, precisamos mudar a mentalidade, uma mentalidade vencedora, de buscar a vitória a todo custo, de ser campeão e achar que aquilo é pouco, de querer mais o tempo todo. Por último, eu acho a história do Botafogo linda. Em 2010, a torcida botou a carinha dos ídolos em uma faixa que cobriu toda a parte da nossa torcida. Nenhum clube do Brasil faz isso. Nenhum clube do Brasil tem a história de craques que nós temos, mas nós precisamos construir uma nova história. Daqui para frente, nós temos que olhar para o futuro. Contar a história bonita, mas precisamos de títulos e novos ídolos para atrairmos uma nova geração. Só assim o Botafogo vai ser grande na frente e é por isso que quando eu registrei a minha chapa, eu fiz questão de que um grupo de crianças entregasse uma faixa dizendo: “É por vocês”. É por essa geração que nós queremos dirigir o clube. Ela vai ter um presidente ético, correto e pensando no futuro do Botafogo.

Fonte: SRZD