Foi confirmada, na tarde desta segunda-feira, uma das melhores notícias possíveis para o Botafogo visando a temporada de 2017: aquele rival lá da Gávea mostrou que sonha em ser o Glorioso e confirmou uma parceria de exclusividade com a Portuguesa da Ilha envolvendo a, até então, Arena Botafogo.

Diversos lunáticos espalhados pela internet festejavam o ocorrido, classificando como “chapéu” – uma espécie de passada de perna – no Botafogo. Parece que esqueceram de dois simples detalhes:

1) O acordo vigente era apenas até o final de 2016 e todo o investimento feito no local será removido a partir do próximo sábado, dia do último jogo do Botafogo no local.

2) Nós temos o Estádio Nilton Santos como casa. O Luso Brasileiro foi apenas uma solução provisória devido às Olimpíadas, quando a nossa casa foi utilizada para a realização de diversas modalidades.

Não quero aqui, de forma alguma, desmerecer a importância da Arena e cuspir no prato em que comemos durante boa parte do Brasileirão. Pelo contráro, ela tem boa parcela de importância na ótima campanha realizada pelo Glorioso – que poderá confirmar sua classificação para a Libertadores de 2017 no próximo sábado, na própria Ilha do Governador.

Vitor Silva/SSPress

Vitor Silva/SSPress
Com bons públicos, Arena Botafogo foi importante na arrancada do Brasileirão

No entanto, não é muito difícil notar e reconhecer o abismo existente entre os dois estádios. O Niltão, além de ter o triplo de capacidade, tem uma estrutura infinitamente superior a um acesso bem mais facilitado, com trem passando na porta – quem frequentou os jogos no estádio da Portuguesa sabe o quanto é difícil e complicado o acesso ao local.

Além disso, nosso estádio olímpico tem um potencial de exploração e captação de recursos que nos permite explorar, através do departamento comercial, diversas formas de lucro. Publicidades, eventos, shows, bares e restaurantes, camarotes e vários outros atrativos colocam o Niltão em um patamar muito acima do que os próprios flamenguistas passaram o ano chamando de “poleiro da Lusa”.

Dentro do clube, algumas correntes defendiam a ideia de se dividir em dois estádios – coisa que eu nunca vi dar certo em clube algum – e houve até quem acenasse com a possibilidade de uma mudança em definitivo, algo que logo foi descartado pela diretoria. Com a assinatura entre Portuguesa e Flamengo, felizmente, voltaremos a nos dedicar exclusivamente ao Niltão.

A comparação perfeita é a seguinte: a mansão em que moramos precisou passar por algumas reformas e, nesse meio tempo, nos mudamos para a casa do campo. Apesar de até ser aconchegante e legal, não tinha nem de perto a mesma qualidade. Foi uma aventura divertida, mas não vejo a hora de voltarmos pro conforto do nosso lar.

No fim das contas, vai ser engraçado ver os flamenguistas reclamando do acesso aos arredores, do trânsito terrível, do gramado ruim, da iluminação defeituosa, das arquibancadas tubulares, da capacidade reduzida de público, dos banheiros químicos, dos bares improvisados, da falta de estacionamento e de diversos outros problemas. Estaremos, no conforto da nossa casa, assistindo de camarote e gargalhando com tudo isso.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC