Um edema no tornozelo direito faz de Emerson Santos uma dúvida no Botafogo que encara o Grêmio neste domingo, às 17h, pelo Brasileiro. Ele viajou com o elenco, mas caberá à comissão técnica decidir se entrará em campo na partida que pode confirmar o time na Libertadores de 2017. Superar este problema físico será moleza para quem, aos 21 anos, já está acostumado a derrubar adversários. Nascido em Itaboraí, na região metropolitana do Rio, onde vive até hoje, Emerson sempre foi apaixonado pela bola. Mas demorou a aceitar que, para fazer dela uma profissão, era preciso sacrifício:

— Não queria saber de responsabilidade. Como tinha que treinar e estudar, não sobrava tempo para nada. Mas meus pais insistiram, e, aos poucos, comecei a entender.

O desempenho no Profute, time que à época era sediado em Tanguá, município vizinho, rendeu-lhe um convite para um teste no Botafogo, em 2010. Além da segurança em campo, Emerson chamou a atenção do técnico Eduardo Húngaro por um comportamento estranho. Dias antes, havia quebrado o ombro esquerdo numa pelada. Com medo de ser descartado, passou o treino com o braço colado ao corpo.

— No fim, contei a verdade. Eduardo disse que, como fui sincero, seria aprovado e faria o tratamento no clube. Com essa atitude, ele me ensinou uma lição — conta o jogador.

O maior adversário apareceu no início de 2014. Durante os exames de rotina de pré-temporada, os médicos do Botafogo detectaram uma arritmia em Emerson. Submetido a uma cirurgia no coração, o zagueiro temeu:

— Disseram para minha mãe que eu poderia não jogar mais.

Mas os obstáculos foram superados e, hoje, Emerson colhe os frutos. Dentro de campo, foi titular o ano todo. Fora dele, já ajuda dona Solange: depois de bancar a construção de um muro e uma garagem, agora custeia a pintura da casa da mãe, auxiliar de serviços gerais da Marinha. O pai, Edmilson, que trabalha como pedreiro, mora perto, com dois filhos do segundo casamento. Por isso, deixar Itaboraí está fora dos planos de Emerson:

— A gente não pode fugir da nossa raiz. Estar perto da família me passa segurança.

Fonte: Extra Online