A partida desta terça-feira contra o Coruripe, às 21h30m, em Alagoas, pela primeira fase da Copa do Brasil, é uma boa oportunidade para o Botafogo lidar com um de seus desafios crônicos: o favoritismo. Deixar a bola com o outro time e pressionar para recuperá-la, a tônica do time de Ricardo Gomes, é uma postura que tem gerado dificuldades e até sustos quando espelhada pelo adversário.

Para eliminar o jogo da volta, o Botafogo terá que fugir de um padrão observado quando encontra equipes que, não podendo jogar de igual para igual, optam por se proteger. Em oito jogos contra clubes de menor investimento no Carioca — ou seja, sem contar os clássicos —, o alvinegro venceu apenas dois pela vantagem de dois gols de diferença, e nenhum por mais do que isso. O Vasco, por exemplo, time que mais teve placares elásticos nesse tipo de confronto em 2016, venceu seis vezes por dois ou mais gols.

Curiosamente, em Alagoas, pouca gente acredita que o Coruripe consiga evitar uma derrota larga. No caso dos alagoanos, mais do que artifício para um jogo importante, a tática cautelosa é necessária por conta do excesso de desfalques e da instabilidade, fatores que passam longe do alvinegro.

— O elenco é reduzido, então vinha sofrendo por jogar a Copa do Nordeste (foi eliminado na 1ª fase) e o estadual. O maior problema é não ter peças de reposição. Por isso, pouca gente aposta no Coruripe — avalia Madson Delano, narrador da TV Gazeta, afiliada da Rede Globo em Alagoas.

Para o jogo de hoje, o Coruripe não tem Aurélio e Geovani, os principais articuladores do meio-campo. Ivan, atacante veloz quase sempre lançado no segundo tempo, está voltando de lesão, assim como o meia Tiago Lima, que será o responsável por dar criatividade ao time alagoano contra o Botafogo. Isso para não falar do volante Micheel, titular absoluto até ser dispensado por indisciplina na última semana. Com tantos problemas o Coruripe sabe que joga no limite da margem de erro.

— Vamos jogar trancados na defesa, com maior atenção na marcação. Quando a gente subir ao ataque, é para matar o jogo — comenta o zagueiro Williames José, um dos principais destaques do Coruripe e irmão do atacante Willian José, atualmente no Las Palmas-ESP.

BOTAFOGO VAI COM TIME MISTO

Se o comando de Ricardo Gomes é um dos trunfos do Botafogo, o Coruripe também vê em seu treinador uma referência. Jaelson Marcelino, campeão alagoano em 2014, retornou ao clube no meio do estadual deste ano e, mesmo sem grandes mudanças táticas, renovou as esperanças.

— Jaelson é amigo dos jogadores, mas não deixa a disciplina cair. Às vezes varia do 4-4-2 para o 4-1-4-1. É um time que sofre poucos gols e ataca com velocidade pelos lados — analisa Valmari Vilela, jornalista da Rádio Globo de Maceió.

De olho no Carioca, o Botafogo vai poupar sete titulares, entre eles o goleiro Jefferson, o zagueiro Carli e o atacante Salgueiro. O time deve atuar com: Helton Leite, Luis Ricardo, Renan Fonseca, Emerson Silva e Jean; Diérson, Fernandes, Bruno Silva e Gegê; Neílton e Ribamar (Luis Henrique).

Fonte: O Globo Online