Botafogo e Juventude, que se enfrentam pela terceira fase da Copa do Brasil, nesta quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), no Estádio Nilton Santos, já fizeram a final da competição.

Os duelos ocorreram em 1999, com a equipe gaúcha sagrando-se campeã após uma vitória no jogo de ida por 2 a 1 no Alfredo Jaconi e um empate em 0 a 0 na partida de volta no Maracanã com 101.581 pessoas, o maior público da história do torneio.

Autor do segundo gol da partida realizada em Caxias do Sul-RS, que deu o título para a equipe alviverde, Márcio Mexerica lembra de cada detalhe daquela decisão.

“Foi fantástico! No começo do campeonato, não imaginávamos chegar à final. Sabíamos que seria muito difícil. Soubemos jogar em casa e tínhamos que vencer para ter mais tranquilidade para a volta”, disse, ao ESPN.com.br.

O primeiro confronto foi quente e recheado de polêmicas. Fernando Rech abriu o placar para time o alviverde aos 14 minutos de jogo. Márcio Mexerica fez o segundo gol apenas sete minutos depois. Aos 41, Bebeto descontou para os botafoguenses.

“Foi um lance bem rápido e gol bonito, que deu o título para a gente. Foi uma felicidade grande para mim e uma festa muito bonita em Caxias”.

Após uma confusão, o zagueiro Sandro (Botafogo) e o meia Wallace (Juventude) foram expulsos. O zagueiro Capone, do time alviverde, também recebeu o cartão vermelho na segunda etapa. Os botafoguenses reclamaram muito de dois gols anulados.

“Em uma final não tem um segundo que a adrenalina não está a mil! A tensão é normal mesmo. Quem foi para o estádio viu dois grandes jogos”.

Na partida de volta, o técnico do Juventude, Walmir Loruz, apostou em uma equipe mais defensiva e se deu bem. Com o empate sem gols, fez o time de Caxias conquistar o maior título da sua história.

“Quando chegamos ao estádio com tanta gente vimos que até seria difícil do tínhamos imaginado. Jogamos um pouco mais recuados e tentamos sair nos contra-ataques. Não conseguimos, mas deu para segurar o resultado”.

“No começo do jogo a torcida fazia tanto barulho que não escutava meus colegas em campo. Era um barulho ensurdecedor! Mas no final, do nada, vimos um estádio calado. Parecia que não tinha ninguém e nós pudemos comemorar o título”.

Campeão da Uefa

De origem humilde, Márcio Mandinga dos Santos começou a carreira no Bragantino e virou “Mexerica” por causa de uma piada de antigo companheiro de clube, devido à grande quantidade de espinhas que o centroavante tinha no rosto.

Depois, passou por Paulista, São José, Juventude e Portuguesa antes de chegar ao Galatasaray, em 1999. No ano seguinte, ele venceu a Copa da Uefa – atual Europa League – contra o poderoso Arsenal de Henry e Bergkamp.

“Foi uma das melhores sensações da minha vida. Enfrentamos o melhor time do mundo naquela época na minha opinião. Eles estavam jogando o fino da bola, mas nossa equipe era qualificada. Conseguimos segurar o jogo e tivemos uma atuação espetacular no nosso mestre Taffarel, que fechou o gol”.

“Fui campeão quatro vezes no Galatasaray e fiz um gol na final da Copa da Turquia. Até hoje quando encontro turcos, eles me reconhecem e pedem para tirar fotos. Já faz 20 anos! Só tenho boas recordações”, disse.

O jogador ainda defendeu Boavista-POR e Leiria-POR antes de voltar ao Brasil para jogar pelo Atlético Mineiro, em 2004. Após passagens por São Caetano, Santa Cruz e Sertãozinho, ele viveu outro grande momento no Santo André, que defendeu entre 2007 e 2008. Pela equipe do ABC. Ele faturou a Série A2 do Paulista e foi vice-campeão da Série B do Campeonato Brasileiro.

“Tive a felicidade de jogar em uma grande equipe que brigava por títulos. Apesar das dificuldades, nós buscamos os objetivos. Foi um momento muito bom para a cidade, o clube e os jogadores. Foi um privilégio e fiz muitos gols”, afirmou.

Ele foi o terceiro principal artilheiro da competição com 14 gols, ao lado de Dentinho e Herrera (ambos do Corinthians). O trio ficou atrás somente de Nunes (Bragantino), com 15, e Túlio Maravilha (Vila Nova), com 24.

Construção e EUA

Os últimos times da carreira de Márcio Mexerica foram Ponte Preta, pelo qual fez gol do título do Troféu do Interior de 2009, e pendurou as chuteiras. Além das conquistas e dos gols, ele ostenta uma outra marca: nunca foi expulso na carreira.

Filho de um pedreiro, Márcio Mexerca sempre ajudou seu pai nas obras. Por isso, resolveu entrar no ramo construção civil em Bragança Paulista após parar com o futebol. Primeiramente, foi dono de uma loja de materiais. Depois, montou uma construtora.

“Eu planejei muito bem minha aposentadoria. Queria ver meus filhos crescerem, levá-los para escola e ficar mais perto da família. Tenho outros negócios também, mas a construção é o meu forte”.

Em novembro do ano passado, Márcio foi morar em Orlando, nos Estados Unidos. “Meus filhos e minha esposa estão estudando aqui em Miami. Eu trabalho daqui e uma vez por mês vou ao Brasil para tratar as coisas pessoalmente”, finalizou.

Fonte: ESPN.com.br