Na sombra da pouco luminosa Série A2 do Campeonato Paulista, não passou despercebida no cenário nacional a atitude machista de um jogador do Votuporanguense, no apagar dos refletores da última quinta-feira. O lateral Janilson ofendeu a assistente Márcia Bezerra Lopes Caetano com insultos condenados pelo árbitro Rodrigo Gomes Paes Domingues, durante o confronto com o Atlético Sorocaba.

A vitória do Votuporanguense por 3 a 2, em Sorocaba, ficou manchada pelos impropérios anotados na súmula. Ao ser advertido com cartão amarelo após uma falta, Janilson teria dito a Márcia: “Futebol é pra homem, não pra mulher”. O lateral foi expulso, e, irritado, voltou a ofender a assistente: “Vai pra cozinha lavar louça”.

Como efeito, uma conhecida voz da arbitragem feminina saiu em defesa de Márcia Bezerra Lopes Caetano. Ana Paula Oliveira, que apitou profissionalmente durante 12 anos, lamentou o fato.

– A Márcia é ótima profissional. É assistente Fifa – destacou Ana Paula, atualmente diretora e instrutora da Escola Nacional de Árbitros de Futebol da CBF.

A ex-árbitra, hoje com 37 anos, sentiu na pele o drama da colega.

– A pressão agora não é igual à da minha época. Avançamos um pouco. No meu tempo, fui vítima da declaração de um infeliz dirigente que condenou o gênero. Foi tão ofensivo que não vale a pena lembrar.

A mágoa antiga é de Carlos Augusto Montenegro, vice de futebol do Botafogo em 2007, que chamou-a de “despreparada” ao questionar a escolha de uma árbitra para o jogo no qual seu clube, com dois gols anulados, perdeu para o Figueirense a vaga na final da Copa do Brasil – apesar de ter vencido por 3 a 1.

Outra voz a favor da mulher no futebol, a atriz Laura Castro, feminista, defendeu uma punição para Janilson:

– Que atitudes assim sejam vistas como crime, da mesma forma que o racismo. A gente precisa formar uma sociedade diferente. Minhas filhas jogam futebol muito bem, e meu filho ajuda na louça – encerrou.

Fonte: Blog da Marluci Martins - Extra Online