”Ele só sai por vontade própria, pode perder, pode até cair para a segunda divisão. O Fernando é o primeiro que encaixa certinho dentro do projeto”. A frase foi de Mario Celso Petraglia para o jornalista Julio Gomes, do UOL, em 22 de maio, e trazia uma afirmação perigosa. Àquela altura, o Atlético-PR era o 17º colocado do Brasileirão e tinha uma vitória em seis jogos. Fernando Diniz, então técnico, chegara com uma filosofia revolucionária, que começou bem o Brasileiro, mas já dava sinais de falhas.

Seis partidas depois, contra o Botafogo, no Rio, a vitória por 2 a 0 do Fogão selava o destino de Diniz e mudaria a história do Atlético no Brasileirão. O time havia caído para a penúltima posição e só tinha conseguido mais um triunfo desde então. Derrotado no Engenhão, o Atlético entrou na Copa do Mundo sob pressão. E Diniz caiu.

Nos dias que se seguiram, Petraglia estava em chamas. A demissão de Diniz foi muito à contragosto do dirigente, que queria manter o técnico e pagar o preço prometido, na expectativa de conseguir sucesso com o estilo de jogo que marcou o ex-técnico na passagem pelo Audax-SP. Então gerente de futebol, Sidiclei Menezes acabou demitido junto com Diniz. Internamente, uma comissão que toca o futebol, apoiada pelo presidente do Conselho Gestor Luiz Sallim Emed, haviam convencido Petraglia a trocar o comando técnico.

Petraglia procurou outras opções. Ouviu um não de Abel Braga, que deixou o Fluminense dias antes com a intenção de descansar. Pediu para que o staff procurasse por Dorival Júnior, recém saído do São Paulo. Júnior negou uma primeira sondagem, Petraglia insistiu, e o atual técnico do Flamengo não quis assumir o time na 19ª colocação, mesmo com uma proposta financeira reforçada. Nomes eram oferecidos, mas Petraglia não gostava de nenhum, tampouco conseguiu os que queria. A Copa ia acabar e o Atlético seguia sem técnico.

Ou quase: quieto e funcionário do clube, Tiago Nunes foi comandando os treinamentos enquanto não havia uma definição. Sem achar ninguém e com o tempo correndo, o Furacão anunciou que Nunes iria comandar o time contra o Cruzeiro, no dia posterior à final da Copa do Mundo, no jogo de volta pela Copa do Brasil. Começava ali a Era Tiago Nunes, ainda não oficializada.

Apesar da arrancada, Nunes segue qualificado como técnico interino. Ele ainda não foi chamado a negociar a permanência – e, nas coletivas, procura dizer que não se importa com isso. Com Nunes, o Atlético saiu da 19ª para a 8ª posição antes do início da rodada, com chances de chegar à Libertadores, e deu um passo importante para chegar à semifinal da Copa Sul-Americana, ao vencer o Bahia em Salvador por 1 a 0. Pode confirmar a vaga na quarta-feira (31), atuando em casa. Por isso, pode poupar jogadores contra o Fogão.

Entretanto, o Atlético defende uma invencibilidade de 10 anos contra o Botafogo em casa. A última derrota para os cariocas foi em 2008, 3 a 0. Não apenas isso: somando o desempenho de Nunes no time principal e nos aspirantes, o técnico nunca perdeu na Arena da Baixada. Já são 5 empates e 17 vitórias, 11 delas consecutivas atuando em casa. Números, porém, que ainda não arrancaram de Petraglia a mesma confiança que o antecessor inspirava.

FICHA TÉCNICA

ATLÉTICO-PR X BOTAFOGO

Local: Arena da Baixada, em Curitiba (PR)
Motivo: 31ª rodada do Campeonato Brasileiro
Data: Sábado, 27 de outubro de 2018
Horário: 21h (de Brasília)
Árbitro: Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza (SP)
Assistentes: Anderson José de Moraes Coelho (SP) e Bruno Salgado Rizo (SP)

ATLÉTICO-PR
Felipe Alves; Jonathan (Diego Ferreira), Thiago Heleno, Léo Pereira e Renan Lodi; Lucho González (Bruno Guimarães), Wellington e Raphael Veiga (Guilherme); Nikão, Marcelo Cirino e Pablo.
Técnico: Tiago Nunes.

BOTAFOGO
Saulo; Marcinho, Carli, Rabello e Gilson; Matheus Fernandes, Lindoso, Bochecha e Leo Valência; Luiz Fernando e Brenner.
Técnico: Zé Ricardo.

Fonte: UOL